Chegando já ao final deste ano da Graça de Nosso Senhor de 2025, como diriam antigos cristãos, secundados por antigos escribas, revejo o período com olhos laicos ou, melhor, com olhos lassos, no sentido literal de esgotados, fatigados, cansados. Notem que não é desânimo, mas desalento com a recorrente repetição – desculpem-me o pleonasmo – de enganos, desacertos e, em último grau, erros que atravancam o progresso da mineração brasileira. E ano da graça ou não, 2025 teve um manancial deles.
Já no primeiro editorial do período tratei de três temas, pinçados de artigos de nossos articulistas. O primeiro deles foi a falta de uma política mineral para o Brasil (William Freire), em que pese sua instituição pelo Decreto nº11.108/2022 que, de quebra, criou o Conselho Nacional de Mineração (CNM), instalado recentemente após três anos perdido nos escaninhos do Ministério de Minas e Energia (MME).
Remetendo a Gláucia Cuchierato, citei sua afirmação sobre a necessidade urgente de minerais críticos, que o Brasil poderia atender como um dos grandes protagonistas mundiais dessa oferta. Lembrei, então, que o tema carecia de regulação, a despeito da defesa visceral de autoridades públicas em prol da transição energética, que depende essencialmente desses minerais.
Naquele janeiro já distante como neste dezembro quase findo, o assunto, com alguns espasmos pontuais, permanece dormindo em berço esplêndido. Sem levar em conta que, existindo a política mineral citada no parágrafo anterior, por óbvio não haveria qualquer premência na aprovação de uma política específica para minerais críticos e estratégicos, grupo que, a cada dia que passa, acaba incluindo mais minerais em sua cesta.Tempo virá, como a Geologia bem preconiza, em que todos os minerais serão estratégicos, se já não forem todos críticos.
O terceiro tema que comentei nesse editorial surgiu da leitura do artigo de Mathias Heider, em coautoria com outros especialistas da ANM – Agência Nacional de Mineração, sobre a atualização da Agenda Regulatória do órgão. As nuvens cortaram infinitas vezes os céus deste “país abençoado por Deus”, como cantava Jorge Benjor, e a ANM continua à margem do orçamento federal. Sem verba para repor plenamente o esvaziamento de seu quadro de pessoal; sem o repasse integral da CFEM que lhe é devida; e, nos últimos meses, sem os recursos financeiros mínimos para até mesmo manter acesas as luzes de sua sede.
Enquanto isso, a mineração seguiu em frente. Inovação, conceitos ESG (Ambientais, Sociais e de Governança), eficiência, produtividade, segurança e competitividade. Ainda bem. Como tudo o mais foi perdido, esses são mais uma vez os achados deste ano. Embarcando no trem quase de partida para 2026, vamos acreditar em novos tempos. Será?
Nossos agradecimentos a todos que nos apoiaram na travessia de 2025: leitores, jornalistas, articulistas, mineradoras e suas fantásticas assessorias de imprensa e, claro, anunciantes. Nossos votos de Boas Festas e de um Ano Novo de coragem, resistência e superação.
Saudações iluminadas,
Tébis Oliveira | Editora Executiva
