{"id":29939,"date":"2026-02-26T10:19:11","date_gmt":"2026-02-26T13:19:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/?p=29939"},"modified":"2026-02-26T10:19:11","modified_gmt":"2026-02-26T13:19:11","slug":"uma-interlocutora-da-pls-na-construcao-do-projeto-colina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/uma-interlocutora-da-pls-na-construcao-do-projeto-colina\/","title":{"rendered":"UMA INTERLOCUTORA DA PLS NA CONSTRU\u00c7\u00c3O DO PROJETO COLINA"},"content":{"rendered":"<p>Formada em Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas pela Faculdade C\u00e1sper L\u00edbero em S\u00e3o Paulo, cidade onde nasceu e mora, nos intervalos da vida em voos, principalmente para Salinas, norte de Minas Gerais, e para a capital do estado, Belo Horizonte, ela decidiu entrar para a minera\u00e7\u00e3o h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos. Vinha de uma carreira de 18 anos muito bem-sucedida na Asea Brown Bovery (ABB), gigante das \u00e1reas de eletrifica\u00e7\u00e3o e automa\u00e7\u00e3o industrial. Foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na corpora\u00e7\u00e3o, chegando ao cargo de diretora de Comunica\u00e7\u00e3o e Marketing da empresa para a Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Embora a ABB tenha grandes clientes na \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o, a mudan\u00e7a de ares na vida da executiva representou uma guinada de 360 graus. Do escrit\u00f3rio refrigerado na capital paulista para a \u201ccapital mundial da cacha\u00e7a\u201d, como \u00e9 conhecida Salinas, munic\u00edpio situado no norte de Minas Gerais, de clima semi\u00e1rido, com temperaturas elevadas, pouco mais de 40 mil habitantes, produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e cujo nome foi derivado da antiga extra\u00e7\u00e3o de salgema, em meados do s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<p>E \u00e9 l\u00e1 que Marisa Cesar, diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da australiana PLS (ex-Pilbara Minerals), vem construindo o projeto de l\u00edtio Colina, junto a \u00f3rg\u00e3os regulamentadores e ambientais de governo, entidades do setor mineral e, principalmente, comunidades locais e origin\u00e1rias, como a do quilombo Olaria Bagres. Em paralelo, junto a outras produtoras de minerais cr\u00edticos, arquitetou a estrutura\u00e7\u00e3o de uma associa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para esse segmento, a AMC. Ao longo do tempo tornou-se, ainda, uma interlocutora respeitada junto ao Conselho Nacional de Pol\u00edtica Mineral (CNPM) e voz ativa nas discuss\u00f5es da nova Pol\u00edtica Nacional de Minerais Cr\u00edticos e Estrat\u00e9gicos (PNMCE), em elabora\u00e7\u00e3o pelo Congresso Nacional e sob relatoria do deputado federal Arnaldo Jardim.<\/p>\n<p>\u00c9 desses temas, al\u00e9m do projeto Colina, que Marisa fala nesta entrevista exclusiva \u00e0 <strong>In the Mine<\/strong>. Com um vi\u00e9s humanista e uma percep\u00e7\u00e3o transversal, que cruza e transcende o eixo principal de seu trabalho em uma mineradora. Sempre buscando um olhar diversificado que, al\u00e9m da capacita\u00e7\u00e3o, estudo e aten\u00e7\u00e3o, recomenda a jovens formandos de sua \u00e1rea, sem deixar de lembr\u00e1-los que a ambi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um requisito para o crescimento profissional. Ou seja, acreditar na possibilidade de evoluir para alcan\u00e7ar um objetivo maior.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Para situar nossos leitores, eu gostaria que a senhora nos falasse sobre o projeto Colina, da Pilbara Minerals, fazendo um hist\u00f3rico desde seu in\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>O projeto Colina nasceu em 2019 e teve sua explora\u00e7\u00e3o mineral iniciada pelos ge\u00f3logos Pedro Fonseca e Rodrigo Menezes. Em 2020 tivemos a pandemia de Covid-19 e, em 2021, come\u00e7am a ser ampliados o quantitativo de recursos. A Latin Resources, propriet\u00e1ria do projeto \u00e0 \u00e9poca, atrav\u00e9s de sua subsidi\u00e1ria brasileira Belo Lithium, decidiu agregar novos investidores ao projeto. No entanto, diferente de outras junior companies que estruturaram off-takes ou receberam recursos de fundos financeiros, ela foi adquirida pela Pilbara Minerals, conforme an\u00fancio divulgado em 14 de agosto de 2024, por cerca de US$ 370 milh\u00f5es. Foi quando a Pilbara decidiu alterar seu nome, derivado da regi\u00e3o onde opera sua mina, na Austr\u00e1lia, j\u00e1 que passaria a operar tamb\u00e9m na Am\u00e9rica do Sul, para PLS Group, aproveitando parte do ticker ou da sigla PLS, que identifica a empresa na bolsa daquele pa\u00eds. \u00c9 o mesmo conceito posteriormente aplicado na mudan\u00e7a do nome do projeto de Salinas, cidade pr\u00f3xima \u00e0 jazida, em Minas Gerais, para Colina. A aquisi\u00e7\u00e3o foi conclu\u00edda em fevereiro de 2025. Quase todos os funcion\u00e1rios da Belo Lithium foram mantidos, com ajustes m\u00ednimos em termos de filosofia organizacional j\u00e1 que os valores e a cultura das duas empresas eram praticamente os mesmos.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Nessa \u00e9poca, o projeto j\u00e1 estava licenciado?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>N\u00f3s recebemos a Licen\u00e7a Ambiental Concomitante 2 (LAC 2), que engloba a Licen\u00e7a Pr\u00e9via (LP) e a Licen\u00e7a de Instala\u00e7\u00e3o (LI), para a primeira fase do projeto quase na mesma \u00e9poca, em 28 de fevereiro de 2025, ap\u00f3s somente 13 meses de an\u00e1lise do processo, um prazo recorde em licenciamentos n\u00e3o s\u00f3 em Minas Gerais como no Brasil. Isso porque, como definido pelo governador do estado, Romeu Zema, os projetos relacionados a minerais cr\u00edticos t\u00eam tramita\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria. Mas n\u00e3o s\u00f3. Buscamos, ainda enquanto Latin Resources e depois como PLS, antecipar todos os estudos que poderiam ser demandados pelos \u00f3rg\u00e3os ambientais. Incluindo a interface com as comunidades locais, por exemplo, com a comunidade quilombola Olaria Bagres, onde realizamos a consulta pr\u00e9via livre e informada dos moradores, explicando o projeto com absoluta transpar\u00eancia. Assim, obtivemos um ganho muito significativo de tempo.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>E qual \u00e9 a fase atual do projeto?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Ap\u00f3s o licenciamento, iniciamos uma etapa de olhar para a engenharia que havia sido desenhada para o projeto e avaliar se ela realmente fazia sentido, sob a \u00f3tica e considerando a expertise da PLS na produ\u00e7\u00e3o de l\u00edtio. Os ajustes desse desenho est\u00e3o sendo finalizados e devem ser conclu\u00eddos at\u00e9 meados de mar\u00e7o de 2026. Al\u00e9m desses ajustes, temos interven\u00e7\u00f5es que precisam ser realizadas na localidade e que antecedem a implanta\u00e7\u00e3o do empreendimento. \u00c9 o caso, por exemplo, da amplia\u00e7\u00e3o e melhorias em uma estrada vicinal que liga a \u00e1rea pr\u00f3xima \u00e0 mina \u00e0 rodovia Salinas\/Pedra Azul (BR-251), necess\u00e1rias tanto para a etapa de constru\u00e7\u00e3o da mina quanto, posteriormente, para o escoamento de sua produ\u00e7\u00e3o; da constru\u00e7\u00e3o de uma adutora para o fornecimento de \u00e1gua; e da instala\u00e7\u00e3o de uma linha de transmiss\u00e3o de energia el\u00e9trica, que est\u00e1 sendo desenvolvida em conjunto com a CEMIG (companhia energ\u00e9tica de Minas Gerais). Em paralelo, continuamos com os trabalhos de sondagem, buscando aumentar o quantitativo de nossos recursos minerais. Inclusive, participamos da chamada p\u00fablica do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social) e Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) com uma solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica de transforma\u00e7\u00e3o mineral, que acabou sendo uma das 56 propostas selecionadas entre as mais de cem concorrentes.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Voc\u00eas receber\u00e3o um financiamento para instalar uma planta de beneficiamento de l\u00edtio no Brasil?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>N\u00f3s j\u00e1 temos uma linha de cr\u00e9dito robusta fora do pa\u00eds. Para haver a capta\u00e7\u00e3o de recursos do BNDES h\u00e1 algumas quest\u00f5es a serem analisadas. Entre elas, a taxa de juros que \u00e9 muito mais elevada no Brasil, em compara\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses. O que importa \u00e9 que nosso modelo foi validado. Na Austr\u00e1lia, a PLS est\u00e1 iniciando a opera\u00e7\u00e3o de um planta piloto mid-stream, que utiliza uma tecnologia in\u00e9dita de calcina\u00e7\u00e3o el\u00e9trica para transformar o concentrado de espodum\u00eanio em um produto de maior valor agregado. Claro que tanto eu, quanto Leandro Gobbo (vice-presidente da PLS no Brasil) e Pedro Fonseca, diretor de explora\u00e7\u00e3o, sendo brasileiros, temos expectativas de trazer essa cadeia de transforma\u00e7\u00e3o mineral para o projeto Colina. Obviamente, estamos realizando interlocu\u00e7\u00f5es junto a inst\u00e2ncias p\u00fablicas de governo para definir condi\u00e7\u00f5es mais competitivas para instalar uma planta de refino intermedi\u00e1ria, como \u00e9 a da PLS na Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Em sua opini\u00e3o, quais s\u00e3o os principais fatores que podem facilitar e, por outro lado, dificultar a obten\u00e7\u00e3o do licenciamento de um projeto mineral?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Primeiramente, acredito que a obten\u00e7\u00e3o do licenciamento passa por uma comunica\u00e7\u00e3o transparente. Em segundo lugar, comunicar somente o que realmente ser\u00e1 poss\u00edvel realizar. Em terceiro lugar, n\u00e3o utilizar artif\u00edcios e fazer muito marketing do projeto. Esses pontos podem impactar muito no relacionamento com os stakeholders, sejam o governo local, do estado ou federal, sejam ONGs (Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais), fornecedores potenciais, comunidades locais e os pr\u00f3prios moradores da cidade, que n\u00e3o s\u00e3o das comunidades. A empresa pode at\u00e9 conseguir a Licen\u00e7a Social de Opera\u00e7\u00e3o, mas ela n\u00e3o ser\u00e1 consistente nem duradoura.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>\u00a0E quanto aos complicadores?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Um complicador, sem d\u00favida, s\u00e3o os movimentos contr\u00e1rios \u00e0 minera\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o reconhecem a import\u00e2ncia da atividade. Nesse caso, \u00e9 preciso elevar o n\u00edvel de conhecimento das pessoas, em especial no que se refere \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e \u00e0 necessidade de uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa, o que depende diretamente dos minerais cr\u00edticos. A quest\u00e3o das barragens de rejeito \u00e9 outro problema, porque a opini\u00e3o p\u00fablica, no geral, n\u00e3o tem muita clareza do que \u00e9 uma barragem, uma pilha de est\u00e9ril ou uma pilha de rejeitos a seco. Al\u00e9m disso, a Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM) est\u00e1 sem recursos para acompanhar as opera\u00e7\u00f5es e projetos no dia a dia. Precisamos de vistorias frequentes, independente de ser uma empresa de pequeno, m\u00e9dio ou grande porte, inclusive para ter uma certa previsibilidade e detectar, a tempo, falhas estruturais que poderiam ser facilmente corrigidas. Tamb\u00e9m temos os gargalos dos processos de licenciamento ambiental, que n\u00e3o t\u00eam nem regula\u00e7\u00e3o nem uma autoridade decis\u00f3ria \u00fanicas. \u00c9 preciso articular com um n\u00famero exaustivo de pessoas em \u00f3rg\u00e3os diversos apenas para se obter uma Licen\u00e7a Pr\u00e9via. Essa situa\u00e7\u00e3o de instabilidade e inseguran\u00e7a jur\u00eddica tamb\u00e9m gera desconfian\u00e7a nos investidores.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Esse longo percurso tamb\u00e9m acaba comprometendo o cronograma do projeto, certo?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Exato. Quando a empresa precisa ter o m\u00e1ximo de previsibilidade para realizar seu planejamento. Ent\u00e3o, ela deve ter uma equipe que entenda muito de licenciamento, do ponto de vista t\u00e9cnico, e que saiba quem est\u00e1 do outro lado da mesa, falando pelo governo, al\u00e9m dos \u00f3rg\u00e3os intervenientes que podem interferir no processo. Recentemente, devido \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o Rejeito (fraudes em licenciamentos ambientais), em Minas Gerais, os t\u00e9cnicos ficaram muito relutantes em assinar os processos porque podem ser futuramente responsabilizados por um eventual impacto do projeto. Assim, as empresas ficam presas a uma situa\u00e7\u00e3o que vai se arrastando, gerando novamente um clima de inseguran\u00e7a jur\u00eddica e fugindo ao fluxo habitual do processo.<\/p>\n<p><strong>ITM:<\/strong> Ainda nesse tema, mas falando especificamente da PLS, como tem evolu\u00eddo o relacionamento de sua \u00e1rea junto a \u00f3rg\u00e3os institucionais e governamentais?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Mod\u00e9stia \u00e0 parte, temos um \u00f3timo relacionamento na localidade e uma \u00f3tima aceita\u00e7\u00e3o pelo governo local, da parte do prefeito Joaquim Neres Xavier Dias (Kinca Dias), assim como do governador Romeu Zema e tamb\u00e9m no \u00e2mbito federal. Obviamente, quando preciso ter as tr\u00eas esferas de governo juntas, uso o cerimonial, come\u00e7ando com o n\u00edvel hier\u00e1rquico superior, como o Minist\u00e9rio Federal, seguindo para o governo estadual e depois para o munic\u00edpio. Essa forma de tratamento pode fazer muita diferen\u00e7a se n\u00e3o for observada e melindrar o relacionamento. Al\u00e9m disso, temos realizado a\u00e7\u00f5es que contribuem muito para essa intera\u00e7\u00e3o. Por exemplo, o processo de escuta com as secretarias municipais de Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade, com a Pol\u00edcia Militar, Guarda Municipal, o Corpo de Bombeiros etc., para entender os desafios de cada \u00e1rea e saber como podemos contribuir para melhorar a localidade. At\u00e9 porque, nossa opera\u00e7\u00e3o vai atrair pessoas de cidades vizinhas, como Ara\u00e7ua\u00ed e Fruta de Leite, impactando na infraestrutura da cidade.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Quais t\u00eam sido essas contribui\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p><strong>Marisa:<\/strong> Fizemos a doa\u00e7\u00e3o de um terreno para implanta\u00e7\u00e3o de um aterro sanit\u00e1rio e estamos concluindo uma doa\u00e7\u00e3o de R$ 600 mil em equipamentos hospitalares para o hospital municipal. Tamb\u00e9m estamos investindo na reforma de 31 po\u00e7os artesianos em comunidades que nem s\u00e3o as nossas, para melhorar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola local. Em 2021, quando houve uma grande enchente na cidade, doamos R$ 500 mil para restaurar um muro de gabi\u00e3o que havia sido danificado, na orla do rio Salinas, de forma a prevenir futuros alagamentos. Contribu\u00edmos tamb\u00e9m com a avalia\u00e7\u00e3o do solo do aeroporto visando expandir sua capacidade, um investimento j\u00e1 aprovado pelo Minist\u00e9rio de Portos e Aeroportos (MPor) ap\u00f3s v\u00e1rias articula\u00e7\u00f5es das quais participamos, em conjunto com outros \u00f3rg\u00e3os. Sempre, dentro de nossas possibilidades, visto que ainda n\u00e3o estamos em opera\u00e7\u00e3o e n\u00e3o geramos lucro, mas com a perspectiva de trazer um cen\u00e1rio melhor para a localidade e para as pessoas que l\u00e1 residem e n\u00e3o somente pensando em nosso projeto.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Al\u00e9m desses investimentos em infraestrutura, h\u00e1 a\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m na \u00e1rea social?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Sim. Investimos mais de R$ 500 mil para instalar a nova sede da Guarda Mirim, um projeto que capacita adolescentes para seu primeiro emprego. As vagas eram apenas nas secretarias da Prefeitura, mas j\u00e1 mostramos interesse em contratar esses jovens, porque acreditamos ser uma forma de tir\u00e1-los de uma situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Tamb\u00e9m constru\u00edmos uma creche, que ser\u00e1 operada pela Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o da cidade, revitalizamos uma f\u00e1brica de farinha que vai gerar cerca de 300 empregos e realizamos melhorias em associa\u00e7\u00f5es locais, como a amplia\u00e7\u00e3o da sede e doa\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais para o resgate da tradi\u00e7\u00e3o cultural da comunidade quilombola Olaria Bagres. Tamb\u00e9m conclu\u00edmos em setembro de 2025, a instala\u00e7\u00e3o de tr\u00eas torres de rede m\u00f3vel 4G, abrindo o sinal de Internet para todas as comunidades locais.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Em termos de sustentabilidade ambiental, quais configura\u00e7\u00f5es ser\u00e3o adotadas no Projeto Colina?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Dois pontos fundamentais s\u00e3o o reuso de \u00e1gua e o uso de fontes sustent\u00e1veis de energia. O reuso de \u00e1gua j\u00e1 \u00e9 adotado nos trabalhos de sondagem porque empregamos sondas modulares. Quanto \u00e0 energia, a PLS instalou um parque solar gigantesco em sua mina na Austr\u00e1lia para reduzir o consumo de fontes termel\u00e9tricas. No Brasil temos tanto a matriz de gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica quanto a solar. Inicialmente usaremos a fonte hidrel\u00e9trica, mas tamb\u00e9m planejamos uma usina solar no futuro, que poder\u00e1 contribuir com o abastecimento da mina. J\u00e1 estamos tamb\u00e9m avaliando a aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos h\u00edbridos para substituir aos poucos nossas pick-ups a diesel. Para o transporte do min\u00e9rio, uma possibilidade, no longo prazo, \u00e9 utilizar a Ferrovia Bahia-Minas, que liga as cidades de Caravelas, na Bahia, a Ara\u00e7ua\u00ed, vizinha de Salinas, paralisada h\u00e1 60 anos e cuja reativa\u00e7\u00e3o pela concession\u00e1ria MTC (Multimodal Caravelas) j\u00e1 foi autorizada pela ANTT (Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres). Ent\u00e3o poderemos substituir os caminh\u00f5es rodovi\u00e1rios a diesel, o que ser\u00e1 um grande marco para a descarboniza\u00e7\u00e3o de nossa opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>ITM<\/strong>: E quanto \u00e0s outras emiss\u00f5es, em especial pela frota de lavra e transporte interno da mina?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Nossa meta, nesse caso, \u00e9 repetir aqui a mesma trajet\u00f3ria da PLS na Austr\u00e1lia, que j\u00e1 reduziu as emiss\u00f5es de escopo 2 (consumo de energia comprada) e planeja reduzir as de escopo 3 (cadeia de valor \u2013 fornecedores, transporte, uso de produtos etc.), que \u00e9 a mais dif\u00edcil de efetivar, at\u00e9 2030. Mas al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o ambiental, tamb\u00e9m queremos fazer uma transi\u00e7\u00e3o justa do ponto de vista social, atrav\u00e9s da capacita\u00e7\u00e3o profissional e gera\u00e7\u00e3o de empregos. Nesse sentido teremos tanto cursos espec\u00edficos, como o de t\u00e9cnico de minera\u00e7\u00e3o, quanto o de soldador, por exemplo, que servem a outros setores produtivos, inclusive para as destilarias de cacha\u00e7a, importante atividade econ\u00f4mica local que, inclusive, deu a Salinas uma infraestrutura muito mais desenvolvida em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s cidades vizinhas.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Perfeito. Voltando \u00e0 opera\u00e7\u00e3o, s\u00f3 para esclarecer, o projeto inclui barragem de rejeitos?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>N\u00e3o. Os rejeitos ser\u00e3o filtrados e empilhados a seco, podendo ser reaproveitados como insumo em obras de pavimenta\u00e7\u00e3o pela prefeitura local ou para produ\u00e7\u00e3o de cer\u00e2mica, por exemplo. Haver\u00e1 uma pilha para os rejeitos e outra para o est\u00e9ril.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>A semelhan\u00e7a da lavra de l\u00edtio em rocha dura com a opera\u00e7\u00e3o australiana da PLS deve influenciar na ado\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es semelhantes no projeto?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Sim, essa semelhan\u00e7a \u00e9 um enorme facilitador porque a PLS j\u00e1 tem expertise na lavra de espodum\u00eanio. Ent\u00e3o, a possibilidade de se cometer erros \u00e9 muito menor. Mesmo no processo de beneficiamento. O redesenho da engenharia da planta, como j\u00e1 lhe falei, \u00e9 baseado no hist\u00f3rico da mina australiana.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Mudando de assunto, a senhora \u00e9 presidente do Conselho da Associa\u00e7\u00e3o de Minerais Cr\u00edticos (AMC), lan\u00e7ada em 25 de novembro de 2025. Por que criar uma entidade espec\u00edfica em lugar de recorrer ao IBRAM (Instituto Brasileiro de Minera\u00e7\u00e3o)?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Quando surgiu a ideia da AMC, eu, Frederico Bedran Oliveira (advogado, ge\u00f3logo e presidente da associa\u00e7\u00e3o), Marcelo de Carvalho (diretor executivo da Meteoric Resources) e Ricardo Alves (diretor executivo da Graphcoa), nos reunimos com Raul Jungmann, uma pessoa muito querida, e Fernando Azevedo e Silva, \u00e0 \u00e9poca diretor-presidente e vice-presidente do IBRAM. Jungmann teve uma \u00f3tima aceita\u00e7\u00e3o da AMC e, inclusive, entendeu que as duas entidades poderiam trabalhar em parceria. Esse alinhamento vem acontecendo desde ent\u00e3o. O IBRAM tem um trabalho fant\u00e1stico, mas atua com diferentes tipos de minera\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os minerais cr\u00edticos se tornaram rapidamente muito importantes em termos geopol\u00edticos, o que abriu uma janela de oportunidades para o Brasil, considerado um celeiro dessas subst\u00e2ncias. Nesse contexto s\u00f3 h\u00e1 duas possibilidades: ou aproveitamos essa janela ou ficamos atr\u00e1s dos outros pa\u00edses. Por isso achamos necess\u00e1rio nos apropriarmos da interlocu\u00e7\u00e3o sobre o tema, de forma a faz\u00ea-la conjuntamente e realmente impactar em sua discuss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Voc\u00eas est\u00e3o participando Conselho Nacional de Pol\u00edtica Mineral (CNPM)?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Sim. Fomos convidados a participar do Grupo de Trabalho de Minerais Cr\u00edticos, um dos quatro criados no CNPM, juntamente com a Meteoric Resources, de terras raras, a Graphcoa, de grafite, a Atlantic N\u00edquel, de n\u00edquel, e a Vale Base Metals, de cobre. Ao falarem de sua realidade, essas empresas ganham visibilidade e conseguem trazer maior lucidez para a tem\u00e1tica, atuando como interlocutores ativos. Ainda assim, quando Anderson Barreto Arruda (diretor de Transforma\u00e7\u00e3o e Tecnologia Mineral\u00a0do Minist\u00e9rio de Minas e Energia \u2013 MME) me disse para fazermos uma apresenta\u00e7\u00e3o sobre minerais cr\u00edticos, recomendei que esse papel caberia ao IBRAM, que tem uma contextualiza\u00e7\u00e3o mais abrangente sobre o assunto. N\u00f3s, a PLS e as outras empresas, podemos discutir mecanismos de licenciamento e financiamento internacionais, com exemplos reais, trabalhando no detalhamento dos minerais cr\u00edticos. Para isso definimos tr\u00eas tem\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Quais s\u00e3o essas tem\u00e1ticas?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>A primeira \u00e9 o licenciamento ambiental. N\u00f3s tivemos a aprova\u00e7\u00e3o do PL 2.159\/21, que ainda precisa de um decreto que defina as normas para sua implementa\u00e7\u00e3o. O que vai demandar a continuidade da articula\u00e7\u00e3o para que a lei realmente entre em vigor. Outra tem\u00e1tica \u00e9 a dos mecanismos de garantia, principalmente para as junior companies, que n\u00e3o t\u00eam uma planta em produ\u00e7\u00e3o para oferecer como garantia de financiamento de forma a obter recursos do BNDES. J\u00e1 nos bancos locais, o valor \u00e9 ainda mais gritante que nos bancos internacionais por conta da taxa de juros. Por isso, estamos discutindo a possibilidade de criar um fundo garantidor, um processo que come\u00e7amos h\u00e1 mais de um ano em conversas com o BNDES e com bancos internacionais. Independente de ser composto por recursos p\u00fablicos ou privados. O que importa \u00e9 viabilizar a implementa\u00e7\u00e3o dos projetos. Se houver preju\u00edzo, ele ser\u00e1 compartilhado entre os participantes do fundo. Outra solu\u00e7\u00e3o \u00e9 poder investir parte da produ\u00e7\u00e3o futura, declarando no imposto como investimento em tecnologia, viabilizando que se traga a cadeia de valor, a transforma\u00e7\u00e3o mineral, para o Brasil.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>E a terceira tem\u00e1tica?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>\u00c9 a previsibilidade e a seguran\u00e7a jur\u00eddica. Para isso, a Pol\u00edtica Nacional de Minerais Cr\u00edticos e Estrat\u00e9gicos \u2013 PNMCE, que est\u00e1 sendo discutida no PL n\u00ba 2780\/2024, \u00e9 essencial. N\u00e3o sou a favor da centraliza\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es em uma \u00fanica inst\u00e2ncia. Mas, os organismos precisam ser independentes e ter credibilidade, sem a interfer\u00eancia de \u00f3rg\u00e3os intervenientes. Toda licen\u00e7a ambiental possui condicionantes que as empresas devem cumprir em prazos pr\u00e9-definidos. Essas condicionantes deveriam bastar para assegurar a opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Voltando a AMC, quantas empresas se associaram?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Nascemos com nove empresas e j\u00e1 temos a confirma\u00e7\u00e3o de mais seis. Nossa expectativa \u00e9 chegar ao final de mar\u00e7o, ap\u00f3s o PDAC (evento sobre explora\u00e7\u00e3o e desenvolvimento mineral realizado anualmente em Toronto, no Canad\u00e1), a cerca de 20 empresas e, at\u00e9 o final do ano, a um n\u00famero entre 40 e 50 empresas. A associa\u00e7\u00e3o est\u00e1 dividida por categoria. Al\u00e9m das mineradoras que produzem minerais cr\u00edticos, temos por exemplo, entidades parceiras e fornecedores, cada uma com um peso diferenciado no sistema de vota\u00e7\u00e3o. Todos s\u00e3o organismos que t\u00eam impacto em nosso setor. No caso das mineradoras seguimos a listagem atual dos minerais classificados como cr\u00edticos atualmente.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Voc\u00eas t\u00eam contribu\u00eddo tamb\u00e9m com a elabora\u00e7\u00e3o do PL 2780\/2024?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Sim. J\u00e1 contribu\u00edmos com parte do conte\u00fado desse Projeto de Lei l\u00e1 atr\u00e1s, junto ao Z\u00e9 Silva e, posteriormente com o Arnaldo Jardim (deputado federal e relator do projeto). Obviamente h\u00e1 pontos sobre os quais eu discordo e que poderiam ser melhorados. Por exemplo, o percentual que a empresa precisar\u00e1 investir em tecnologia. Continuamos conversando e trabalhando nisso. Mas este \u00e9 um ano eleitoral e podem ocorrer mudan\u00e7as de cadeiras, muitas vezes estrat\u00e9gicas. Nossa ideia \u00e9 elaborar um documento sobre os minerais cr\u00edticos para apresentar aos candidatos, tanto presidenci\u00e1veis quanto aos governos estaduais, em especial da Bahia, Goi\u00e1s, Par\u00e1 e Minas Gerais, que s\u00e3o os grandes produtores.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>A AMC apoia a verticaliza\u00e7\u00e3o da cadeia produtiva de minerais cr\u00edticos defendida pelo governo federal?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o que entra na tem\u00e1tica do financiamento. Porque essa cadeia de transforma\u00e7\u00e3o mineral depende de investimentos. N\u00e3o se trata somente de deter a tecnologia para o beneficiamento do min\u00e9rio. Precisamos ter um fabricante que utilize esse insumo. Ent\u00e3o, deve-se pensar em convidar essas empresas a instalar suas plantas no Brasil No comparativo com outros pa\u00edses, esse convite envolve, por exemplo, a concess\u00e3o de benef\u00edcios fiscais ou de desonera\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. A Meteoric Resources vai receber US$ 50 milh\u00f5es do governo da Austr\u00e1lia para seu projeto de terras raras no Brasil. Outros pa\u00edses t\u00eam uma janela de financiamento para que a primeira parcela seja paga ap\u00f3s 10 anos da concess\u00e3o do cr\u00e9dito. Al\u00e9m disso h\u00e1 o custo de opera\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um para a exporta\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio cru e outro para a do beneficiado. Nesse segundo caso, a produ\u00e7\u00e3o da mina deve ser suficiente para suportar o valor de instala\u00e7\u00e3o da planta de beneficiamento. Por isso precisamos de uma pol\u00edtica nacional que nos permita ser competitivos perante outros pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Em sua opini\u00e3o, como \u00e9 poss\u00edvel reverter a imagem negativa que a minera\u00e7\u00e3o tem para a sociedade em geral?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Acho que essa revers\u00e3o depende muito do exerc\u00edcio de cada empresa. No geral, a imagem n\u00e3o muda em raz\u00e3o apenas de trabalho social, da interlocu\u00e7\u00e3o com a comunidade, de mat\u00e9ria em jornal ou de um evento. A empresa precisa fazer sua parte atrav\u00e9s de um esfor\u00e7o cont\u00ednuo. H\u00e1 empresas que trabalham de forma mais efetiva em todas as frentes, outras s\u00e3o mais focadas no aspecto social, outras nas rela\u00e7\u00f5es com o governo. Para mim, o que funciona \u00e9 tentar abra\u00e7ar ao m\u00e1ximo todos os stakeholders, realizando reuni\u00f5es e encontros, em especial com as pessoas que s\u00e3o contra a minera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Por isso falei antes da necessidade de uma comunica\u00e7\u00e3o transparente. \u00c9 preciso informar que a minera\u00e7\u00e3o tem impacto negativo, mas que h\u00e1 programas para mitigar, tanto os obrigat\u00f3rios quanto os adicionais. N\u00e3o adianta falar s\u00f3 dos benef\u00edcios. No meu time, essa transpar\u00eancia \u00e9 obrigat\u00f3ria. Porque \u00e9 preciso estar disposto a ter a conversa dif\u00edcil, n\u00e3o s\u00f3 a f\u00e1cil.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Para finalizar, o que \u00e9, em sua opini\u00e3o, uma minera\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel?<\/p>\n<p><strong>Marisa: <\/strong>Para mim \u00e9 a minera\u00e7\u00e3o constru\u00edda com base na converg\u00eancia. Desde a \u00e1rea da governan\u00e7a, passando pelo conhecimento t\u00e9cnico, \u00e1rea ambiental, \u00e1rea de sa\u00fade e seguran\u00e7a e escuta ativa, envolvendo todos os stakeholders. Sendo que o primeiro stakeholder que eu tenho que cuidar \u00e9 o meu funcion\u00e1rio. E, depois, obviamente, a comunidade no entorno, que ser\u00e1 total e diretamente impactada, mesmo que voc\u00ea esteja a uma certa dist\u00e2ncia da opera\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso, volto a falar, escutar a comunidade e os stakeholders, para torn\u00e1-los participantes ativos do seu projeto. Escutar e conversar, trazendo materialidade para essa rela\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m conversar e escutar internamente. Sou respons\u00e1vel pela \u00e1rea de Sustentabilidade, mas n\u00e3o fa\u00e7o nada sozinha. Preciso ouvir as outras \u00e1reas da empresa para ter uma perspectiva conjunta e n\u00e3o apenas a minha.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Foto1-e1772111575802.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29941\" src=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Foto1-e1772111575802.jpeg\" alt=\"Marisa Cesar\" width=\"700\" height=\"791\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Perfil<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nasceu em: <\/strong>21\/07\/1967, em S\u00e3o Paulo (SP)<\/p>\n<p><strong>Mora em: <\/strong>S\u00e3o Paulo (SP), mas vivo em avi\u00f5es. S\u00f3 em 2025 foram 102 voos<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica: <\/strong>Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas pela Faculdade C\u00e1sper L\u00edbero. P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Especializa\u00e7\u00e3o em Business Administration pela IMD de Lausanne. Curso de Forma\u00e7\u00e3o para Conselheiros pelo Instituto Brasileiro de Governan\u00e7a Corporativa (IBGC)<\/p>\n<p><strong>Trajet\u00f3ria profissional: <\/strong>Entre outras empresas, Natura Cosm\u00e9ticos, Grupo Accor e, a partir de 1998, Asea Brown Boveri (ABB), onde fiquei 18 anos, chegando a ser a primeira mulher a ser nomeada diretora corporativa, em 2011, respondendo pelas \u00e1reas de Comunica\u00e7\u00e3o e Marketing da Am\u00e9rica do Sul. Cinco anos antes, eu j\u00e1 era diretora do Instituto ABB, que tem um projeto social voltado a crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel. Ao sair, passei por um per\u00edodo dif\u00edcil por ser over qualified e precisei me reinventar. Abri uma consultoria em governan\u00e7a, sustentabilidade e comunica\u00e7\u00e3o e, depois, assumi cargos em v\u00e1rias empresas, at\u00e9 decidir me aventurar na minera\u00e7\u00e3o, considerando a experi\u00eancia na ABB, cuja maior cliente \u00e9 a Vale. Atrav\u00e9s do Linkedin, contatei Chris Gale, fundador e CEO da Latin Resources, agora PLS, que me contratou h\u00e1 quase tr\u00eas anos, em 2023<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia: <\/strong>Divorciada e casada novamente h\u00e1 17 anos, com dois filhos do primeiro casamento, a Tatyane e o Nicolas, al\u00e9m do Buzz, um Shih Tzu com 7 anos. T\u00ednhamos o Bob tamb\u00e9m, com 18 anos, mas o perdemos no final de 2025<\/p>\n<p><strong>Time de futebol: <\/strong>Palmeiras<\/p>\n<p><strong>Hobby: <\/strong>Bal\u00e9. N\u00e3o fa\u00e7o hoje, mas era bailarina aos 13 anos e, aos 17, me tornei professora<\/p>\n<p><strong>Um mestre ou \u00eddolo: <\/strong>Meu pai, M\u00e1rio de Oliveira C\u00e9sar. Tinha perfil militar era da Associa\u00e7\u00e3o dos Diplomados pela Escola Superior de Guerra, e sempre investiu muito nos estudos dos filhos. Apesar de dur\u00e3o nunca me julgou quando decidi fazer Jornalismo e depois mudei para Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, duas profiss\u00f5es de \u201cbicho-grilo\u201d (hippie), como se falava ent\u00e3o. Sempre me apoiou, at\u00e9 porque o pai dele foi diretor do jornal Correio Paulistano. Ele, inclusive, pagou minha p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, quando eu j\u00e1 era casada. Muitas pessoas dizem que seus \u00eddolos s\u00e3o figuras importantes. Eu acho que temos \u00eddolos em nossa pr\u00f3pria casa e, muitas vezes, n\u00e3o damos o devido valor a eles<\/p>\n<p><strong>Maior decep\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje: <\/strong>A sa\u00edda de uma empresa de uma forma que todos consideraram injusta. Mas aprendi com isso e fiquei mais atenta e mais preparada<\/p>\n<p><strong>Maior realiza\u00e7\u00e3o: <\/strong>Ter sustentado os meus filhos. Quando me separei, recebi apenas 11 parcelas de pens\u00e3o e meus filhos tinham 7 e 11 anos. Tanto que eles t\u00eam o maior orgulho de mim porque sabem todo o esfor\u00e7o que fiz por eles<\/p>\n<p><strong>Um projeto de vida: <\/strong>O projeto profissional \u00e9 poder, cada vez mais, contribuir com o desenvolvimento das pessoas, na empresa e no \u00e2mbito externo, nas comunidades onde atuamos, cuja realidade \u00e9 completamente diferente da nossa<\/p>\n<p><strong>Um \u201cconselho\u201d a jovens formandos na \u00e1rea de Comunica\u00e7\u00e3o Social: <\/strong>Pensando na minha pr\u00f3pria jornada, acho que mesmo tendo uma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, o profissional precisa buscar um olhar mais diversificado para outras \u00e1reas, ao mesmo tempo se capacitando e estudando para assumir desafios. Outro ponto \u00e9 que somos n\u00f3s quem fazemos nossa carreira, \u00c9 preciso estar atento para as oportunidades e para os feedbacks que recebemos. E, por fim, saber que para crescer \u00e9 preciso tamb\u00e9m ter ambi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h5>Fotos: PLS\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A executiva Marisa Cesar e a intera\u00e7\u00e3o junto a \u00f3rg\u00e3os regulamentadores e ambientais, entidades do setor e, principalmente, comunidades locais<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":29940,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-29939","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-personalidade"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>UMA INTERLOCUTORA DA PLS NA CONSTRU\u00c7\u00c3O DO PROJETO COLINA - Revista In The Mine<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"A executiva Marisa Cesar e a 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