{"id":29260,"date":"2025-11-12T13:32:25","date_gmt":"2025-11-12T16:32:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/?p=29260"},"modified":"2025-11-12T13:32:25","modified_gmt":"2025-11-12T16:32:25","slug":"um-geologo-que-se-tornou-lideranca-no-setor-mineral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/um-geologo-que-se-tornou-lideranca-no-setor-mineral\/","title":{"rendered":"UM GE\u00d3LOGO QUE SE TORNOU LIDERAN\u00c7A NO SETOR MINERAL"},"content":{"rendered":"<p>Ele rejeita absolutamente a designa\u00e7\u00e3o de influencer. Ao brincar que a diferen\u00e7a come\u00e7a pela dist\u00e2ncia entre a sua conta banc\u00e1ria e a dessas celebridades, explica que a postula\u00e7\u00e3o, ainda que a quisesse, seria imposs\u00edvel: \u201cN\u00e3o tenho Facebook nem Instagram. Apenas LinkedIn, mesmo assim, ap\u00f3s convencido, n\u00e3o facilmente, da necessidade de ter um perfil nessa rede social\u201d. No entanto, o menino que saiu da ro\u00e7a, filho de uma fam\u00edlia de agricultores e neto de av\u00f3s que vieram da Alemanha e da It\u00e1lia para o Brasil em 1912, se tornou, ao longo de seus 35 anos de carreira, uma das lideran\u00e7as mais consideradas do setor de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jones Aparecido Belther, ge\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 hoje vice-presidente s\u00eanior de Servi\u00e7os T\u00e9cnicos e Desenvolvimento de Neg\u00f3cios da Nexa, onde ingressou h\u00e1 21 anos, ainda no tempo da Votorantim Metais. Antes, esteve na Rio Tinto, seu primeiro emprego, na ent\u00e3o canadense Golden Star Resources, na Phelps Dodge e na Vale, residindo quase sempre fora do Brasil, em pa\u00edses como o Suriname, a Guiana Francesa, o Chile e o Peru.<\/p>\n<p>Nesta entrevista exclusiva \u00e0 <strong>In the Mine<\/strong>, Belther fala das opera\u00e7\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o e refino da Nexa no Brasil e no Peru; da vida \u00fatil das minas e trabalhos de explora\u00e7\u00e3o mineral; dos projetos greenfield; e do uso da Intelig\u00eancia Artificial (IA) para criar uma \u201cIntelig\u00eancia Geol\u00f3gica\u201d. Fala tamb\u00e9m da ado\u00e7\u00e3o de outras tecnologias para monitoramento on line, cria\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura digital, opera\u00e7\u00e3o remota de equipamentos e rastreamento de m\u00e1quinas e pessoas nas minas subterr\u00e2neas. Trata, ainda, das metas ambientais e sociais da empresa e do incremento de seu programa de seguran\u00e7a, em especial ap\u00f3s os acidentes fatais registrados em 2024.<\/p>\n<p>Perguntado sobre a estrat\u00e9gia da Nexa para minerais cr\u00edticos diz que, ap\u00f3s um estudo amplo, a empresa seguir\u00e1 apenas com seu zinco e cobre, tamb\u00e9m fundamentais \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, como explica. Destaca a import\u00e2ncia da estabilidade regulat\u00f3ria e legal para a minera\u00e7\u00e3o e avalia que o licenciamento ambiental de projetos poderia ser mais eficiente e \u00e1gil. E que os governos devem evitar a inven\u00e7\u00e3o de \u201cp\u00e9rolas\u201d como a de um marco regulat\u00f3rio para minerais cr\u00edticos e a fixa\u00e7\u00e3o das TFRM (Taxa de Controle, Monitoramento e Fiscaliza\u00e7\u00e3o de Recursos Minerais) pelos estados. Diz que sua maior realiza\u00e7\u00e3o na vida foi ter se formado e seguido carreira na Geologia e aos jovens estudantes do curso recomenda: \u201cEstejam sempre abertos a aprender e trabalhem muito, com paix\u00e3o, prazer e dedica\u00e7\u00e3o. E sem pressa.\u201d<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Para situar nossos leitores, o senhor pode descrever as opera\u00e7\u00f5es atuais da Nexa, incluindo ativos n\u00e3o operacionais?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>\u00a0A Nexa \u00e9 a quinta maior produtora mundial de zinco. Hoje atuamos em dois pa\u00edses, Brasil e Peru, onde possu\u00edmos tanto opera\u00e7\u00f5es minerais quanto refinarias. Aqui no Brasil, temos a mina subterr\u00e2nea de Vazante (MG), que produz basicamente zinco e, como subproduto, concentrado de chumbo e prata. Temos, ainda, a mina de Aripuan\u00e3 (MT), tamb\u00e9m subterr\u00e2nea, recentemente constru\u00edda e nos \u00faltimos meses da fase de ramp up, caminhando para uma opera\u00e7\u00e3o totalmente est\u00e1vel. Entre as refinarias, temos a de Tr\u00eas Marias, totalmente integrada \u00e0 mina de Vazante, e a de Juiz de Fora, tamb\u00e9m em Minas Gerais, que consome parte do concentrado de Aripuan\u00e3 e parte do concentrado importado. Com Aripuan\u00e3 entrando em capacidade plena de produ\u00e7\u00e3o, a refinaria de Juiz de Fora ser\u00e1 inteiramente suprida por concentrado nacional.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>E no Peru?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>No Peru, operamos tr\u00eas minas. A principal e tamb\u00e9m a maior mina subterr\u00e2nea da Nexa e do Peru e, hoje, a terceira maior da Am\u00e9rica Latina \u2013 j\u00e1 foi segunda maior durante muito tempo \u2013 \u00e9 Cerro Lindo. \u00c9 uma mina bastante importante para n\u00f3s. Temos o Complexo de Pasco, formando por duas minas \u2013 El Porvenir, subterr\u00e2nea, e Atacocha, open pit, que tamb\u00e9m tinha uma opera\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea, suspensa desde 2020. Essa opera\u00e7\u00e3o deve ser retomada ap\u00f3s a conclus\u00e3o do projeto de integra\u00e7\u00e3o entre as duas minas, que s\u00e3o separadas por cerca de 2 km de dist\u00e2ncia e passar\u00e3o a ser uma \u00fanica mina. Por fim, temos Cajamarquilla, nossa maior refinaria e a maior de toda a Am\u00e9rica.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Qual \u00e9 a vida \u00fatil dessas minas e quais trabalhos de explora\u00e7\u00e3o mineral t\u00eam sido desenvolvidos para expandir sua opera\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>As minas subterr\u00e2neas n\u00e3o possuem uma vida \u00fatil como as minas a c\u00e9u aberto, onde \u00e9 feita toda a sondagem do dep\u00f3sito que est\u00e1 na superf\u00edcie ou bem pr\u00f3ximo dela e definida uma longa vida de opera\u00e7\u00e3o. Nas minas subterr\u00e2neas, o aprofundamento da lavra \u00e9 gradual, com a sondagem cont\u00ednua do subsolo, para manter ou estender gradativamente sua vida \u00fatil. Atualmente, Vazante tem 8 anos de vida \u00fatil, assim como Cerro Lindo, Aripuan\u00e3 tem 13 anos e as duas minas do Complexo de Pasco t\u00eam 10 anos, considerando apenas as reservas provadas e prov\u00e1veis. Se incluirmos os recursos minerais, prolongamos essa vida \u00fatil em muitos mais anos. Mas, por regula\u00e7\u00e3o do mercado, h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es para a divulga\u00e7\u00e3o da vida \u00fatil baseada em recursos minerais, que precisam ser convertidos em reservas, o que depende do valor da commodity e de v\u00e1rios outros fatores econ\u00f4micos, que variam ao longo do tempo. Mas sabemos que nossas minas ter\u00e3o vidas \u00fateis muito mais extensas que as consideradas hoje em dia.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>E quanto \u00e0 explora\u00e7\u00e3o mineral?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>Estamos sondando o que chamamos de extremo norte e tamb\u00e9m o extremo sul de Vazante, al\u00e9m da \u00e1rea Sucuri, que \u00e9 praticamente a integra\u00e7\u00e3o entre a mina atual e o extremo norte, agregando recursos minerais que certamente estender\u00e3o a opera\u00e7\u00e3o atual. No caso de Cerro Lindo, temos trabalhado na extens\u00e3o dos corpos existentes e tamb\u00e9m buscado novas \u00e1reas para explora\u00e7\u00e3o, de forma a repor, ano a ano, o que temos lavrado. Em Pasco, na regi\u00e3o entre as duas minas, descobrimos um novo corpo de min\u00e9rio, que chamamos de corpo de integra\u00e7\u00e3o, com resultados bastante relevantes em termos de teores, melhores at\u00e9 que o min\u00e9rio lavrado hoje, e muito rico em prata e chumbo, o que tamb\u00e9m traz uma grande agrega\u00e7\u00e3o de valor.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Quais os resultados desses trabalhos em termos de aumento de reservas?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>Nas nossas opera\u00e7\u00f5es, a agrega\u00e7\u00e3o de reservas varia cerca de um ano. Mas temos sempre que olhar para um per\u00edodo mais longo, que d\u00ea consist\u00eancia ao trabalho que vimos realizando. Se consideramos um per\u00edodo de 12 anos, entre 2012 e 2024 por exemplo, nossos trabalhos de explora\u00e7\u00e3o brownfield aumentaram nossas reservas provadas e prov\u00e1veis em 85%, o que \u00e9 um resultado relevante e bastante positivo. Esse trabalho ter\u00e1 seguimento para agregar e repor nossas reservas continuamente, dentro, \u00e9 claro, do horizonte finito do recurso mineral.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>E quanto aos teores?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>Apesar da grande varia\u00e7\u00e3o, estamos operando atualmente com teores muito bons, da ordem de 9%. L\u00f3gico que eles j\u00e1 foram muito mais altos no passado, de cerca de 21% ou 17%. Mas Vazante, por exemplo, operada desde 1968, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma mina nova e os teores tendem naturalmente a cair ao longo do tempo, o que demanda ajustes na opera\u00e7\u00e3o e processamento para manter nossa produ\u00e7\u00e3o e atender \u00e0 capacidade de Tr\u00eas Marias. J\u00e1 Aripuan\u00e3 \u00e9 diferente por ser uma opera\u00e7\u00e3o polimet\u00e1lica, que possui zinco, chumbo, cobre, e ouro e prata como subprodutos. L\u00e1, temos teores em torno de 5% de zinco, 1.5% a 1.6% de chumbo, 25.3% de cobre, 0.25% de ouro e 2 on\u00e7as de prata. Se transformamos esses produtos em zinco equivalente, os teores se tornam bastante atrativos, entre 7% e 9%. Em Cerro Lindo, tamb\u00e9m uma opera\u00e7\u00e3o polimet\u00e1lica, os teores s\u00e3o baixos, mas como o volume de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 muito alto, temos ganhos de competitividade. Os teores de zinco s\u00e3o da ordem de 2%, 7% de cobre e 1% a 1.5% de chumbo, al\u00e9m de um pouco de prata. O Complexo de Pasco, tamb\u00e9m polimet\u00e1lico, possui cerca de 5% de teores de zinco, 1% a 1,5% de chumbo, 2 on\u00e7as ou mais de prata e um pouco de cobre, tendo tamb\u00e9m uma boa atratividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Atualmente, a Nexa possui projetos greenfield?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>H\u00e1 algumas iniciativas nesse sentido. Hoje, nossa estrat\u00e9gia de crescimento se divide em duas \u00e1reas: zinco e cobre. A maioria do investimento greenfield \u00e9 dedicada a cobre. Claro que manteremos nossa relev\u00e2ncia em zinco. Somos um grande produtor e vamos seguir assim, inclusive considerando novas oportunidades, quando surgirem. Mas o cobre se tornou extremamente atrativo pela demanda em fun\u00e7\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. No entanto, nossas iniciativas de cobre ainda se encontram em est\u00e1gios muito iniciais e preferimos divulgar seus resultados quando j\u00e1 tivermos consolidado os recursos minerais, para n\u00e3o criar expectativas que possam frustrar o mercado. Temos, por exemplo, o projeto Magistral, no Peru, que j\u00e1 teve seu Estudo de Viabilidade conclu\u00eddo, mostrando que ele \u00e9 economicamente atrativo, e atualmente passa por uma revis\u00e3o t\u00e9cnica. Isso porque sempre avaliamos se vamos desenvolver um projeto pr\u00f3prio ou adquirir uma opera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 produzindo. Temos tamb\u00e9m outros dois projetos de zinco no Peru: o Hilari\u00f3n, polimet\u00e1lico e com grandes recursos minerais de zinco, que ser\u00e1 uma prov\u00e1vel mina no futuro, e o Florida Canyon, um pouco menor, mas com teores elevados, da ordem de 10% a 11%.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Voltando \u00e0s opera\u00e7\u00f5es, quais principais inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas foram ou est\u00e3o sendo introduzidas no planejamento de mina e na lavra mineral?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>Hoje, a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 mandat\u00f3ria para qualquer empresa que queira se manter competitiva e tirar o melhor resultado dos seus ativos. E a Nexa tem buscado mapear e explorar oportunidades de inova\u00e7\u00e3o em diversas frentes. Temos trabalhado bastante com IA, por exemplo, para criar o que chamamos de \u201cIntelig\u00eancia Geol\u00f3gica\u201d, trabalhando com os dados e informa\u00e7\u00f5es que obtemos dos testemunhos de sondagem. Assim, conseguimos, entender melhor os dep\u00f3sitos minerais e a distribui\u00e7\u00e3o dos metais dentro deles e a presen\u00e7a de elementos que, por vezes, s\u00e3o delet\u00e9rios para o processo de beneficiamento. A ideia \u00e9 fazer algumas predi\u00e7\u00f5es para que se possa blendar o min\u00e9rio, de forma a n\u00e3o afetar ou instabilizar a performance da planta. \u00c9 claro que somos uma empresa de minera\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de tecnologia. Mas a IA e o Machine Learning conseguem processar um volume de dados muito maior que o c\u00e9rebro humano e trabalhar com muito mais vari\u00e1veis ao mesmo tempo. Por essa raz\u00e3o temos ido ao mercado atrav\u00e9s de nossa plataforma de inova\u00e7\u00e3o aberta, o Mining Lab.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>O Mining Lab tem trabalhado com muitas startups, certo?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>Exato e, ao longo dos anos, temos trazido solu\u00e7\u00f5es para o planejamento e sequenciamento de lavra, digitaliza\u00e7\u00e3o e automa\u00e7\u00e3o de processos e para modelamento geol\u00f3gico. Temos iniciativas para monitoramento em tempo real do despacho em mina subterr\u00e2nea, com amostragem, o que nos permite ajustar a planta de beneficiamento conforme os teores do min\u00e9rio que est\u00e1 sendo alimentado. Nem sempre e nem em todas as opera\u00e7\u00f5es temos blendagem e homogeneiza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via dos teores. Temos isso em Vazante. Mas as outras minas precisam desse monitoramento on line. Tamb\u00e9m temos melhorado nossa infraestrutura digital no subsolo para transmitir os dados da opera\u00e7\u00e3o ao nosso Centro de Controle, agilizando a tomada de decis\u00f5es, e para possibilitar o rastreamento de equipamentos e pessoas, incrementando a seguran\u00e7a. Em quase todas as minas, ainda, os funcion\u00e1rios possuem uma tag no uniforme, sinalizando sua presen\u00e7a e for\u00e7ando a parada autom\u00e1tica de qualquer equipamento que se aproxime.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Voltando \u00e0 quest\u00e3o de seguran\u00e7a, a Nexa tem investido em novas tecnologias para ventila\u00e7\u00e3o, um fator cr\u00edtico em minas subterr\u00e2neas?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>Praticamente todas as nossas minas subterr\u00e2neas j\u00e1 contam com sistema de ventila\u00e7\u00e3o sob demanda, que aciona somente os aparelhos dos ambientes onde h\u00e1 funcion\u00e1rios trabalhando, mantendo desligados aqueles instalados em \u00e1reas sem opera\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do ganho energ\u00e9tico com a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de ventiladores em funcionamento, h\u00e1 uma maior efici\u00eancia da ventila\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que essa canaliza\u00e7\u00e3o do fluxo de ar permite a sa\u00edda do ar polu\u00eddo para fora da mina e a entrada de ar fresco.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>No caso da automa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 a\u00e7\u00f5es voltadas para os equipamentos de lavra e transporte?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>Ainda n\u00e3o temos equipamentos aut\u00f4nomos no subsolo, onde a opera\u00e7\u00e3o \u00e9 relativamente mais complexa que na superf\u00edcie. Ela exige que a mina seja extremamente bem mapeada e digitalizada e tenha uma infraestrutura de transmiss\u00e3o de dados muito eficiente em tempo real para orientar o tr\u00e1fego desses ve\u00edculos nas galerias de transporte. J\u00e1 temos a opera\u00e7\u00e3o remota, com o operador ainda no subterr\u00e2neo, mas em uma cabine posicionada a uma dist\u00e2ncia segura da m\u00e1quina. Estamos estudando a possiblidade de realizar essa opera\u00e7\u00e3o a partir da superf\u00edcie e temos visitado empresas que j\u00e1 atuam dessa forma.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>A \u00e1rea de beneficiamento tamb\u00e9m tem sido objeto de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>Temos trabalhado bastante na quest\u00e3o de imageamento. Um exemplo s\u00e3o as c\u00e2meras instaladas nas correias transportadoras para medir a granulometria do min\u00e9rio, identificando blocos maiores que podem causar problemas no britador prim\u00e1rio e permitindo um fluxo mais efetivo no sistema. Tamb\u00e9m temos c\u00e2meras nas flota\u00e7\u00f5es, para medir o tamanho e a homogeneidade das bolhas, que implica na velocidade com que se vai flotar o material. Ent\u00e3o, a partir das imagens, conseguimos corrigir a adi\u00e7\u00e3o de reagentes para obter uma maior efici\u00eancia do processo. Isso \u00e9 feito atrav\u00e9s do chamado APC, sistema avan\u00e7ado de controle de processo, que analisa diversas vari\u00e1veis ao mesmo tempo, com aux\u00edlio de Machine Learning ou IA. Assim, \u00e9 poss\u00edvel corrigir o volume de adi\u00e7\u00e3o de reagentes e medir, l\u00e1 na frente, o teor do concentrado que est\u00e1 sendo produzido, realizando ajustes autom\u00e1ticos. E temos tamb\u00e9m iniciativas relacionadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o preventiva, efluentes e rejeitos.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Quais s\u00e3o essas iniciativas?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>No caso da manuten\u00e7\u00e3o preventiva temos utilizado plantas g\u00eameas digitais, para simular condi\u00e7\u00f5es ideais de opera\u00e7\u00e3o da planta real, em fun\u00e7\u00e3o de fatores como a dureza do min\u00e9rio, e tamb\u00e9m para indicar as necessidades de interven\u00e7\u00e3o diante do desgaste de pe\u00e7as ou componentes dos equipamentos. J\u00e1 em Cerro Lindo, principalmente, atrav\u00e9s do Mining Lab, buscamos solu\u00e7\u00f5es para melhorar os efluentes industriais empregando reagentes que n\u00e3o comprometem a qualidade da \u00e1gua de processo, contribuindo para aumentar sua recircula\u00e7\u00e3o. Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o volume de rejeitos gerados e, tamb\u00e9m junto a startups, temos incentivado a transforma\u00e7\u00e3o desse material em produtos. Fizemos isso no Complexo de Morro Agudo (MG) e passamos a produzir um corretivo de solo agr\u00edcola que, agora, \u00e9 o neg\u00f3cio da empresa que adquiriu essa opera\u00e7\u00e3o. S\u00e3o todas iniciativas sustent\u00e1veis e que trazem ganhos, seja em recupera\u00e7\u00e3o de metais, seja na redu\u00e7\u00e3o do consumo de \u00e1gua e energia, seja na diminui\u00e7\u00e3o de paradas n\u00e3o previstas da planta. Nesse \u00faltimo caso, tamb\u00e9m em Cerro Lindo, fomos a primeira empresa do Ocidente a utilizar um forro magn\u00e9tico em moinhos. \u00c9 uma tecnologia que trouxemos da China, h\u00e1 cerca de cinco anos, e que praticamente dobrou a durabilidade do revestimento.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Falando em Morro Agudo, a venda do complexo para a Casa Verde Holding, em 2024, implicou em alguma obriga\u00e7\u00e3o da Nexa em rela\u00e7\u00e3o ao descomissionamento de instala\u00e7\u00f5es de beneficiamento de min\u00e9rio e armazenamento de rejeitos e de recupera\u00e7\u00e3o ambiental?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>N\u00e3o. Todas as responsabilidades para descomissionamento da opera\u00e7\u00e3o foram transferidas para a Casa Verde Holding, at\u00e9 porque eles pretendem operar por muitos anos as minas subterr\u00e2neas, produzindo concentrado de zinco e calc\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Por que a venda n\u00e3o incluiu o projeto Bom Sucesso?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>A Nexa decidiu manter Bom Sucesso em seu portf\u00f3lio, por ser um projeto vi\u00e1vel de mina de zinco, como demonstrado pelo Estudo de Pr\u00e9-Viabilidade. \u00c9 claro que ele fazia muito mais sentido quando t\u00ednhamos a opera\u00e7\u00e3o de Morro Agudo, \u00e0 qual poderia ser integrado. Mas nossa prioridade, no momento, \u00e9 Aripuan\u00e3, uma mina maior com capacidade para atender \u00e0s nossas refinarias no Brasil. J\u00e1 Bom Sucesso precisa ser melhor estudado para ganhar uma escala relevante de produ\u00e7\u00e3o ou, no futuro, ser objeto de um desinvestimento.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Quais s\u00e3o as metas ambientais da Nexa e seu cronograma de cumprimento?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>Estamos focados em duas frentes: a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de GEE (Gases de Efeito Estufa) e o uso eficiente de recursos naturais, principalmente \u00e1gua. At\u00e9 2030, nossa meta \u00e9 reduzir em 20% as emiss\u00f5es de GEE e manter uma matriz energ\u00e9tica renov\u00e1vel, buscando a neutralidade em 2040 e atingindo o chamado Net Zero em 2050. Em 2024, nossas emiss\u00f5es de CO<sub>2 <\/sub>ca\u00edram de 253 mil t para 227 mil t, uma redu\u00e7\u00e3o de 10% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 base equivalente de 2020. Ou seja, j\u00e1 alcan\u00e7amos metade da nossa meta, o que demonstra que estamos evoluindo bem. Ainda assim \u00e9 uma meta desafiadora, at\u00e9 porque 98,6% de nossa matriz energ\u00e9tica hoje j\u00e1 \u00e9 renov\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>E no caso do consumo de \u00e1gua?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>Definimos que em nossas opera\u00e7\u00f5es, tanto nas minas quanto nas refinarias, devemos reduzir em 10% o consumo espec\u00edfico de \u00e1gua para cada tonelada de metal que produzimos. Novamente em rela\u00e7\u00e3o a 2020, passamos de um consumo de 24 m\u00b3\/t de min\u00e9rio para 20,6 m\u00b3\/t nas refinarias, o que equivale a uma redu\u00e7\u00e3o de quase 20% ou de quase o dobro da meta. J\u00e1 na \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tivemos a mesma evolu\u00e7\u00e3o. Muito em fun\u00e7\u00e3o de Aripuan\u00e3 que, por n\u00e3o estar ainda em sua capacidade plena, utiliza muita \u00e1gua para uma produ\u00e7\u00e3o menor que a projetada. Essa defasagem deve ser corrigida neste semestre com a estabiliza\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o. De toda forma, atualmente, nossa m\u00e9dia geral de recircula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua \u00e9 da ordem de 80%. Em Cerro Lindo, por exemplo, que utiliza \u00e1gua do mar dessalinizada, chega a mais de 90% e s\u00f3 n\u00e3o chega a 100% porque o restante fica no rejeito que, apesar de empilhado a seco, mant\u00e9m uma certa umidade que perde depois, por evapora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>E quanto \u00e0s metas sociais?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>Sob esse aspecto tamb\u00e9m temos duas frentes principais: a seguran\u00e7a e a diversidade. A seguran\u00e7a \u00e9 uma jornada cont\u00ednua, que requer uma disciplina di\u00e1ria, que nunca termina. Costumo dizer que \u00e9 como empurrar uma pedra redonda morro acima. Se soltar, ela desce de novo e perde-se todo o trabalho que foi feito. Ent\u00e3o, o n\u00edvel de alerta tem que estar sempre alto. Em termos de diversidade, nossa meta \u00e9 contar com 30% de mulheres na for\u00e7a de trabalho e outros 30% na lideran\u00e7a. Em agosto passado (2025) t\u00ednhamos 18,2% de mulheres na for\u00e7a de trabalho, ainda distante da meta. Por outro lado, j\u00e1 estamos com 25,3% de mulheres na lideran\u00e7a da empresa, o que \u00e9 bastante relevante.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Em 2024, a Nexa registrou tr\u00eas acidentes fatais: um na mina de Vazante, no Brasil, e dois no Peru, em El Porvenir e Cerro Lindo. Quais foram os reflexos desses acidentes na revis\u00e3o dos protocolos de seguran\u00e7a da empresa?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>Sim. Foram acontecimentos terr\u00edveis e perdas profundas para n\u00f3s. Uma situa\u00e7\u00e3o totalmente fora do aceit\u00e1vel e que n\u00e3o pode nunca ser normalizada, mas sim despertar o inconformismo. Eu sou particularmente inconformado. Ap\u00f3s as ocorr\u00eancias, fizemos uma reestrutura\u00e7\u00e3o gigantesca na \u00e1rea de seguran\u00e7a de todas as opera\u00e7\u00f5es. Um programa que j\u00e1 v\u00ednhamos realizando desde 2022, mas que foi ainda mais refor\u00e7ado, o GMIRM &#8211; Global Minerals Industry Risk Management, desenvolvido pela Universidade de Queensland, da Austr\u00e1lia. Para implementar esse programa, fizemos uma parceria com a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), no Brasil, e com o Instituto de Minera\u00e7\u00e3o Sustent\u00e1vel \u2013 Centro Internacional de Excel\u00eancia do Chile (SMI-ICE-Chile), que faz parte da Universidade de Queensland, para as opera\u00e7\u00f5es no Peru.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Como se deu a execu\u00e7\u00e3o desse programa na Nexa?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>N\u00f3s dividimos a capacita\u00e7\u00e3o entre quatro n\u00edveis hier\u00e1rquicos, a come\u00e7ar da alta lideran\u00e7a \u2013 CEO e VPs -, passando aos gerentes gerais e de \u00e1reas, depois supervisores e l\u00edderes de equipe e, por fim, equipes operacionais. O programa se fundamenta em tr\u00eas bases: lideran\u00e7a, gest\u00e3o de risco e disciplina operacional, de forma a criar uma parametriza\u00e7\u00e3o de controles em situa\u00e7\u00f5es de risco cr\u00edtico ou de alto potencial de risco. Assim, todas as decis\u00f5es que forem tomadas, em qualquer n\u00edvel, devem sempre levar em considera\u00e7\u00e3o as quest\u00f5es de seguran\u00e7a. Para n\u00f3s, seguran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma prioridade, que pode mudar em fun\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios fatores como a gera\u00e7\u00e3o de caixa ou a estabilidade operacional. \u00c9 um valor permanente. S\u00f3 neste ano (2025), j\u00e1 fizemos dois treinamentos para cada um dos quatro grupos, al\u00e9m de di\u00e1logos de seguran\u00e7a em todas as opera\u00e7\u00f5es. \u00c9 um processo de mudan\u00e7a cultural, o que n\u00e3o \u00e9 simples. Envolve nossos funcion\u00e1rios diretos e tamb\u00e9m os terceirizados, que s\u00e3o maioria no Peru, com alta rotatividade, o que implica em treinar v\u00e1rias vezes. J\u00e1 estamos com uma performance melhor e nossa meta \u00e9 a Fatalidade Zero.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>O senhor citou o cobre como prioridade. Mas qual \u00e9 o posicionamento geral da Nexa em rela\u00e7\u00e3o aos chamados minerais cr\u00edticos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>Falando de uma forma um pouco mais abrangente, eu acho que o Brasil tem um bom potencial para atender a essa demanda. Da\u00ed o grande n\u00famero de empresas j\u00faniores trabalhando em v\u00e1rios estados. Al\u00e9m de ser uma boa oportunidade para o pa\u00eds, \u00e9 uma boa oportunidade para o setor de minera\u00e7\u00e3o, no sentido de se aproximar de uma forma mais positiva da sociedade, Por que demonstra claramente que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9 dependente da produ\u00e7\u00e3o mineral e n\u00e3o existir\u00e1 sem ela. Na Nexa, fomos demandados pelo Conselho de Administra\u00e7\u00e3o a fazer uma an\u00e1lise desse mercado. Realizamos um estudo bastante amplo contemplando uma cesta de minerais cr\u00edticos. Conclu\u00edmos que a maior rentabilidade dessa produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 no seu refino, atualmente com domin\u00e2ncia de 99,9% da China. Uma concentra\u00e7\u00e3o que preocupa n\u00e3o s\u00f3 os Estados Unidos (EUA), como o mundo todo. E mais: \u00e9 preciso fabricar produtos customizados para cada segmento da ind\u00fastria, em lugar de ter um produto apenas que atenda a v\u00e1rios clientes. N\u00e3o \u00e9 nosso pedigree ou nossa voca\u00e7\u00e3o. Somos uma empresa de comodities.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>E qual a decis\u00e3o da Nexa?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>A decis\u00e3o \u00e9 que pretendemos seguir como uma empresa de commodities e n\u00e3o entrar no nicho dos minerais cr\u00edticos. J\u00e1 temos uma estrat\u00e9gia para o cobre, que \u00e9 um dos mais cr\u00edticos, mas o zinco n\u00e3o \u00e9 menos importante. \u00c9 um metal que ter\u00e1 uma demanda crescente tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, seja para a fabrica\u00e7\u00e3o de turbinas e\u00f3licas, seja para usinas solares, seja para todo o frame de suporte desse mercado. Ent\u00e3o repito: \u00e9 uma grande oportunidade para o pa\u00eds e uma grande oportunidade para empresas que est\u00e3o entrando no mercado de minera\u00e7\u00e3o, como as juniores. Mas seguiremos com o nosso zinco e o nosso cobre.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Quais s\u00e3o, em sua opini\u00e3o, os principais entraves para um maior desenvolvimento da minera\u00e7\u00e3o no Brasil?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>O setor mineral \u00e9 extremamente dependente da previsibilidade regulat\u00f3ria e legal. At\u00e9 por ser um setor que demanda um volume muito grande de investimentos antes de sua entrada em produ\u00e7\u00e3o. Em Aripuan\u00e3, por exemplo, o projeto foi iniciado em 2004 e s\u00f3 entrou em produ\u00e7\u00e3o em 2022, o que \u00e9 muito tempo. Claro que boa parte desse per\u00edodo se deveu \u00e0 espera pela melhoria da infraestrutura total para poder acessar a mina durante o ano todo. Tamb\u00e9m h\u00e1 um risco inerente \u00e0 atividade. Uma mina n\u00e3o \u00e9 uma f\u00e1brica de sapatos, que se encontra em qualquer lugar. Temos o fator da rigidez locacional, que \u00e9 ainda mais impactado pelas defici\u00eancias log\u00edsticas e energ\u00e9ticas do pa\u00eds. Al\u00e9m da quest\u00e3o regulat\u00f3ria e jur\u00eddica, temos o licenciamento ambiental, que deveria ser mais pragm\u00e1tico e \u00e1gil, sem passar por tantas inst\u00e2ncias e entidades. \u00c9 certo que a sociedade \u00e9 cada vez mais exigente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 minera\u00e7\u00e3o. E tem que ser mesmo. Mas, um processo de licenciamento mais l\u00f3gico, mais eficiente, poderia contribuir para uma comunica\u00e7\u00e3o mais transparente e efetiva do setor com as comunidades. E h\u00e1 ainda as \u201cp\u00e9rolas\u201d que os governos inventam.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Quais \u201cp\u00e9rolas\u201d?<\/p>\n<p><strong>Belther: <\/strong>Como eu disse, os minerais cr\u00edticos s\u00e3o uma grande oportunidade de mercado para o Brasil. Mas \u00e9 realmente necess\u00e1rio criar um marco regulat\u00f3rio espec\u00edfico para minerais cr\u00edticos? \u00c9 uma medida muito temer\u00e1ria, al\u00e9m de perigosa, porque hoje o foco s\u00e3o os minerais cr\u00edticos, amanh\u00e3 podem ser outros minerais. De toda forma, mais uma vez se rompe a estabilidade regulat\u00f3ria e jur\u00eddica. Tamb\u00e9m acho bastante preocupante a cria\u00e7\u00e3o das TFRM pelos estados. Talvez a inten\u00e7\u00e3o seja at\u00e9 nobre, mas o objetivo \u00e9 somente arrecadat\u00f3rio, com al\u00edquotas irreais, o que tende a afastar investidores. No Peru, por exemplo, voc\u00ea pode ter um governo de direita ou de esquerda, mas a economia segue crescendo porque a estabilidade jur\u00eddica do pa\u00eds \u00e9 muito s\u00f3lida. Ali, a maior preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a conjuntura social, a quest\u00e3o das comunidades, o que exige uma proximidade maior das empresas para garantir a continuidade da opera\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m a implanta\u00e7\u00e3o de novos projetos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Jones-Belther-4-foto-Marcio-Neves-scaled-e1762965114333.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29261\" src=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Jones-Belther-4-foto-Marcio-Neves-scaled-e1762965114333.jpg\" alt=\"ones Belther 4 foto M\u00e1rcio Neves\" width=\"700\" height=\"466\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong><br \/>\nPerfil<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nasceu em: <\/strong>Nova Europa, no interior de S\u00e3o Paulo, em 1968<\/p>\n<p><strong>Mora em: <\/strong>S\u00e3o Paulo, h\u00e1 20 anos<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica: <\/strong>Ge\u00f3logo e mestre em Explora\u00e7\u00e3o Mineral pela UNESP (Universidade Estadual Paulista) de Rio Claro<br \/>\n<strong>Trajet\u00f3ria profissional: <\/strong>35 anos de carreira, quase metade trabalhando fora do Brasil. Iniciei na Rio Tinto, de onde sa\u00ed para a Golden Star Resources, na \u00e9poca uma produtora canadense de ouro no Suriname. Voltei para a Rio Tinto por um curto per\u00edodo e fui para a Phelps Dodge, no Chile e depois no Brasil, para o dep\u00f3sito de Sossego, no Par\u00e1. Passei para a Vale, quando ela adquiriu o projeto e achei que ficaria por aqui. Mas seis meses depois me mandaram para o Peru. Voltei ap\u00f3s dois anos e entrei para a Votorantim Metais, atual Nexa, onde estou h\u00e1 21 anos<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia: <\/strong>Sou casado e n\u00e3o tenho filhos<\/p>\n<p><strong>Time de futebol: <\/strong>Sou s\u00e3o paulino, mas tenho v\u00e1rios corintianos na equipe<\/p>\n<p><strong>Hobby: <\/strong>Embora n\u00e3o tenha muito tempo, gosto de carros antigos. Tenho duas caminhonetes antigas e estou terminando a reforma de uma delas, de 1951<\/p>\n<p><strong>Um mestre ou \u00eddolo: <\/strong>Ningu\u00e9m em especial. Aprendi muito com v\u00e1rias pessoas da minha vida, com v\u00e1rios professores da universidade, porque sempre estive aberto a aprender, a adquirir novos conhecimentos. Mas, como gosto de esportes, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o falar de Ayrton Senna, um brasileiro not\u00e1vel<\/p>\n<p><strong>Maior decep\u00e7\u00e3o: <\/strong>A Copa do Mundo de 1982. Eu era adolescente na \u00e9poca e me frustrei tanto que jurei nunca mais assistir a um jogo da sele\u00e7\u00e3o brasileira. Mas assisto, mesmo sem muita empolga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Maior realiza\u00e7\u00e3o: <\/strong>Ter me formado em Geologia e seguido carreira nessa profiss\u00e3o, que me permitiu pisar em rochas de todos os continentes do planeta e conhecer o mundo n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s de seus pontos tur\u00edsticos. Para um menino que saiu da ro\u00e7a foi uma evolu\u00e7\u00e3o muito grande. Por isso, eu acredito na educa\u00e7\u00e3o. Ela transforma o ser humano.<\/p>\n<p><strong>Um projeto: <\/strong>Deixar sucessores que sejam profissionais e l\u00edderes melhores que eu.<\/p>\n<p><strong>Um conselho aos jovens ge\u00f3logos: <\/strong>Acho que os jovens hoje s\u00e3o muito ansiosos, muito imediatistas. E, para crescer profissionalmente, \u00e9 preciso ganhar conhecimento, o que requer tempo. Mesmo que esse conhecimento agora esteja dispon\u00edvel de uma forma mais r\u00e1pida, atrav\u00e9s da IA (Intelig\u00eancia Artificial), por exemplo, a capacidade de percep\u00e7\u00e3o e de an\u00e1lise s\u00f3 \u00e9 obtida com o aprendizado ao longo da vida. Ent\u00e3o, recomendo que eles estejam sempre abertos a aprender e que trabalhem muito, com paix\u00e3o, com prazer e com dedica\u00e7\u00e3o. E sem pressa que, al\u00e9m de inimiga da perfei\u00e7\u00e3o, limita os nossos horizontes<\/p>\n<h5>Fotos: M\u00e1rcio Neves<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista \u00e0 In the Mine, Jones Belther, vice-presidente da Nexa, fala sobre inova\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e sustentabilidade na minera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":29262,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-29260","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-personalidade"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>UM GE\u00d3LOGO QUE SE TORNOU LIDERAN\u00c7A NO SETOR MINERAL - Revista In The Mine<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Em entrevista \u00e0 In the Mine, Jones 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