{"id":30574,"date":"2026-04-29T15:16:31","date_gmt":"2026-04-29T18:16:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/?p=30574"},"modified":"2026-04-29T15:31:19","modified_gmt":"2026-04-29T18:31:19","slug":"de-tecnico-em-mineracao-a-vice-presidente-executivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/de-tecnico-em-mineracao-a-vice-presidente-executivo\/","title":{"rendered":"DE T\u00c9CNICO EM MINERA\u00c7\u00c3O A VICE-PRESIDENTE EXECUTIVO"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 claro que, no caso de nosso entrevistado, ao conhecer sua trajet\u00f3ria profissional, poder\u00edamos simplesmente falar de meritocracia. Mas n\u00e3o s\u00f3. \u00c9 preciso falar tamb\u00e9m, e talvez primeiramente, de humildade, o mais inestim\u00e1vel dos valores, todos eles edificantes, que herdou de dona Izaltina, sua m\u00e3e. Segundo ele, ter e praticar a humildade nos faz enxergar nossas defici\u00eancias, o que nos permite aprender e crescer, pessoal e profissionalmente. Foi o que ele fez e \u00e9 o que continua fazendo.<\/p>\n<p>Primeiro t\u00e9cnico em minera\u00e7\u00e3o paraense a ser contratado pela Vale para a opera\u00e7\u00e3o de Caraj\u00e1s, o administrador, com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o Empresarial e de Qualidade e MBA em Recursos Humanos, soma mais de 40 anos de atua\u00e7\u00e3o \u2013 e \u201cmuito aprendizado\u201d &#8211; no setor mineral. Exerceu cargos de supervis\u00e3o, ger\u00eancia e dire\u00e7\u00e3o em um leque de \u00e1reas \u2013 na mina, em log\u00edstica, RH, rela\u00e7\u00f5es com comunidades, ESG e rela\u00e7\u00f5es internacionais, entre outras. Al\u00e9m da Vale, esteve na MRN (Minera\u00e7\u00e3o Rio do Norte) e na Norsk Hydro, produtoras de bauxita, indo para Minera\u00e7\u00e3o Taboca em 2014, tornando-se, \u00a0em janeiro de 2026, seu vice-presidente executivo.<\/p>\n<p>Em seus quase 12 anos de viv\u00eancia na Taboca, Alves passou por parte da gest\u00e3o da peruana Minsur e, agora, pela da CNMC \u2013 China Nonferrous Mining Corporation, que assumiu a empresa em abril de 2025. Mas discorre com muita propriedade tanto sobre o passado, quanto sobre o presente e, principalmente sobre o futuro da produtora de estanho, ni\u00f3bio e t\u00e2ntalo que, garante, entre 5 e 8 anos ser\u00e1 uma das cinco maiores mineradoras do Brasil.<\/p>\n<p>Nesta entrevista exclusiva \u00e0 <strong>In the Mine<\/strong>, Alves fala da exaust\u00e3o da cassiterita em aluvi\u00f5es, que levou ao desenvolvimento do projeto Rocha S\u00e3, de lavra em rocha gran\u00edtica, mudando todos os paradigmas de custo, produtividade e recupera\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio at\u00e9 ent\u00e3o vigentes. Fala tamb\u00e9m da import\u00e2ncia da Minsur em estabilizar as condi\u00e7\u00f5es operacionais da planta de beneficiamento e da chegada da CNMC, cujo investimento maci\u00e7o de US$ 100 milh\u00f5es nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos deve agregar tecnologias de ponta \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de mina, processamento e fundi\u00e7\u00e3o. O vice-presidente fala, ainda, de programas socioambientais, diversidade e inclus\u00e3o, da proposta de uma nova pol\u00edtica nacional para minerais cr\u00edticos estrat\u00e9gicos, da aventada cria\u00e7\u00e3o de uma estatal para o setor e dos desafios para agregar valor \u00e0 sua cadeia produtiva.<\/p>\n<p>A jovens profissionais de minera\u00e7\u00e3o recomenda o que afirma ser uma f\u00f3rmula inequ\u00edvoca de sucesso: gostar do que faz, interiorizar o conceito de sustentabilidade e gostar de pessoas. Pode parecer f\u00e1cil. S\u00f3 que n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Por favor, fa\u00e7a um breve hist\u00f3rico da Minera\u00e7\u00e3o Taboca at\u00e9 sua aquisi\u00e7\u00e3o pelo grupo peruano Minsur em 2008.<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>A Minera\u00e7\u00e3o Taboca foi fundada em 1969, quando foram descobertas as ocorr\u00eancias de cassiterita na regi\u00e3o de Pitinga, em Presidente Figueiredo, munic\u00edpio localizado a cerca de 350 km de Manaus, capital do Amazonas. Naquela \u00e9poca, a mineradora pertencia ao grupo Paranapanema, ent\u00e3o uma grande empresa brasileira. O min\u00e9rio era extra\u00eddo pelo m\u00e9todo aluvionar, com uso de dragas em rios da regi\u00e3o, para posterior transforma\u00e7\u00e3o em estanho. O boom de estanho no mercado mundial, resultado dessa produ\u00e7\u00e3o, chegou a derrubar a bolsa de Londres (LME) naquele momento. Foi uma opera\u00e7\u00e3o que posicionou o Brasil como maior produtor mundial de estanho, transformando a Taboca em um grande player global durante muitos anos, at\u00e9 2008, quando ocorreu sua venda para o grupo peruano Minsur. Hoje, a empresa permanece sendo a \u00fanica mineradora de grande porte do estado do Amazonas.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Como era realizado o beneficiamento do min\u00e9rio extra\u00eddo de aluvi\u00f5es?<\/p>\n<p><strong>Alves:<\/strong> O processo era similar ao realizado atualmente, apenas de forma um pouco rudimentar. N\u00e3o havia britagem, j\u00e1 que o produto era aluvionar, mas t\u00ednhamos moagem, peneiramento e flota\u00e7\u00e3o, resultando em uma cassiterita mais limpa para envio \u00e0 nossa fundi\u00e7\u00e3o em Pirapora, no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Durante a gest\u00e3o da Minsur, a partir de 2008, houve uma estagna\u00e7\u00e3o dos investimentos na mineradora?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>Eu diria que houve um momento de transi\u00e7\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o aluvionar, em que o min\u00e9rio est\u00e1 \u201csolto\u201d na natureza e, uma vez coletado, segue diretamente para processamento. Esse min\u00e9rio aluvionar se exaure em 2006, quando partimos para o projeto Rocha S\u00e3, lavra em rocha gran\u00edtica, a partir de seu desmonte com explosivos e carregamento por escavadeiras em caminh\u00f5es at\u00e9 o circuito de britagem, passando \u00e0s etapas que j\u00e1 existiam na planta. Esse novo processo tem um custo muito mais elevado que o anterior pelo aumento do n\u00famero de equipamentos, do consumo de energia el\u00e9trica e da equipe operacional. Al\u00e9m disso, o min\u00e9rio aluvionar possu\u00eda um teor muito elevado, ao contr\u00e1rio do extra\u00eddo da Rocha S\u00e3, que \u00e9 muito menor, o que tamb\u00e9m reduziu a recupera\u00e7\u00e3o de cassiterita. Ou seja, a situa\u00e7\u00e3o mudou radicalmente.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>E isso ocorreu por ocasi\u00e3o da venda para a Minsur?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>Exatamente. Assim, quando a Minsur assume a opera\u00e7\u00e3o, ela precisa estabilizar todo o processo produtivo. Alcan\u00e7ada essa estabilidade, foi poss\u00edvel passar a implementar as melhorias necess\u00e1rias na planta. No final de 2014, quando cheguei aqui, houve uma reestrutura\u00e7\u00e3o da diretoria da mineradora. A partir de ent\u00e3o, foi iniciado o desenvolvimento de um trabalho que visava colocar Pitinga, novamente, em um patamar competitivo. \u00c9 uma \u00e9poca de investimentos significativos, que resultaram no aumento da produ\u00e7\u00e3o, por exemplo. Foi nesse momento, tamb\u00e9m, que passamos a produzir as ligas de ferroni\u00f3bio e de ferro-t\u00e2ntalo, criando um portf\u00f3lio de produtos para al\u00e9m do estanho. Foi quando, inclusive, conquistamos as certifica\u00e7\u00f5es ISO 9000 (Qualidade), ISO 14000 (Sustentabilidade) e ISO 45000 (Sa\u00fade e Seguran\u00e7a Ocupacional). Dessa forma, a Minsur teve um papel extremamente relevante na vida da Taboca, o que perdurou at\u00e9 2025, quando houve a venda para a CNMC (China Nonferrous Mining Corporation).<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Faltou comunica\u00e7\u00e3o ent\u00e3o para divulgar essas realiza\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>Creio que sim. At\u00e9 porque a Minsur pertence ao Grupo Breca, um grande conglomerado familiar peruano, extremamente low profile, que recomendava fortemente muito pouca exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00eddia. Para n\u00f3s, enquanto gestores executivos, essa orienta\u00e7\u00e3o corporativa n\u00e3o era razo\u00e1vel por nos fazer perder atratividade para contratar funcion\u00e1rios qualificados para a empresa. Mas n\u00e3o t\u00ednhamos poder para mudar essa orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Em 2024, ocorre a aquisi\u00e7\u00e3o da empresa pela CNMC. Por que s\u00f3 agora, passado mais de um ano, \u00e9 anunciado um plano de neg\u00f3cios?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>Antes de falar dessa aquisi\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante entender o contexto que t\u00ednhamos na Taboca. Com o aumento dos custos e a redu\u00e7\u00e3o dos teores, a partir da lavra em rocha gran\u00edtica, ficou muito claro para a Minsur que apenas a produ\u00e7\u00e3o de estanho n\u00e3o viabilizaria um crescimento importante do neg\u00f3cio. Era preciso acrescentar produtos com maior valor agregado. Ocorre que o ni\u00f3bio e o t\u00e2ntalo, sendo minerais especiais, requerem tecnologia para seu processamento, o que exige conhecimento. A Minsur conhece muito de estanho, mas n\u00e3o tanto de ni\u00f3bio e t\u00e2ntalo. Tampouco possui tecnologia ou capacidade de investimento para benefici\u00e1-los. Ent\u00e3o, a melhor coisa que poderia ter nos acontecido foi a chegada dos chineses. Digo isso com muita tranquilidade, porque, al\u00e9m da capacidade de investimento, a CNMC possui tecnologia de ponta e conhece muito, tanto de ni\u00f3bio quanto de t\u00e2ntalo.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Entendi. Mas o que houve entre 2024 e o an\u00fancio do plano de neg\u00f3cios?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>Bem, primeiramente, em 2024 foi assinado apenas um termo de compromisso de compra e venda. O neg\u00f3cio foi efetivamente fechado somente em 02 de abril de 2025, quando a CNMC assume a Taboca. Ent\u00e3o, apresentamos nosso portf\u00f3lio a um corpo t\u00e9cnico trazido por ela. A pr\u00f3xima etapa foi a realiza\u00e7\u00e3o de um trabalho conjunto das duas equipes, a nossa e a deles, para redefinir o planejamento da empresa, com base no que t\u00ednhamos e no que eles buscavam, o que culminou no an\u00fancio recente de um investimento de US$ 100 milh\u00f5es, entre 2026 e 2028. Foram 10 meses, um tempo muito curto, eu lhe asseguro, para a decis\u00e3o de bancar um volume t\u00e3o grande de recursos.<\/p>\n<p><strong>ITM: \u00a0<\/strong>Qual parcela desse investimento ser\u00e1 aplicada em Pitinga?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>Pitinga, obviamente, receber\u00e1 o maior valor. S\u00e3o US$ 25 milh\u00f5es em pesquisa e explora\u00e7\u00e3o. Parte ser\u00e1 destinada a uma pesquisa detalhada da atual cava da mina e das \u00e1reas em seu entorno, com mais furos de sondagem, visando uma melhor composi\u00e7\u00e3o dos teores para obtermos o m\u00e1ximo de aproveitamento do corpo mineral. Outra parcela ir\u00e1 para a pesquisa de nossos rejeitos, de forma a reaproveitar o que for poss\u00edvel, dentro do conceito de economia circular, que integra a minera\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel. E uma terceira parcela ir\u00e1 para a explora\u00e7\u00e3o mineral de um novo alvo, chamado \u00c1gua Boa, tamb\u00e9m de rocha gran\u00edtica, que ser\u00e1 nossa expans\u00e3o para uma opera\u00e7\u00e3o futura, al\u00e9m do alvo Madeira, atualmente em lavra.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>ITM: <\/strong>E os recursos restantes?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>Teremos US$ 20 milh\u00f5es para moderniza\u00e7\u00e3o de todas as etapas da planta de beneficiamento, onde alguns equipamentos ser\u00e3o substitu\u00eddos e outros ser\u00e3o automatizados para possibilitar o aumento de 10% da nossa produ\u00e7\u00e3o atual e de 10% de nossa taxa de recupera\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio. Tamb\u00e9m faremos algumas mudan\u00e7as estruturais nas instala\u00e7\u00f5es para que elas possam suportar a atualiza\u00e7\u00e3o dos equipamentos. Outros US$ 8 milh\u00f5es ser\u00e3o investidos na \u00e1rea de metalurgia de Pitinga, que produz o estanho e uma liga met\u00e1lica de ferro, t\u00e2ntalo e ni\u00f3bio, para aumento da capacidade de produ\u00e7\u00e3o de 6 mtpa para 10 mtpa. J\u00e1 a fundi\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo receber\u00e1 US$ 35 milh\u00f5es, para moderniza\u00e7\u00e3o, automa\u00e7\u00e3o e aumento da capacidade produtiva de 6 mtpa para 8 mtpa. Os US$ 12 milh\u00f5es restantes est\u00e3o destinados a ESG (\u00e1reas de governan\u00e7a, social e ambiental), para melhorias da infraestrutura ligada ao bem-estar dos nossos funcion\u00e1rios, maior monitoramento da flona e amplia\u00e7\u00e3o dos projetos sociais.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Ser\u00e1 um super upgrade, n\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>Sem qualquer demagogia e com muita convic\u00e7\u00e3o, posso afirmar que este \u00e9 um dos melhores momentos da hist\u00f3ria da Minera\u00e7\u00e3o Taboca. Entre 5 e 8 anos, certamente estaremos entre as cinco maiores empresas de minera\u00e7\u00e3o do Brasil. Inclusive, daqui a uns dois anos, falaremos de novos investimentos.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Voltando ao projeto Rocha S\u00e3, que foi um marco na hist\u00f3ria da Taboca, quais foram os benef\u00edcios e quais s\u00e3o os desafios desse tipo de lavra?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>O maior benef\u00edcio, independente do custo, foi ambiental. A lavra aluvionar \u00e9 itinerante, seguindo pelos rios da regi\u00e3o, enquanto a lavra na rocha s\u00e3 \u00e9 pontual, focada no local onde est\u00e1 o veio mineral. Em segundo lugar, temos o fato de Pitinga ser uma mina polimet\u00e1lica, com grande diversidade de min\u00e9rios, enquanto no aluvi\u00e3o s\u00f3 t\u00ednhamos a cassiterita. O terceiro benef\u00edcio \u00e9 que, a partir da pesquisa mineral na rocha s\u00e3, conseguimos realizar um planejamento de curto, m\u00e9dio e longo prazo, fundamental a toda mina que possui de 30 a 50 anos de vida \u00fatil. O desafio, sem d\u00favida, \u00e9 operar com a m\u00e1xima responsabilidade poss\u00edvel em uma regi\u00e3o ambientalmente sens\u00edvel e situados entre uma comunidade ind\u00edgena e uma reserva biol\u00f3gica. \u00c9 um desafio hora a hora, dia a dia, de segunda a segunda.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>H\u00e1 expectativa de ocorr\u00eancia de terras raras e outros minerais cr\u00edticos no alvo \u00c1gua Boa?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>Nosso foco, agora, \u00e9 investir em tecnologia para melhorar o teor do ni\u00f3bio e do t\u00e2ntalo que produzimos. No caso da pesquisa mineral, o objetivo \u00e9 buscar dois novos elementos qu\u00edmicos &#8211; zirc\u00f4nio e r\u00e1dio. N\u00e3o temos ainda uma rota de processo para esse beneficiamento, mas queremos saber se eles existem em nosso dep\u00f3sito, em qual quantidade e com que qualidade. Quanto \u00e0s terras raras, sabemos de sua presen\u00e7a, com boa qualidade e em grande quantidade, em nossos rejeitos, mas n\u00e3o \u00e9 nosso interesse neste momento. Nosso plano est\u00e1 centrado em nosso neg\u00f3cio atual. N\u00e3o precisamos e n\u00e3o queremos abra\u00e7ar o mundo com as m\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Como os produtos da Taboca est\u00e3o posicionados no mercado?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>Para o estanho temos cota\u00e7\u00f5es bem elevadas. A expectativa era de pre\u00e7os na faixa de US$ 30 a 35 mil\/t e est\u00e3o entre US$ 40 e 45 mil, devendo se manter nesse patamar em 2026 e, provavelmente, nos pr\u00f3ximos dois anos, segundo especialistas. J\u00e1 as ligas de ni\u00f3bio e t\u00e2ntalo que, ao contr\u00e1rio do estanho n\u00e3o tem pre\u00e7os ditados pela LME, a cota\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 bastante razo\u00e1vel, entre US$ 28 e 30 mil\/t, quando prev\u00edamos cerca de US$ 20 mil\/t. \u00c9 um cen\u00e1rio bastante positivo para a Taboca. Tudo o que produzimos, n\u00f3s vendemos, at\u00e9 por termos uma vantagem competitiva inigual\u00e1vel em nosso ni\u00f3bio e t\u00e2ntalo, que \u00e9 sua rastreabilidade. O que n\u00e3o ocorre, por exemplo, com o t\u00e2ntalo da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC), nosso grande concorrente. A pr\u00f3pria China est\u00e1 deixando de comprar esse t\u00e2ntalo devido aos problemas sociais e ambientais de sua produ\u00e7\u00e3o. A perda de mercado est\u00e1 fazendo com que a RDC comece a discutir a industrializa\u00e7\u00e3o do setor.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Os investimentos em Pitinga incluem a frota de equipamentos de lavra e transporte?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>N\u00f3s estamos em um processo de substitui\u00e7\u00e3o da frota de caminh\u00f5es rodovi\u00e1rios de 40 t por modelos off road de 70 t. Num primeiro momento, n\u00e3o ser\u00e3o ve\u00edculos aut\u00f4nomos nem el\u00e9tricos. Mas, em curto prazo, poderemos fazer ajustes para sua automa\u00e7\u00e3o ou opera\u00e7\u00e3o remota. No in\u00edcio de junho estarei na China para conhecer um pouco mais sobre essas tecnologias. Tamb\u00e9m estamos discutindo uma futura eletrifica\u00e7\u00e3o da frota.<\/p>\n<p><strong>ITM:<\/strong> Qual \u00e9 o quadro de pessoal da Taboca hoje, em termos quantitativos? Ele ser\u00e1 ampliado com os novos projetos?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>Atualmente, temos 3 mil funcion\u00e1rios em Pitinga, 1,4 mil diretos e 1,6 mil terceirizados. Em S\u00e3o Paulo, contando o escrit\u00f3rio em Alphaville e a fundi\u00e7\u00e3o em Pirapora, temos outros 500 funcion\u00e1rios. Durante o projeto de moderniza\u00e7\u00e3o, estimamos a cria\u00e7\u00e3o de 600 a 900 empregos, dependendo da etapa das obras. J\u00e1 para a futura opera\u00e7\u00e3o, prevemos a gera\u00e7\u00e3o de 100 a 150 novas vagas.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Mudando de tema, quais s\u00e3o as iniciativas de destaque na \u00e1rea de ESG?<\/p>\n<p><strong>Alves:<\/strong> Eu destaco quatro projetos. Um deles, ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (INPA), \u00e9 o de apoio \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do peixe-boi. O projeto atua na pesquisa, resgate e reabilita\u00e7\u00e3o de animais \u00f3rf\u00e3os ou feridos, com sua reintrodu\u00e7\u00e3o ao habitat natural, al\u00e9m de promover a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o ambiental, junto a comunidades ribeirinhas e escolas, conscientizando sobre a import\u00e2ncia da conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. O segundo projeto \u00e9 o viveiro de mudas nativas e frut\u00edferas que instalamos em Presidente Figueiredo em 2006. Desde ent\u00e3o, j\u00e1 doamos mais de um milh\u00e3o de mudas a agricultores e moradores da regi\u00e3o. Tamb\u00e9m fizemos um conv\u00eanio com a prefeitura da cidade para a cria\u00e7\u00e3o do Programa Menor Aprendiz. Contratamos jovens que atuam nos \u00f3rg\u00e3os municipais, j\u00e1 que seria invi\u00e1vel, pela dist\u00e2ncia, mant\u00ea-los em Pitinga. Muitos deles acabam empregados na pr\u00f3pria prefeitura. Por fim, estamos reestruturando nossa \u00e1rea de ESG e contratamos uma consultoria para realizar um diagn\u00f3stico da cidade e identificar suas principais fragilidades, servindo de base a programas e a\u00e7\u00f5es sociais focados nessas demandas.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Internamente, como \u00e9 a pol\u00edtica de diversidade e inclus\u00e3o da empresa?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>Em 2025, nos associamos \u00e0 Women in Mining, principalmente para aprender com outras associadas mais experientes sobre a quest\u00e3o de inclus\u00e3o feminina. Independente dessa iniciativa, sempre voltamos nossa aten\u00e7\u00e3o a esse tema e j\u00e1 alcan\u00e7amos bons resultados. Por exemplo, temos mulheres em todas as nossas ger\u00eancias e, dos oito membros de nosso corpo executivo, tr\u00eas s\u00e3o mulheres: a head de Recursos Humanos e Comunica\u00e7\u00e3o, a de Suprimento e Log\u00edstica e a de ESG. Al\u00e9m disso, 64% das nossas \u00e1reas operacionais contam com mulheres trabalhando. Falo em mulheres especificamente porque \u00e9 o indicador que tenho aqui. Mas precisamos, antes de mais nada, discutir abertamente com nossas lideran\u00e7as, em especial o staff, e com nossas opera\u00e7\u00f5es, o que \u00e9 diversidade sem qualquer r\u00f3tulo de g\u00eanero. O ideal \u00e9 que a op\u00e7\u00e3o de cada uma e cada um, seja qual for, seja respeitada.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Excelente. Agora, eu gostaria de perguntar qual \u00e9 sua avalia\u00e7\u00e3o sobre o PL 2780\/2024, que cria a nova Pol\u00edtica Nacional de Minerais Cr\u00edticos e Estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>De forma geral, eu entendo que esse projeto de lei \u00e9 necess\u00e1rio e se alinha \u00e0s tend\u00eancias globais e ao que outros pa\u00edses j\u00e1 fizeram ou est\u00e3o fazendo. \u00c9 um passo essencial para transformar efetivamente nossa vantagem geol\u00f3gica em vantagem econ\u00f4mica. Mas \u00e9 importante que ele estabele\u00e7a claramente as diretrizes dessa pol\u00edtica para dar seguran\u00e7a jur\u00eddica \u00e0s empresas. Creio que alguns detalhes devam ser mais bem avaliados, como o da facilita\u00e7\u00e3o do licenciamento ambiental. As facilidades precisam estar alinhadas \u00e0 responsabilidade, para n\u00e3o se transformarem em preju\u00edzos ambientais.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>E quanto \u00e0 proposta de cria\u00e7\u00e3o da Terrabras, nova estatal para gest\u00e3o do setor de minerais cr\u00edticos e estrat\u00e9gicos?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>Nesse caso, a Taboca adota o mesmo posicionamento do IBRAM \u2013 Instituto Brasileiro de Minera\u00e7\u00e3o, ao qual \u00e9 associada. Vemos essa proposta com muita preocupa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o quer dizer que discordamos a princ\u00edpio, mas que n\u00e3o vemos a opera\u00e7\u00e3o das minas como o maior problema do Brasil. O pa\u00eds carece de seguran\u00e7a jur\u00eddica, de tecnologia, de um parque industrial moderno, de log\u00edstica adequada, de m\u00e3o de obra especializada. \u00c9 com isso que o governo deveria se preocupar. At\u00e9 porque, n\u00e3o sairemos, em curto e m\u00e9dio prazo, da produ\u00e7\u00e3o de um concentrado mineral para o n\u00edvel em que a China se encontra. E, infelizmente, talvez nunca cheguemos a esse n\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Para concluir, quais s\u00e3o os principais desafios do pa\u00eds para desenvolver uma cadeia produtiva de minerais cr\u00edticos com maior valor agregado?<\/p>\n<p><strong>Alves: <\/strong>Al\u00e9m dos que j\u00e1 falei, acredito que seja fundamentalmente educa\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds precisa atuar simultaneamente em duas frentes: fortalecendo o ensino b\u00e1sico e incrementando o ensino superior, com cursos de mestrado e doutorado e centros de pesquisa. E vou citar novamente a estabilidade e seguran\u00e7a jur\u00eddica. Veja o caso da CNMC, que \u00e9 uma empresa de tecnologia de ponta. Ela precisa de seguran\u00e7a jur\u00eddica para transferir essa tecnologia para o Brasil e, assim, agilizar nosso processo de aprendizado. O governo deveria incentivar esse interc\u00e2mbio. Sei que \u00e9 bem dif\u00edcil, mas o ideal seria o pa\u00eds seguir por esses dois caminhos.<\/p>\n<h2><strong>Perfil<\/strong><\/h2>\n<h2><a href=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/jose-flavio-alves2-e1777486832489.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-30577 size-full\" src=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/jose-flavio-alves2-e1777486867121.jpg\" alt=\"jose-flavio-alves2\" width=\"607\" height=\"990\" srcset=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/jose-flavio-alves2-e1777486867121.jpg 607w, https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/jose-flavio-alves2-e1777486867121-184x300.jpg 184w\" sizes=\"auto, (max-width: 607px) 100vw, 607px\" \/><\/a><\/h2>\n<p><strong>Nasceu em: <\/strong>Tom\u00e9-A\u00e7u, no Par\u00e1, em 16\/02\/1964, uma cidade que foi colonizada por japoneses e, para mim, \u00e9 a capital do mundo<\/p>\n<p><strong>Mora em: <\/strong>Manaus (AM)<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica: <\/strong>T\u00e9cnico em minera\u00e7\u00e3o. Administrador. P\u00f3s-graduado em Gest\u00e3o Empresarial e em Gest\u00e3o de Qualidade. MBA C-Level em Recursos Humanos<\/p>\n<p><strong>Trajet\u00f3ria profissional: <\/strong>Comecei em 1983 como estagi\u00e1rio e, em 1984, fui o primeiro t\u00e9cnico em minera\u00e7\u00e3o do Par\u00e1 contratado pela Vale. J\u00e1 era supervisor de Equipamentos Mecanizados, quando fui para a MRN (Minera\u00e7\u00e3o Rio do Norte), em Porto Trombetas (PA), onde fiquei por 17 anos (1987-2004). Retornei \u00e0 Vale, primeiro em Caraj\u00e1s e depois em Paragominas (2004-2011). Mudei para a Norsk Hydro, que adquiriu a unidade de Paragominas e, em 2014, entrei para a Minera\u00e7\u00e3o Taboca. Exerci as diretorias de RH e Infraestrutura, RH, Sustentabilidade e Jur\u00eddico, ESG e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, sendo nomeado vice-presidente executivo em janeiro de 2026. E l\u00e1 se v\u00e3o 40 e poucos anos de vida e de incont\u00e1veis momentos de muito aprendizado<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia: <\/strong>Casado pela segunda vez. Do primeiro casamento tenho uma filha psic\u00f3loga. Do segundo, ganhei um filho que cursa Engenharia Mec\u00e2nica e tenho uma filha cursando Medicina<\/p>\n<p><strong>Um time de futebol: <\/strong>Sou s\u00e3o paulino. No Par\u00e1, remista<\/p>\n<p><strong>Um hobby: <\/strong>Andar de moto, com minha esposa na garupa. J\u00e1 fizemos grandes viagens pelo Brasil, Am\u00e9rica Latina e Europa. \u00c9 um momento de reflex\u00e3o e conex\u00e3o comigo mesmo. E de muita liberdade. Tamb\u00e9m fa\u00e7o academia, o que me d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o no dia a dia<\/p>\n<p><strong>Um mestre ou \u00eddolo: <\/strong>Minha m\u00e3e Izaltina Alves, uma pessoa muito simples que me transmitiu todos os valores que tenho, o maior deles, a humildade<\/p>\n<p><strong>Maior decep\u00e7\u00e3o: <\/strong>Errei muito na vida. Mas esses erros n\u00e3o viraram decep\u00e7\u00f5es e sim oportunidades de aprendizado<\/p>\n<p><strong>Maior realiza\u00e7\u00e3o: <\/strong>Minha trajet\u00f3ria profissional, minha fam\u00edlia e o reconhecimento de pessoas por algo que, segundo elas, fiz de bom h\u00e1 anos e que nem lembrava mais<\/p>\n<p><strong>Um projeto: <\/strong>Pessoal e profissional \u00e9 transformar a Taboca e, com ela, o estado do Amazonas<\/p>\n<p><strong>Um \u201cconselho\u201d a jovens profissionais da minera\u00e7\u00e3o: <\/strong>Meu conselho vai para profissionais de qualquer carreira. S\u00e3o tr\u00eas, na verdade: Goste do que faz, porque s\u00f3 assim ser\u00e1 bom no que faz. Seja \u201cverde\u201d, interiorizando a sustentabilidade em voc\u00ea. Por fim, goste de pessoas<\/p>\n<h5>Fotos: Minera\u00e7\u00e3o Taboca\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Fl\u00e1vio Alves, vice presidente executivo, fala da trajet\u00f3ria, projetos e as metas da Minera\u00e7\u00e3o Taboca, produtora de estanho, ni\u00f3bio e t\u00e2ntalo <\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":30575,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-30574","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-personalidade"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>DE T\u00c9CNICO EM MINERA\u00c7\u00c3O A VICE-PRESIDENTE EXECUTIVO - Revista In The Mine<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Jos\u00e9 Fl\u00e1vio Alves, vice presidente 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