A Anglo American e a Teck Resources anunciaram, hoje (09 de setembro) a fusão das duas empresas para formar o grupo Anglo Teck, com sede no Canadá. A nova companhia deterá um portfólio que inclui seis ativos de cobre de classe mundial, além de negócios de minério de ferro e zinco premium de alta qualidade, e deve manter a orientação de investimento em nutrientes agrícolas. A Anglo Tek terá Sheila Murray como presidente, Duncan Wanblad como CEO, Jonathan Price como Vice-CEO e John Heasley como CFO.
“Estamos desbloqueando valor excepcional tanto no curto quanto no longo prazo – formando uma empresa global campeã em minerais críticos com o foco, a agilidade, as capacidades e a cultura que caracterizam ambas as empresas há tanto tempo. Tendo alcançado um progresso tão significativo com a transformação do portfólio da Anglo American, que já agregou valor substancial para nossos acionistas no último ano, agora é o momento ideal para dar este próximo passo estratégico para acelerar nosso crescimento”, afirmou o CEO da Anglo American, Duncan Wanblad.
Para Jonathan Price, CEO da Teck Resources, a fusão de dois portfólios altamente complementares criará uma empresa líder global em minerais críticos com sede no Canadá – uma das cinco maiores produtoras globais de cobre, com ativos excepcionais de mineração e processamento localizados no Canadá, Estados Unidos, América Latina e África Austral. “É uma progressão natural da nossa estratégia e simplificação de portfólio, que criou uma plataforma para possibilitar exatamente esse tipo de transação transformadora. A união de nossos ativos de cobre de classe mundial, operações premium de minério de ferro e zinco e um excelente pipeline de projetos de crescimento de alta qualidade proporciona enorme resiliência e opcionalidade, posicionando a Anglo Teck para gerar valor sustentável e de longo prazo para acionistas e todas as partes interessadas”, acredita o executivo.

“Estamos muito felizes com esta parceria, confiantes de que estamos iniciando um novo momento na mineração global. O Brasil ocupa um lugar relevante e estratégico nesta fusão. Acreditamos que podemos potencializar nossos resultados com as experiências de ambas as empresas. Seguimos comprometidos com a segurança de nossas operações, com o bem-estar das comunidades e com o diálogo contínuo e transparente com todos os públicos com os quais nos relacionamos. Nossas operações são referência em inovação, sustentabilidade e performance e esta fusão nos dará ainda mais força para acelerar investimentos e ampliar nossa contribuição para o desenvolvimento do país”, afirma Ana Sanches, presidente da Anglo American no Brasil.
Após a conclusão da fusão, os acionistas da Anglo American e da Teck deterão aproximadamente 62,4% e 37,6%, respectivamente, da Anglo Teck.
Operações
O grupo recém-criado será um dos cinco maiores produtores globais de cobre, com uma produção anual combinada de cerca de 1,2 Mt, com expectativa de crescimento de aproximadamente 10% para cerca de 1,35 Mt em 2027. A estimativa se baseia na operação das minas chilenas Collahuasi (245,8 mtpa), onde a Anglo Tech terá participação de 44%; Quebrada Blanca (207,8 mtpa e 60% de participação), Los Bronces (172,4 mtpa e participação de 50,1%); das minas peruanas Quellaveco (306,3 mtpa e participação de 60%) e Antamina (96,1 mtpa e participação de 22,5%); e da mina canadense Highland Valley Copper (102,4 mtpa e 100% de participação).
Ao cobre, soma-se a produção de 61 Mtpa de minério de ferro premium proveniente dos ativos localizados no Brasil (Minas-Rio) e na África do Sul, e a produção de zinco da mina de classe mundial Red Dog, no Alasca, e de uma das maiores operações atualmente existentes de fundição e refino de zinco e chumbo, na Trail Operations, sediada na Colúmbia Britânica, no Canadá. Está mantido o plano em curso da Anglo American de vender ou desmembrar sua participação na produtora de diamantes De Beers e de concluir a alienação dos negócios de carvão e níquel.
Projetos
Entre as estratégias de crescimento de curto prazo planejadas pela Anglo Teck está o uso da infraestrutura de Quebrada Blanca para processar o minério de alto teor extraído em Collahuasi, aproveitando a proximidade das duas minas, o que deverá proporcionar um incremento da ordem de 175 mtpa na produção atual de cobre do grupo, entre 2030 e 2049. Também aproveitando as operações adjacentes das minas Los Bronces e Andina, a Anglo Teck quer desenvolver com a Codelco, operadora de Andina, um plano conjunto de mineração, que poderá desbloquear uma produção adicional de 2,7 Mt de cobre após 2030.
Ainda em cobre, o grupo conta a combinação de projetos brownfield e greenfield no próprio Chile e no Canadá, Peru, México, Estados Unidos e Finlândia. Entre eles estão os projetos Galore Creek e Schaft Creek no noroeste da Colúmbia Britânica, Canadá; Zafranal no Peru; San Nicolas no México; NuevaUnión no Chile, NewRange nos EUA; e Sakatti na Finlândia.
A Anglo Teck também pretende aumentar sua produção de minério de ferro, em especial com o desenvolvimento do projeto Serpentina, adquirido da Vale em 2024, adjacente ao Minas-Rio. Outra frente para ampliar a oferta de minério de ferro premium é o emprego da tecnologia UHDMS (Ultra High Dense Media Separation), desenvolvida pela Kumba Iron Ore, controlada pela Anglo South Africa (69,7% de participação), na África do Sul, que estenderá a vida útil da mina de Sishen, com menor impacto ambiental.
No segmento de nutrientes agrícola, a Anglo Teck continuará a desenvolver o projeto Woodsmith no Reino Unido, buscando parceiros de investimento ou estratégicos para alavancar a implantação da mina. A produção de germânio e outros minerais críticos, na unidade metalúrgica da Trail Operations, também será intensificada, priorizando o minério extraído em minas canadenses, com um aporte de CAD$ 300 milhões durante cinco anos em exploração mineral, inovação e desenvolvimento de tecnologias específicas para minerais críticos. Outro investimento de vulto no país somará cerca de CAD$ 4,5 bilhões, ao longo de cinco anos, para extensão da vida útil da mina de cobre Highland Valley.
A Anglo Tech também se comprometeu a continuar a apoiar e a firmar parcerias com o setor de mineração júnior canadense, investigando a aplicação de uma gama de abordagens modernas de geociências e dados em oportunidades de exploração mineral, incluindo IA (Inteligência Artificial) Esse se apoio se estenderá a todas as áreas de atuação do grupo, em particupar na África do Sul e no sul da África, através de contribuições financeiras para o Fundo de Exploração de Mineração Júnior da África do Sul, em parceria com a Corporação de Desenvolvimento Industrial da África do Sul e o Departamento Sul-Africano de Recursos Minerais e Petrolíferos, que busca auxiliar mineradores júnior qualificados a realizar trabalhos de prospecção.
