MINERAÇÃO PERDE UMA DE SUAS PRINCIPAIS LIDERANÇAS

MINERAÇÃO PERDE UMA DE SUAS PRINCIPAIS LIDERANÇAS

Faleceu em 18 de janeiro, em Brasília (DF), Raul Jungmann, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração – IBRAM, cargo que ocupava desde 1º de março de 2022. Ex-parlamentar, primeiro ministro da Segurança Pública do país, em pasta criada pelo presidente Michel Temer em 2018, o executivo enfrentava um câncer de pâncreas e não resistiu à evolução da doença. Casado, pai de dois filhos, que considerava sua maior realização de vida, era torcedor do Sport Club Recife, time da capital pernambucana, onde nasce há 73 anos.

Embora já fisicamente bastante fragilizado, Jungmann cumpriu uma extensa e cansativa agenda na Exposibram 2025, realizada no final de outubro em Salvador, na Bahia. Internado durante a maior parte do mês de novembro, de 2025, participou por vídeo da COP 30 – Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, que teve como sede a capital do Pará, Belém.

“Estamos vivendo um renascimento do setor mineral para a geopolítica do mundo. O futuro estendeu a mão para a mineração. Não há a menor chance de passarmos a um futuro livre de combustíveis fósseis sem os minerais críticos e estratégicos”, afirmou Jungmann na abertura da Exposibram, em 27 de outubro. Segundo ele, é preciso aproveitar o momento favorável, inclusive para solucionar problemas que limitam um maior desenvolvimento da atividade no Brasil. Um deles, o deficitário mapeamento geológico do país que, hoje, cobre apenas 27% do território nacional. Outro gargalo é o necessário e tantas vezes adiado debate sobre a regulação do setor e seu licenciamento ambiental. “Não pedimos um licenciamento menos rigoroso, mas sim mais ágil. A demora de até 7 anos para obtenção de uma licença ambiental destrói o capital de investimento”, afirmou.

Jungmann também destacou a necessidade de criação de mecanismos de fomento ao setor e de estruturação de uma política mineral abrangente. No primeiro caso, ele lembra que enquanto somente quatro mineradoras estão listadas na B3, bolsa brasileira de valores, só a TSX, bolsa canadense, conta com 42 empresas do segmento em operação no Brasil, que abriram seu capital naquele país. No segundo caso, o executivo elogiou a instalação do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), ligado ao governo federal em outubro de 2025, assim como o Projeto de Lei nº 2780/2024, que cria uma política para minerais críticos e estratégicos e tramita em regime de urgência no Congresso Nacional. Apesar de reconhecer a importância do PL, Jungmann ponderou que é necessário dar um “rumo” ao setor mineral, o que, em sua visão crítica, transcende as fronteiras de uma produção específica: “Queremos uma política para que contemple todos os minerais e não apenas os MCEs”, afirmou.

Com reconhecida habilidade de diálogo e negociação, além do trânsito livre entre políticos de vários espectros ideológicos – da direita à esquerda – Jungmann reposicionou o IBRAM, de mera entidade representativa de mineradoras sem grande projeção nacional em referência nos debates sobre a macroeconomia do Brasil, sempre destacando e reafirmando o papel crucial do setor e, por extensão do próprio país, em um futuro de maior sustentabilidade global.

Em entrevista exclusiva à revista In the Mine, poucos meses após sua posse no IBRAM e às vésperas da Exposibram 2022, Jungmann definiu suma missão à frente da entidade: Meu papel é abrir e consolidar canais de relacionamento. Abrir espaços para comprovar que a mineração brasileira é um dos setores essenciais para o desenvolvimento social, ambiental e econômico do país”

Confira e íntegra da entrevista em https://www.inthemine.com.br/site/um-articulador-politico-na-presidencia-do-ibram/

Foto: Raul Jungmann recebe o título de “Cidadão Baiano” na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), em 30 de outubro de 2025 (IBRAM/Divulgação)

 

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