Por Henrique Carballal, presidente da Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM)
Protagonista das grandes transformações econômicas e tecnológicas do país, a mineração brasileira alcançou, em 2025, um nível de maturidade que a projeta como vetor decisivo da transição energética. Em um ambiente impulsionado por inovação, fortalecimento da agenda ESG e pela busca global por minerais críticos e estratégicos, o setor se consolida como base estratégica da economia de baixo carbono.
Na Bahia, esse movimento se mostrou ainda mais expressivo. O estado reafirmou sua posição de destaque no cenário mineral nacional ao alcançar a terceira colocação em faturamento no primeiro trimestre, com R$ 4 bilhões em valor de produção, e ao manter a liderança em diversidade mineral, com 47 das 93 substâncias reconhecidas no país. Além disso, é o único produtor brasileiro de vanádio e urânio e figura entre os primeiros colocados na produção de 18 substâncias essenciais para a indústria, o agronegócio, a tecnologia e os sistemas de energia renovável.
Esse desempenho é fruto de um modelo de gestão comprometido com a ciência, a inovação e a sustentabilidade. Até 2029, a Bahia deve investir mais de US$ 9 bilhões em pesquisa mineral, destinados a projetos estruturantes voltados ao desenvolvimento de áreas com potencial para ferro, cobre, ouro, grafita, fertilizantes e terras raras, distribuídos por pelo menos 17 municípios.
Ao longo de 2025, iniciativas estratégicas impulsionaram significativamente a trajetória da Bahia no setor mineral. O Projeto Ferro Verde, conduzido pela Brazil Iron em parceria com a CBPM, posiciona a Bahia como referência nacional na produção de aço verde, fortalece a cadeia produtiva do setor e contribui de forma decisiva para a descarbonização da indústria siderúrgica brasileira. Já o Projeto Brasil Transparente, desenvolvido pela Homerun Resources, torna o Brasil um dos pioneiros na produção de vidro solar para painéis de alta performance, colocando o município de Belmonte no mapa global da energia fotovoltaica, com a primeira fábrica de vidro solar fora da China.
Outro destaque é o Projeto Irecê, da Galvani, que tornará a Bahia independente da importação de fertilizantes fosfatados a partir de 2026 e garantirá que o estado atenda até 30% da demanda das regiões Norte e Nordeste do país. Trata-se de um modelo de produção inovador, sem barragens de rejeitos, com recirculação total da água e reaproveitamento integral dos resíduos.
A presença da Bahia no mercado de minerais críticos também se fortaleceu. A parceria da CBPM com a Atlantic Nickel viabilizou o projeto de expansão da maior mina de níquel sulfetado a céu aberto da América Latina, em Itagibá, enquanto em Maracás, a cooperação com a Largo consolidou a posição do estado como polo mundial de vanádio de alta pureza, essencial para o armazenamento de energia renovável.
Os avanços registrados pelo setor mineral da Bahia são resultado do modelo de mineração sustentável e inclusiva adotado pela CBPM, sob a liderança do governador Jerônimo Rodrigues. Essa modelo é pautado pelo compromisso de gerar oportunidades, impulsionar o desenvolvimento socioeconômico e assegurar benefícios reais para as comunidades, em sintonia com a preservação ambiental.
O desempenho da Bahia na mineração em 2025 comprova não apenas a solidez do setor, mas sobretudo a habilidade do estado de antecipar tendências, incorporar inovação e adotar práticas cada vez mais sustentáveis, posicionando-se na vanguarda das transformações que moldam o novo cenário mineral global. A Bahia não apenas acompanha o ritmo dessas transformações globais. Ela está preparada para ser protagonista desse novo ciclo da mineração.
