Fundada em 1985, na cidade de Itabira (MG), a Construtora Vale Verde dedicava-se, então, à execução de obras públicas de infraestrutura, nas áreas de pavimentação de vias, drenagem urbana e construção de loteamentos e estradas, entre outras, prestando serviços para órgãos como DER-MG (Departamento de Estradas de Rodagem do estado), DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) e prefeituras do Centro-Leste Mineiro.
A partir de 2007, a empresa passou a atuar também no setor de mineração, executando projetos de infraestrutura em todas as fases da vida útil de uma mina – da implantação ou expansão, passando pela operação, até o fechamento do empreendimento. Vem dessa experiência, conta o CEO da empresa, Hugo Soares, a especialização em obras de alteamento e descaracterização de barragens, manejo de rejeitos e dragagem convencional e mecanizada, por exemplo. Adepta da inovação tecnológica, a construtora foi a primeira, no Brasil, a descaracterizar totalmente uma barragem por operação remota de equipamentos, em 2022.

Segurança
Hoje, a atuação da Vale Verde em barragens de rejeitos abrange as etapas de construção, alteamento, operação, manutenção e descaracterização da estrutura. “Essa expertise foi intensificada após os eventos de 2015 e 2019 (rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais), que desencadearam a necessidade de adaptações importantes para que as empresas de mineração atendessem à nova legislação de segurança de barragens. Foi natural que a Vale Verde passasse a atender a essa demanda”, explica o executivo.
A empresa já realizou a descaracterização de uma barragem da mina de Águas Claras, em Nova Lima, de uma etapa da barragem Sul Superior, na mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, e do dique Rio do Peixe, em Itabira, todos da Vale, em Minas Gerais. A construtora atua também no manejo e recondicionamento de rejeitos, utilizando dragas de sucção e recalque com capacidade de produção média de 4 mil m³/hora e em obras de conformação, drenagem e controle de erosão.
Segundo Soares, as obras mais complexas são as realizadas em barragens classificadas pela ANM (Agência Nacional de Mineração) no nível 2 de emergência, em que o fator de segurança está abaixo do mínimo exigido, e no nível 3, quando há a ausência de um laudo de estabilidade válido, o que pode significar ruptura iminente do reservatório. Nesses casos, explica o CEO, e, em razão da falta de segurança, todas as etapas da obra são executadas remotamente, com equipamentos teleoperados a 60 km de distância. Esse tipo de operação via telas e sensores, no entanto, exige tecnologia de ponta, rede estável e capacitação especializada dos operadores, já que a percepção espacial, profundidade e resposta visual são diferentes do ambiente real.

Execução
Mas não apenas o nível de emergência é o fator preponderante. Barragens construídas a montante, hoje proibidas pela legislação brasileira devido ao seu alto risco estrutural, exigem um planejamento rigoroso de sua descaracterização, que garanta a viabilidade técnica do projeto executivo, a integridade da estrutura durante a intervenção e a segurança dos profissionais mobilizados em campo.
Essa fase de planejamento envolve, por exemplo, levantamento topográfico da área com drones; sondagens de solo para identificar suas condições geotécnicas; projetos geotécnicos específicos, que definem o método executivo adequado; estudos de faseamento, prevendo cada etapa construtiva de forma segura; infraestrutura de rede e comunicação, necessária para a operação remota; e cálculo e dimensionamento de equipamentos adequados às condições do terreno e da estrutura.
“Como barragens são estruturas ‘vivas’, cujos parâmetros de segurança oscilam ao longo do tempo, inclusive durante a execução das obras, o monitoramento geotécnico deve ser constante e em tempo real”, explica Soares. Esse monitoramento inclui o uso de piezômetros (tesômetros) para medição de pressão de poro; medidores de vibração; inclinômetros para avaliar deslocamentos internos; e marcos superficiais para leitura de movimentações visíveis, conectados a centros de controle remoto, onde uma equipe técnica avalia os dados transmitidos continuamente para validar a manutenção dos parâmetros de segurança considerados satisfatórios.
Além de investir em tecnologias de ponta, a Vale Verde também conta com um corpo técnico altamente qualificado, com mais de 30 anos de experiência em mineração e atuação em todas as etapas de gestão de rejeitos. Segundo o CEO, o time é multidisciplinar, incluindo engenheiros civis, geotécnicos e mecânicos, especialistas em projetos, construção e operação remota, além de profissionais que atuaram em grandes obras de hidrelétricas no Brasil nas últimas duas décadas.
Atualmente, a empresa executa diversas obras de adequação estrutural, abrangendo melhorias em sistemas hidráulicos e geotécnicos de barragens e diques, para adequá-los à legislação vigente. “Estamos em municípios como Mariana, Barão de Cocais e Itabira, com projetos voltados à elevação dos fatores de segurança, aumento do tempo de recorrência hidrológica e outras exigências legais”, conclui o CEO.
