EM PLENA ATIVIDADE E MONITORAMENTO CONTÍNUO

EM PLENA ATIVIDADE E MONITORAMENTO CONTÍNUO

No sistema Minas-Rio, a Anglo American possui 6 estruturas de armazenamento inseridas na PNSB em Minas Gerais: uma barragem de rejeitos e os diques de contenção de sedimentos 02, 03, 04 e 05, em Conceição do Mato Dentro, e a barragem de água e polpa de minério na Estação de Bombas 2 (EB-2), em Santo Antônio do Grama (veja Tabela).

A barragem de rejeitos está com 153 Mm3 armazenados em seu reservatório, com capacidade total para 167 Mm3, o que justifica a necessidade do pedido de um segundo alteamento. O projeto, previsto desde a obtenção da Licença Prévia (LP) do Minas-Rio em 2008, pretende elevar a altura atual de 700 m para 725 m. Esse acréscimo de 25 m possibilitará que a barragem opere até 2073, atingindo um volume de 335 Mm3 de rejeitos armazenados. Desde agosto passado, o processo de licenciamento está suspenso por decisão judicial (Mais detalhes em Alteamento sob judice no final da página).

 Leonardo Leopoldo, gerente de Geotecnia e Hidrogeologia da Anglo American
Leonardo Leopoldo, gerente de Geotecnia e Hidrogeologia da Anglo American

Segundo Leonardo Leopoldo, gerente de Geotecnia e Hidrogeologia da Anglo American, a barragem foi construída em aterro compactado e alteada pelo método a jusante, considerado o mais seguro e conservador. “Nesse modelo não se utiliza rejeito na construção da estrutura, mas solo compactado. Dessa forma, o reservatório é totalmente apoiado em terreno natural de ótima qualidade, atestado por inúmeros controles tecnológicos”, explica.

Sem emergências

A empresa mantém um monitoramento de todas as estruturas, durante 24 horas por dia, nos sete dias da semana, por meio da Sala de Monitoramento Geotécnico, instalada na Mina do Sapo, em Conceição do Mato Dentro (MG). O sistema possui câmeras, instrumentos automatizados por sensores e é acompanhado por técnicos de mineração, engenheiros geotécnicos e hidrólogos. No caso específico da barragem de rejeitos, são feitas medições do nível de água, vazão e nível do reservatório. As leituras dos instrumentos são feitas a cada hora, diaria ou semanalmente, a depender do indicador. A Anglo American possui, ainda, um sistema de fibra ótica e uma estação robótica que monitoram, em tempo real, possíveis recalques, deslocamentos ou movimentos na estrutura.

Sala de Monitoramento Geotécnico, na Mina do Sapo, em Conceição do Mato Dentro
Sala de Monitoramento Geotécnico, na Mina do Sapo, em Conceição do Mato Dentro

Para todos os diques e barragens do Minas-Rio, a companhia elabora e executa o Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM), no qual são identificadas as situações de emergência em potencial e as ações que devem ser executadas nesses casos, além de definidos os agentes a serem notificados. Periodicamente, em parceria com a Defesa Civil e outras entidades públicas, são realizados simulados de rompimento hipotético, com o objetivo de treinar e capacitar a população das comunidades das Zonas de Autossalvamento (ZAS), para que sejam capazes de realizar medidas de autoproteção e testar a capacidade de resposta dos órgãos e agências responsáveis, bem como a efetividade das ações previstas no PAEBM, como as rotas de fuga, pontos de encontro e sirenes de alerta.

Em conformidade com a legislação, a mineradora possui um projeto de descomissionamento da barragem de rejeitos, que segue as boas práticas de engenharia nacionais e internacionais (como o GISTM – Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos). Esse projeto é revisto periodicamente e parte da abordagem integrada de gestão de vida da barragem. Ele prevê o descomissionamento quando cessada a ocupação da estrutura, com descaracterização de forma gradual, segura e responsável, acompanhamento técnico e diálogo com as partes interessadas.

O gerente destaca que as barragens e diques da Anglo American no Brasil sempre estiveram em nível normal de operação. “Nenhuma dessas estruturas nunca entrou sequer em nível de alerta, o que consideramos resultado de um trabalho responsável e altamente rigoroso, garantindo dessa forma a segurança dos empregados, fornecedores e comunidades”, afirma Leopoldo.

 Barragens de Rejeitos da Anglo American Inscritas na PNSB

 

Município Nome Método

Construtivo

Risco DPA Emergência Situação

Operacional

Embargo
 

 

Conceição do Mato Dentro

Barragem de Rejeitos A Jusante Baixo Alto Não Ativa Não
DCS 02 e 03 Etapa Única Baixo Alto Não Ativa Não
DCS 04 e 05 Etapa Única Baixo Médio Não Ativa Não
Santo Antônio

do Grama

EB-2 Etapa Única Baixo Alto Não Ativa Não

Fonte: SIGBM/ANM

Foto em destaque: Barragem de Rejeitos do Minas-Rio com cota de elevação de 700 m

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Alteamento sob judice

O segundo alteamento da barragem de Rejeitos do Sistema Minas-Rio, elevando sua cota atual de 700 m para 725 m, implicará na retirada de material das chamadas “áreas de empréstimo”. A terra removida desses locais será empregada na elevação dos barramentos e diques de sela, ao longo da execução do alteamento da barragem, um processo que deve durar cerca de 12 anos, permitindo que a estrutura opere até 2073. Além do armazenamento do rejeito, o reservatório também fará a contenção de água e sedimentos. Seu monitoramento continuará a ser executado diuturnamente, em todos os dias da semana, pelo Centro de Monitoramento Geotécnico do Minas-Rio.

O licenciamento do projeto, no entanto, está suspenso desde 13 de agosto de 2025, pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), em decisão tomada por unanimidade pelos conselheiros do órgão. A medida está baseada no artigo 12 da Lei Estadual nº 23.291/2019, conhecida como “Mar de Lama Nunca Mais”, que proíbe a concessão de licenças ambientais, inclusive as prévias, para barragens que possuem moradores na Zona de Autossalvamento. No caso do Minas-Rio, a comunidade de São José do Arruda, em Alvorada de Minas, e a do Beco, em Conceição do Mato Dentro, conforme projeção da mancha hipotética de inundação, em caso de colapso da estrutura (veja Imagem). As demais comunidades da ilustração já se encontravam inseridas na mancha do primeiro alteamento.

Segundo a mineradora, que não comenta a decisão judicial, um plano de reassentamento foi apresentado aos moradores das duas comunidades. O modelo é o mesmo aceito coletivamente pelas comunidades impactadas à época do alteamento da cota para 700 m. As comunidades de São José dos Arrudas e do Beco, no entanto, se disseram não contempladas com as condições desse plano, além de manifestarem a intenção de permanecer em seu território.

Imagem: RIMA/Anglo American

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