DAS MINAS PARA A BIENAL

DAS MINAS PARA A BIENAL

Instalação “Terra Viva”, da artista plástica Marlene Almeida, traz amostras minerais para a 36ª Bienal de São Paulo, uma das maiores exposições de arte do mundo. A obra se constrói na intersecção entre matéria e território e sintetiza décadas de pesquisa e criação da autora, sendo dividida em duas vertentes complementares, articulando rigor técnico e potência poética.

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A dimensão técnica se manifesta em um espaço de estudos que exibe amostras minerais, ao lado de solos brasileiros, resinas vegetais, equipamentos laboratoriais e cadernos de campo. Já a poética se traduz em uma instalação composta de pinturas expandidas em têmpera fosca, aplicadas sobre faixas de algodão cru. Essas superfícies, penduradas no teto e prolongadas até as paredes, evocam as trilhas percorridas pela artista ao longo de suas investigações, incorporando rochas naturais que dialogam com as camadas cromáticas utilizadas.

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A obra dá continuidade a trabalhos anteriores, como Terra-Devir (2024) e Vermelho como Terra (2024), que reafirmam sua pesquisa sobre os processos de sedimentação, apagamento e permanência. Na instalação, Marlene trabalha com uma paleta que vai do branco do caulim puro aos tons profundos da hematita e da pirolusita, compondo uma cartela cromática que revela as variações geológicas do Brasil. O jogo de sombras projetado pelas faixas de tecido e pela iluminação reforça a passagem do tempo, funcionando como um marcador visual que remete aos relógios de sol.

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A artista não apenas recolhe e transforma materiais naturais, mas propõe um diálogo no qual a terra não é um objeto inerte, e sim um organismo vivo. Seu uso de pigmentos naturais e técnicas de baixo impacto ambiental reafirma um compromisso com a sustentabilidade e com modos de criação que respeitam os ciclos da natureza, Terra Viva se inscreve como um testemunho de tudo o que a terra guarda, revela e resiste a esquecer – um arquivo sensível no qual a passagem do tempo se faz visível e onde a paisagem, em sua infinita transmutação, continua a contar suas histórias geológicas, ambientais e da humanidade.

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Marlene Almeida nasceu em Bananeiras, no Brejo Paraibano, região turística do estado, e é formada em filosofia pela Universidade Federal da Paraíba. Sua trajetória artística se estende por mais de 50 anos, fundamentada na observação de paisagens de sua terra natal e de outras regiões. A 36ª Bienal de Arte acontece no Parque do Ibirapuera, na capital paulista, até 11 de janeiro de 2026.

Fotos: Bienal SP/Divulgação

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