Órgãos públicos e entidades privadas representativos do setor mineral veem o ano de 2025 como um período de avanços em definição de políticas específicas e questões legais, fiscais, ambientais e institucionais. O despontar do Brasil como importante ator no cenário da transição energética, uma pauta global que desencadeou a corrida por minerais críticos e estratégicos, é motivo de, senão euforia, ao menos confiança. Todos alertam, no entanto, que é preciso avançar em gargalos, alguns muito antigos como o desconhecimento mineral de grande parte do território nacional e as deficiências de estruturas do Estado, para que o país não perca os bons ventos dessa nova era.
A Agência Nacional de Mineração (ANM) invoca a importância da mineração para uma economia de baixo carbono e, nesse contexto, o protagonismo que o Brasil poderá ter, desde que conte com capacidade institucional, visão estratégica, ambição industrial e estruturas de Estado que funcionem com precisão, profundidade técnica e responsabilidade. Rumo a esses objetivos, de sua parte o órgão destaca o reforço de seu corpo de profissionais em 2025 e a previsão de novos quadros para 2026; as parcerias com a ABDI (Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial), a B3, bolsa de valores brasileira, e o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados). Também destaca o aporte financeiro que virá do Acordo de Mariana, a modernização de diversas normas regulatórias, a participação no Conselho Mundial do Ouro e a consolidação da Superintendência de Barragens, que passou a incluir as pilhas de rejeitos entre suas atribuições.
SOBERANIA MINERAL EM TEMPOS DE TRANSFORMAÇÃO GLOBAL
Por: Mauro Sousa, diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM)
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) diz que, apesar das restrições orçamentárias, foi possível alcançar várias conquistas em 2025, entre elas o início do Plano Decenal de Mapeamento Geológico Básico (PlanGeo 2025-2034) e a estruturação do Plano Decenal de Pesquisa de Recursos Minerais (PlanGeo 2026-2035). Outro marco foi o começo das obras do Centro Científico e Cultural da Urca (RJ), que abrigará o Centro de Referência em Geociências (CRG). Também importante foi a instalação do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), presidido pelo MME (Ministério das Minas e Energia), que possui o SGB como um de seus membros. Entre os desafios persiste um que é recorrente há anos: a insuficiência númerica do corpo técnico do órgão frente à dimensão continental do Brasil.
MINERAIS CRÍTICOS E ESTRATÉGICOS EM DEBATE PÚBLICO
Por: Valdir Silveira, diretor-presidente interino do Serviço Geológico do Brasil
Já a Companhia Baiana de Produção Mineral comemora o desempenho da Bahia no cenário mineral brasileiro, que é resultado, segundo a empresa estatal, de um modelo de gestão comprometido com a ciência, a inovação e a sustentabilidade. Entre as iniciativas estratégicas significativas no ano são destaques as parcerias com a Brazil Iron no projeto Ferro Verde; com a Homerun Resources no projeto Brasil Transparente; com a Galvani no projeto Irecê; e com a Atlantic Nickel para a expansão da maior mina de níquel sulfetado a céu aberto da América Latina.
ESTADO DA BAHIA REDEFINE O SETOR MINERAL BRASILEIRO
Por: Henrique Carballal, presidente da Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM
Associações
Do lado das entidades de classe, o IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração) considera que 2026 tende a ser um ano de estabilidade para a mineração nacional, com manutenção de níveis semelhantes de produção e preços aos de 2025. O cenário estável, no entanto, não deve significar estagnação, mas sim um porto seguro de onde o país deve “zarpar” para conquistar o futuro aberto pela janela histórica de oportunidades da transição energética. Não como o mero fornecedor de matérias primas minerais para o mundo e sim como um sócio estratégico dessa cadeia produtiva.
ESTABILIDADE À VISTA, COM HORIZONTE DE TRANSFORMAÇÃO
Por: Júlio Nery, diretor de Assuntos Minerários do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM)
A Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB) destaca seu papel como uma das principais articuladoras da pesquisa mineral e da mineração no país em 2025. Com esse objetivo, a entidade promoveu ações de capacitação, projetos de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação), aproximação internacional, participação em eventos estratégicos e o fortalecimento institucional, aprofundando a conexão entre empresas, governo, academia e mercado.
CONTRIBUIÇÕES EM 2025 E PERSPECTIVAS PARA 2026
Por: Marcos André Gonçalves¹, Roberto Perez Xavier 2 e Augusto C.B.Pires, da ADIMB
Por fim, a Associação Brasileira de Pesquisa Mineral (ABPM) avalia que o Brasil demonstrou um balanço econômico positivo e otimismo no ano, buscando uma política para minerais críticos e a revisão de leis ambientais e fiscais. Mesmo diante de entraves como a volatilidade nos preços das commodities, os desafios contínuos de demandas ambientais, entraves regulatórios vindos da ANM, pautas tributárias cada vez mais complexas e fatores externos, como tarifas dos EUA (Estados Unidos) e a guerra comercial EUA-China, que geraram incertezas.
UM ANO DE AVANÇOS E AMEAÇAS DE RETROCESSOS NO BRASIL
Por: Luís Maurício Azevedo, presidente da ABPM (Associação Brasileira de Pesquisa Mineral)
