O OURO DO SERIDÓ EM ROTA INTERNACIONAL

O OURO DO SERIDÓ EM ROTA INTERNACIONAL

A mina de ouro Borborema, da Aura Minerals, entrou em processo de ramp up de sua produção em março de 2025 e deve chegar ao final do ano com um resultado variando entre 33 e 40 mil oz de ouro, alavancada pelo alcance de sua capacidade plena neste terceiro trimestre. Com vida útil de 11,3 anos e produção anual média de 83 mil oz/ano durante os três primeiros anos de operação – a segunda maior entre as registradas pelos cinco ativos da mineradora canadense -, o empreendimento está situado a 30 km de Currais Novos, cidade da região do Seridó, no Rio Grande do Norte (RN).

Projetada para ser uma das minas de menor custo operacional da Aura, Borborema é uma mina de ouro a céu aberto, que teve seu Relatório Técnico do Estudo de Viabilidade apresentado em outubro de 2023 e pode alcançar uma produção ainda maior que as 748 mil oz estimadas pela análise, ao longo de sua atividade. A perspectiva se baseia nas mais de 2 Moz de ouro de recursos minerais indicados contidas no depósito mineral.

Currais Novos-reservas
Reservas minerais podem ser ampliadas com realocação da rodovia RN-85

Parte significativa desse volume pode ser convertida em Reservas Minerais adicionais às já declaradas, com a realocação da rodovia RN-85, que corta a jazida, o que permitiria a otimização da cava. A autorização para essa intervenção já foi submetida aos órgãos estaduais competentes. Atualmente, a mina emprega quase 2.200 trabalhadores diretos e indiretos, 68% deles contratados na comunidade local.

Histórico

A área total do projeto Borborema compreende três concessões de mineração totalizando 2.907,2 ha. Apesar dos trabalhos realizados por várias empresas no local, sua exploração sistemática foi executada principalmente pela junior australiana Crusader Resources e, posteriormente, pela Big River Gold, também da Austrália.

A Crusader manteve perfurações consistentes entre agosto de 2010 e o final de 2012, incluindo 1.235 m em 10 furos de perfuração diamantada para um estudo metalúrgico. Em meados de 2019, a Crusader foi retirada da ASX (bolsa de valores australiana) e, após reestruturação corporativa, redução de pessoal e alienação de ativos não essenciais, voltou a ser listada como Big River Gold, focada em seu principal ativo, o Projeto de Ouro Borborema. Ainda em 2019, no mês de novembro, a empresa publicou um Estudo de Viabilidade Definitivo (DFS), onde demonstrava que o projeto poderia ser economicamente desenvolvido para minerar 20 Mt de reservas de minério de ouro, com recuperação média de 72.564 oz/ano de ouro, durante 10 anos.A operação foi estimada para produzir 2 Mtpa de minério a um custo de capital de US$ 99,3 M, atualizado em 2020, após alterações do design da mina, para US$ 101 M.

No final de 2021 e início de 2022, a Big River perfurou 13 furos adicionais para comprovar a extensão descendente do corpo de minério. Os resultados desse trabalho, divulgados em julho de 2022, indicaram que os furos interceptaram classificações elevadas em zonas projetadas de mineralização a 100 m de profundidade em relação à mineralização conhecida e ao longo de 1,2 km de extensão. Em abril de 2022, foi anunciada a aquisição da empresa por uma joint venture formada pela Aura (80% de participação) e pela Dundee Resources (20%). Sob a nova direção, foi realizada a modelagem geofísica regional e prosseguiu a exploração mineral no projeto. No Estudo de Viabilidade foram apontadas Reservas Minerais Prováveis de 22,4 Mt, com teor de 1,12 g/t Au.

Antes que expirasse a validade da Licença de Instalação (LI) do projeto, em 15/04/2023, uma nova licença foi solicitada pela Aura ao IDEMA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e e Meio Ambiente do estado). O documento foi emitido em 02/03/2023, com validade de cinco anos. A Licença de Operação (LO), requerida em outubro de 2024, foi emitida em fevereiro de 2025 e tem validade até 2031.

Mina Borborema
Vista aérea da mina, planta de beneficiamento e demais instalações

Lavra

Em Borborema, o minério intemperizado é desmontado por três escavadeiras de 4,4 m³ em bancadas com 20 m de altura (total de 5 bancadas e profundidade de 100 m) e transportado por 24 caminhões rodoviários de 40 t até a plataforma de minério bruto (ROM), a pilha de material de baixo teor, a pilha de minério oxidado ou instalações de armazenamento de rocha estéril (WRSF). O material de transição é levemente detonado para ser escavado e a rocha fresca é detonada em bancadas de 5 m para o domínio do minério e 10 m para o domínio do estéril.

O layout da mina é composto por duas cavas a céu aberto independentes – Principal e Sul; duas instalações de armazenamento de WRSF; por uma pilha de minério de baixo teor próxima à plataforma ROM e à britagem e por uma pilha de minério oxidado (proporção máxima na planta de 10%). O minério de baixo teor servirá para aumentar o teor de alimentação do beneficiamento nos anos iniciais da operação. A movimentação total de material é de cerca de 14 Mtpa.

A perfuração para desmontes está a cargo de 5 perfuratrizes rotativas dd 5” e a movimentação de material nos depósitos WRSF, nas pilhas e plataforma ROM é feita por 3 carregadeiras de rodas. Completam a frota de 70 máquinas, os equipamentos auxiliares – 3 tratores de esteira de 325 HP, 2 motoniveladoras, 1 escavadeira de 2,1 m³, 1 carregadeira de rodas de 4,4 m³, 1 rompedor hidráulico, 9 torres de iluminação e 10 pick-ups.

Equipe de funcionários da Aura Borborema
Equipe de funcionários da Aura Borborema

Beneficiamento

O projeto da planta de beneficiamento é baseado em uma alimentação nominal de 2 Mtpa de minério, assumindo uma disponibilidade das plantas de britagem de 75% e de moagem e CIL (carbono em lixiviação) de 90%. A britagem de mandíbulas primária de estágio único reduz o minério para um tamanho com 80% de passagem (P80) em 92 mm, produzindo 304 tph. O material segue por uma correia transportadora que alimenta uma tremonha de compensação com capacidade para 500 t. A recuperação do minério dessa tremonha se dá por alimentadores vibratórios, sendo que o excesso de minério britado é armazenado numa pilha de emergência (até cerca de 12 mil t) e movimentado por uma carregadeira. Outra correia transportadora transfere o minério britado para a moagem SAG (semi-autógena), que opera em estágio único e circuito fechado com cinco hidrociclones e taxa de alimentação de 254 tph, produzindo um material P80<106 μm.

Após os testes metalúrgicos confirmarem a presença de ouro grosseiro na alimentação, um circuito de gravimetria e lixiviação intensiva absorverá 30% da carga circulante para a concentração de ouro por gravidade. O circuito é formado por um tanque de lixiviação e por seis tanques contendo carvão ativado lixiviado (CIL), projetado para atingir 92,1% de recuperação de ouro com teores de rejeitos consistentemente baixos. O tempo de residência nos tanques é de 30 h, com densidade de sólidos de 35% p/p. O ar atmosférico será borbulhado para manter um nível adequado de oxigênio dissolvido para lixiviação nos tanques CIL.

Um circuito de eluição do tipo Zadra sob Pressão (ZP), com duas colunas, uma para a lavagem ácida do carvão e a outra para a eluição deste carvão impregnado, foi dimensionado para tratar seis t de carvão carregado com base no teor metálico da alimentação e recuperação da extração de ouro. Há duas células de eletroextração, uma dedicada ao circuito de gravimetria e a outra ao circuito CIL.

Para a eliminação do cianeto foi selecionado o sistema Ar/SO2. O processo ocorre após a polpa de rejeitos ser submetida a espessamento para recuperação de água contendo cianeto e diminuir o consumo de reagentes. Subsequentemente, essa polpa neutralizada é novamente espessada para recuperar a água livre de cianeto e para adequação à filtragem. Com uma maior percentagem de sólidos na polpa de rejeitos, a eficiência do sistema de filtragem é otimizada para a obtenção de rejeitos secos ou com baixa umidade (20%). Após essa etapa, o material é disposto por um transportador para formar uma pilha em forma de feijão e, a partir daí, será recuperado por uma carregadeira e transportado por caminhão basculante para disposição partilhada com a lixeira de resíduos da mina.

A mina possui, ainda, duas lagoas, uma para água bruta, com capacidade de 5.300 m3, e a outra para água reciclada sem cianeto, com capacidade de 3.000 m3. A água reciclada do transbordo do espessador de rejeitos é direcionada para um tanque de passagem e completamente reciclada num circuito fechado com a moagem. A lagoa de água bruta está equipada com um descarregador que permite que qualquer excesso de água transborde para a lagoa de água de processo sem cianeto. O descarregador foi projetado para proteger o sistema de água e o fluxo só ocorrerá durante períodos de emergência. As bombas de água do processo de cianeto retiram água do tanque de desvio para servir o moinho SAG e as peneiras de resíduos, de recuperação de carbono carregado e de segurança de carbono. A água e o filtrado do espessador de desintoxicação atenderão à lavagem ácida, eluição, preparação de reagentes e serviços. Para complementar o balanço hídrico da fábrica, a água reservada no dique de finos na estação chuvosa será recolhida e incorporada como água bruta.

Foto em destaque: Localização da mina Borborema, em Currais Novos (RN)
Fotos: Aura Minerals/Divulgação

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