Na noite de 27 de outubro, Raul Jungmann, presidente do IBRAM – Instituto Brasileiro de Mineração -, abriu oficialmente a Exposibram 2025, que segue até o dia 30 de outubro no Centro de Convenções de Salvador, na capital da Bahia. “Estamos vivendo um renascimento do setor mineral para a geopolítica do mundo. O futuro estendeu a mão para a mineração. Não há a menor chance de passarmos a um futuro livre de combustíveis fósseis sem os minerais críticos e estratégicos”, afirmou o executivo.
Segundo ele é preciso aproveitar o momento favorável, inclusive para solucionar problemas que limitam um maior desenvolvimento da atividade no Brasil. Um deles, o deficitário mapeamento geológico do país que, hoje, cobre apenas 27% do território nacional. Outro é o necessário e tantas vezes adiado debate sobre a regulação do setor e seu licenciamento ambiental. “Não pedimos um licenciamento menos rigoroso, mas sim mais ágil. A demora de até 7 anos para obtenção de uma licença ambiental destrói o capital de investimento”, afirmou.
Para o presidente do IBRAM, há ainda outros dois gargalos que precisam ser discutidos: a criação de mecanismos de fomento ao setor e a estruturação de uma política mineral abrangente. No primeiro caso, ele lembra que enquanto somente quatro mineradoras estão listadas na B3, bolsa brasileira de valores, só a TSX, bolsa canadense, conta com 42 empresas do segmento em operação no Brasil, que abriram seu capital naquele país. No segundo caso, Jungmann elogie a instalação do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), ligado ao governo federal e instalado recentemente, em outubro deste ano, assim como o projeto de lei de criação de uma política para minerais críticos e estratégicos, que tramita em regime de urgência no Congresso Nacional. Mas pondera que é necessário dar um “rumo” ao setor: “Queremos uma política para que contemple todos os minerais e não apenas os MCEs”.
Escolha estratégica
A cerimônia de abertura do evento contou com a presença de autoridades públicas, como o governador da Bahia Jerônimo Rodrigues, o presidente da Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM), Henrique Carballal, a secretária de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SGM), Ana Paula Lima Vieira Bittencourt, o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Sousa, os deputados federais Arnaldo Jardim e Greyce Elias, da Frente Parlamentar de Mineração, e o presidente da FIEBA (Federação das Indústrias da Bahia), Carlos Henrique Passos, entre outros.
Durante o discurso de abertura, Jungmann também agradeceu o apoio do governo da Bahia, fundamental para que a Exposibram 2025 fosse viabilizada no estado. Durante o evento, ele receberá o título de “Cidadão Baiano”. Para o auditório lotado, a grande surpresa da noite foram as apresentações do grupo Filhos de Gandhy e da banda Didá. A banda cantou o Hino Nacional e Hino da Bahia.
A fala de Jungmann foi precedida pela de Ana Sanchez, presidente do Conselho do IBRAM e CEO da Anglo American Brasil. “A união é o fator principal na construção da mineração que queremos: mais responsável, mais sustentável e mais envolvida com as comunidades”, disse a executiva, referindo-se à crescente importância da Exposibram a cada ano, com participação cada vez maior de empresas, fornecedores, estudiosos e representantes de órgãos públicos.
Também falando dos MCEs, Ana Sanchez falou que essa pauta trouxe protagonismo à mineração e que é preciso celebrar a contribuição do setor à sociedade, agora e no futuro. Em contrapartida, para não perder essa oportunidade, a CEO destaca que o Brasil precisa se posicionar como um fornecedor confiável, sustentável e competitivo frente a outros players globais. Nesse contexto lembrou o enorme potencial geológico e a expansão de sua atividade mineral da Região Nordeste, em particular na Bahia. “A escolha da Bahia como sede da Exposibram 2025 não é apenas simbólica, como é estratégica. Trata-se do terceiro maior produtor mineral do país, possuindo 47 substâncias minerais conhecidas e 200 municípios mineradores. Além disso, é o único produtor de vanádio, urânio e níquel sulfetado das Américas e o estado que, através da CBPM, mais investe em pesquisa mineral”, justificou.
