{"id":28745,"date":"2025-08-27T12:52:15","date_gmt":"2025-08-27T15:52:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/?p=28745"},"modified":"2025-08-27T12:52:15","modified_gmt":"2025-08-27T15:52:15","slug":"um-geologo-no-avanco-do-conhecimento-mineral-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/um-geologo-no-avanco-do-conhecimento-mineral-do-brasil\/","title":{"rendered":"UM GE\u00d3LOGO NO AVAN\u00c7O DO CONHECIMENTO MINERAL DO BRASIL"},"content":{"rendered":"<p>Muito por ser de Currais Novos, centro da minera\u00e7\u00e3o de tungst\u00eanio no pa\u00eds, como define a cidade, e n\u00e3o menos por influ\u00eancia do pai que viveu da atividade, ele se formou em 1980 como t\u00e9cnico em Geologia, indo trabalhar em uma empresa da De Beers, na Amaz\u00f4nia. Saiu para outras mineradoras e voltou \u00e0 produtora de diamantes no final da d\u00e9cada de 1990, j\u00e1 como ge\u00f3logo formado pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), onde tamb\u00e9m cursaria, alguns anos depois, o mestrado em Geoci\u00eancias e o doutorado em Geodin\u00e2mica e Geof\u00edsica.<\/p>\n<p>Em 2003 assumiu, como concursado, o cargo de ge\u00f3logo da ent\u00e3o Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM), atual Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (SGB), onde construiria sua carreira, hoje de 22 anos e contando. Na estatal, que conhece t\u00e3o bem quanto as in\u00fameras \u00e1reas geol\u00f3gicas que mapeou em campo e descreveu em relat\u00f3rios, foi chefe do Departamento de Recursos Minerais, entre 2010 e 2016, e desde 2023, \u00e9 o titular da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais (DGM).<\/p>\n<p>Francisco Valdir Silveira \u00e9 capaz de discorrer por dias sobre a diversidade de bens minerais do Brasil, n\u00e3o s\u00f3 dos conhecidos, como daqueles por descobrir, mapear e cubar. Jamais usando os complicados termos da Geologia, mas em linguagem fluida, clara e articulada, modulada pelo cativante sotaque potiguar, que mant\u00e9m inc\u00f3lume. E assim se passaram mais cerca de duas horas nesta entrevista exclusiva \u00e0 <strong>In the Mine<\/strong>.<\/p>\n<p>Nela, Valdir, como prefere ser chamado, fala das atribui\u00e7\u00f5es da DGM, de seus principais trabalhos realizados e em curso, das prioridades em mapeamentos e levantamentos, da cobertura atual do territ\u00f3rio brasileiro, incluindo sua plataforma continental, e dos entraves internos para sua expans\u00e3o &#8211; de m\u00e3o de obra, recursos e infraestrutura. Fala ainda da retomada dos levantamentos aerogeof\u00edsicos ap\u00f3s 10 anos, dos minerais cr\u00edticos e estrat\u00e9gicos, com destaque, como expert no assunto que \u00e9, para as terras raras. Tamb\u00e9m trata da famosa Eleva\u00e7\u00e3o Rio Grande, al\u00e9m de v\u00e1rios outros temas. Finaliza dizendo da necessidade de autocr\u00edtica pela minera\u00e7\u00e3o em sua forma de comunicar-se, para que o setor aprenda a falar para o mundo e n\u00e3o apenas para si mesmo. Aos jovens ge\u00f3logos assegura que t\u00eam a melhor profiss\u00e3o do mundo, mas que \u00e9 preciso dedicar-se a ela, estud\u00e1-la e abra\u00e7\u00e1-la com muito afinco e foco.<\/p>\n<p><strong>ITM<em>: <\/em><\/strong><em>Quais s\u00e3o as atribui\u00e7\u00f5es da Divis\u00e3o de Geologia e Recursos Minerais (DGM) do SGB?<\/em><\/p>\n<p><strong>Silveira:<\/strong> A DGM \u00e9 respons\u00e1vel pelo mapeamento geol\u00f3gico do Brasil e pela pesquisa de todos os recursos minerais do pa\u00eds. \u00c9 a institui\u00e7\u00e3o que tem obriga\u00e7\u00e3o de gerar conhecimento em geologia b\u00e1sica e em recursos minerais, na forma de dados de qualidade e dispon\u00edveis de forma p\u00fablica para toda a sociedade. S\u00e3o duas \u00e1reas complementares porque os recursos minerais se apropriam do conhecimento da geologia b\u00e1sica.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong><em>Entre os trabalhos mais recentes da diretoria, quais o senhor destacaria?<\/em><\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Temos v\u00e1rios projetos importantes de mapeamento geol\u00f3gico realizados nos \u00faltimos anos, al\u00e9m das folhas cartogr\u00e1ficas, em escala 1:100.000, e acabamos de lan\u00e7ar uma s\u00e9rie de mapas regionais, al\u00e9m da atualiza\u00e7\u00e3o do mapa geol\u00f3gico do Brasil e da participa\u00e7\u00e3o recente na elabora\u00e7\u00e3o do mapa da Am\u00e9rica do Sul. S\u00e3o produtos extremamente relevantes para construir o alicerce do conhecimento geol\u00f3gico. Al\u00e9m disso, temos os projetos de recursos minerais focados em \u00e1reas onde h\u00e1 ind\u00edcios de ocorr\u00eancias minerais de ur\u00e2nio, grafite, l\u00edtio e terras raras. Esse trabalho, iniciado em 2011, quando eu era chefe do Departamento de Recursos Minerais e est\u00e1vamos lan\u00e7ando o Plano Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (PNM) 2030, j\u00e1 contemplava minerais hoje em voga, como o L\u00edtio Brasil e o Terras Raras Brasil. Tivemos tamb\u00e9m o projeto Diamante Brasil, estrat\u00e9gico para sondagens na ind\u00fastria petrol\u00edfera.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Como s\u00e3o definidas as subst\u00e2ncias estudadas?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Apesar do valor do ouro e do min\u00e9rio de ferro, por exemplo, o SGB prioriza as commodities de interesse nacional, embora todas as que vierem para nossa cesta sejam estudadas, porque esse \u00e9 o nosso papel. \u00c9 uma cesta potencial porque um mineral pode ter sua import\u00e2ncia revelada apenas daqui a cinco ou 10 anos. Parafraseando o presidente Lula, que costuma dizer que \u00e9 um \u201ccara de sorte\u201d, eu diria que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds de muita sorte por ter todos os ambientes geol\u00f3gicos prop\u00edcios \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mais de 90 bens minerais. Posso dizer que n\u00e3o h\u00e1 um estado brasileiro que n\u00e3o tenha potencial mineral. Ocorre apenas que esse potencial ainda n\u00e3o foi descoberto. Minas Gerais e Bahia s\u00e3o hoje grandes players da minera\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o significa que o Acre ou o Amazonas n\u00e3o o sejam quando forem conhecidos.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Estatais como a CBPM (Cia.Baiana de Pesquisa Mineral) tiveram um grande papel na expans\u00e3o desse conhecimento.<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Exatamente. Sempre junto com o SGB, assim como a Metamig (Metais de Minas Gerais). Infelizmente, a maioria das estatais de pesquisa mineral foi sucateada ou extinta. Sem pensar, mataram a galinha dos ovos de ouro. Para mim foi um crime de lesa-p\u00e1tria ou lesa-estado, porque o acervo t\u00e9cnico gigantesco dessas empresas foi perdido sem ser repassado a outros \u00f3rg\u00e3os ou institui\u00e7\u00f5es que pudessem mant\u00ea-lo. Ou seja, muitos milh\u00f5es de reais foram jogados fora.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Voltando aos trabalhos realizados pela DGM, quais resultaram em novos projetos de minera\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Um case de sucesso \u00e9 o Projeto L\u00edtio, no Vale do Jequitinhonha, iniciado por um colega de Minas Gerais, em 2012, com um or\u00e7amento de menos de R$ 2 milh\u00f5es. Apesar de j\u00e1 termos a CBL (Cia.Brasileira de L\u00edtio), havia somente cerca de 280 alvar\u00e1s de pesquisa na regi\u00e3o. Com o lan\u00e7amento do projeto, em 2016, foram solicitados entre 3 mil e 4 mil alvar\u00e1s, sendo que a ANM (Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o) arrecadou em torno de R$ 42 milh\u00f5es s\u00f3 em leil\u00f5es de \u00e1reas, muito mais que o que gastamos. Essa \u00e9 a dimens\u00e3o do retorno que o SGB pode trazer ao pa\u00eds. Outro exemplo \u00e9 o Projeto Borborema, no Nordeste do Brasil, que lan\u00e7amos em 2021 e que tamb\u00e9m foi objeto de um volume enorme de processos.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Atualmente, quais os principais trabalhos em curso?<\/p>\n<p><strong>Silveira<\/strong>: Quando assumi a diretoria do DGM, o ministro (de Minas e Energia) Alexandre Silveira me disse que precisava ter uma radiografia do setor mineral no Brasil. Essa tarefa, realizada por nossa equipe, acabou resultando no PlanGeo, que \u00e9 o Plano Decenal de Mapeamento Geol\u00f3gico do SGB, com todos os trabalhos que executamos dispon\u00edveis para download, al\u00e9m dos planos anuais que est\u00e3o em desenvolvimento. Nesse caso, com dados sobre a data de in\u00edcio dos projetos, equipe envolvida, localiza\u00e7\u00e3o, escopo, custo e prazo de conclus\u00e3o, entre outros. Tamb\u00e9m projetamos o cen\u00e1rio para os pr\u00f3ximos 10 anos. Tudo ao alcance de um clique.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>E quais s\u00e3o os principais projetos?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Hoje, temos uma carteira de projetos voltada \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e \u00e0 seguran\u00e7a alimentar. No primeiro caso, em dom\u00ednios geol\u00f3gicos cujo potencial j\u00e1 conhecemos. Falamos de ur\u00e2nio na Bahia, Tocantins, Par\u00e1 e Goi\u00e1s; terras raras em Rond\u00f4nia, sul da Bahia, Minas Gerais, S\u00e3o Paulo, Rio Grande do Sul e na borda da Bacia do Parna\u00edba, no Piau\u00ed; e grafite no sul da Bahia e norte do Tocantins. No segundo caso, est\u00e3o o fosfato e pot\u00e1ssio, principalmente nas bacias sedimentares do pa\u00eds onde as chances de ocorr\u00eancia s\u00e3o maiores. Al\u00e9m disso, hoje, tanto a corrida espacial quanto a armamentista dependem de minerais. \u00c9 a\u00ed que entra o nosso tungst\u00eanio, o ber\u00edlio, o t\u00e2ntalo, o ni\u00f3bio, o ferro, o mangan\u00eas, o cobre e o alum\u00ednio, caracter\u00edsticos n\u00e3o apenas do Brasil, mas de toda a Am\u00e9rica do Sul. Para aproveitar esses bens minerais precisamos investir em pesquisa e, principalmente, no desenvolvimento de processos para a cadeia produtiva, o que se faz investindo em universidades e institutos de pesquisa.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Qual \u00e9 a taxa de cobertura do mapeamento geol\u00f3gico do Brasil?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>O Brasil tem cobertura nas escalas 1:250.000 e 1:100.000. Para os 8,5 milh\u00f5es km<sup>2<\/sup> continentais do Brasil, nossa cobertura, na escala 1:250.000, est\u00e1 em torno de 51%, um aumento de 2% em rela\u00e7\u00e3o a 2024, e chega aos 30% na escala 1:100.000, um aumento de 3%. Mas existe um fator extremamente relevante a ser considerado, que \u00e9 a divis\u00e3o do pa\u00eds em dois grandes dom\u00ednios geol\u00f3gicos: o das rochas cristalinas e o das rochas sedimentares.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>E qual o reflexo dessa divis\u00e3o nos mapeamentos?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>No caso das bacias sedimentares, a pesquisa mineral era prerrogativa da ANP (Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo). Se exclu\u00edmos essas \u00e1reas, considerando apenas as \u00e1reas cristalinas, que s\u00e3o as de maior interesse mineral, temos cerca de 70% de cobertura na escala 1:250.000 e de 45% na escala 1:100.000. Mas, como agora tamb\u00e9m cuidamos das bacias sedimentares, ainda temos 70% do pa\u00eds a ser conhecido em escala 1:100.000. que \u00e9 a mais utilizada pela ind\u00fastria. Assim sendo, com a mesma for\u00e7a de trabalho e recursos atuais, o SGB levaria cerca de 110 anos para mapear o Brasil, na escala 1:100.000. A n\u00e3o ser que tenhamos uma pol\u00edtica de estado focada nesse objetivo.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>E no caso dos mapeamentos mais detalhados, de 1:50.000?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Por falta de for\u00e7a de trabalho e recursos, o mapeamento nessa escala n\u00e3o \u00e9 um objetivo do SGB. Cada folha 1:100.000 \u00e9 dividida em 4 partes na escala 1:50.000, devido ao aumento da resolu\u00e7\u00e3o e do maior volume de informa\u00e7\u00f5es sobre a \u00e1rea. Ent\u00e3o, os mesmos dois ge\u00f3logos que trabalham em uma folha 1:100.00 durante 2 anos, ser\u00e3o necess\u00e1rios para uma folha 1:50.000 no mesmo per\u00edodo. J\u00e1 fizemos alguns trabalhos nessa escala e na de 1:25.000, mas foram projetos muito pontuais, em distritos mineiros e em prov\u00edncias minerais, que representam menos de 1% do pa\u00eds. Ali\u00e1s, essas escalas n\u00e3o est\u00e3o entre os objetivos de nenhum servi\u00e7o geol\u00f3gico do mundo. Mesmo os EUA e o Canad\u00e1 est\u00e3o focados na escala 1:100.000, com projetos isolados ou muito localizados em escalas menores.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Quais s\u00e3o as \u00e1reas consideradas nessas escalas menores?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>N\u00f3s definimos prioridades no PlanGeo, obedecendo ao PPA, o plano plurianual de trabalho do governo federal, para \u00e1reas onde sabemos haver potencial mineral. Como a expans\u00e3o do Quadril\u00e1tero Ferr\u00edfero (MG) e da prov\u00edncia mineral de Caraj\u00e1s (PA), Borborema, Tocantins, Bahia, Vale do Ribeira (SP\/PR), Mato Grosso e Rond\u00f4nia. Dessa forma, buscamos pincelar as famosas ARIMs (\u00c1reas de Relevante Interesse Mineral), sem esquecer o que chamamos de novas fronteiras, onde h\u00e1 potencial, mas n\u00e3o h\u00e1 conhecimento. \u00c9 o caso da regi\u00e3o do Crato (CE), Amazonas e do Escudo das Guianas, nas regi\u00f5es de Roraima e do Amap\u00e1.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>E quanto ao conhecimento da plataforma continental?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Esse \u00e9 um outro pa\u00eds gigantesco, com 5,7 milh\u00f5es km<sup>2<\/sup>, onde estamos trabalhando na escala 1:1.000.000 e sobre o qual possu\u00edmos baix\u00edssimo conhecimento. Nesse caso, tamb\u00e9m temos alguns projetos focados como o Projeto Fosforita, na costa de Santa Catarina, e o Projeto ERG (Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande), a 1.300 km da costa do Rio Grande do Sul. No caso da ERG, participamos de v\u00e1rias expedi\u00e7\u00f5es, somando mais de 500 dias de mar, e coletamos mais de 17 t de amostras, que est\u00e3o em nossa litoteca. Entre elas, um cont\u00eainer refrigerado com amostras de seres vivos. O maior acervo de dados prim\u00e1rios da plataforma continental do Brasil \u00e9 o nosso. O pesquisador, Eug\u00eanio Fraz\u00e3o, que chamo de nosso \u201caquanauta\u201d, por exemplo, mergulhou a 4,2 mil m de profundidade, em 2013, com apoio do submers\u00edvel Shinkai 6500, em uma parceria com a Ag\u00eancia Japonesa de Ci\u00eancia e Tecnologia da Terra e do Mar (Jamstec), para pesquisar a ERG.\u00a0Ali\u00e1s, um dos primeiros trabalhos de geologia marinha no Brasil foi feito pelo SGB, junto com o antigo DNPM (atual ANM) e a Petrobras, em 1976, na margem equatorial, onde hoje temos um trabalho sistem\u00e1tico.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Onde ocorre esse trabalho na margem equatorial?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>No ano passado percorremos a costa do Rio Grande do Norte at\u00e9 o Cear\u00e1 e estivemos nas bacias do Maranh\u00e3o e do Amazonas. Trabalhamos em toda a Costa Leste, em projetos na plataforma oce\u00e2nica profunda, como os de sulfetos met\u00e1licos da Cordilheira Mesoce\u00e2nica. Na pr\u00f3pria cordilheira, no Arquip\u00e9lago de S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo (PE), temos feito levantamentos em<br \/>\n\u00e1reas aonde se sup\u00f5e a presen\u00e7a de corais. No entanto, temos constatado a morte desses corais, efeito da \u00faltima glacia\u00e7\u00e3o, h\u00e1 cerca de 10 mil anos. Tamb\u00e9m estivemos na Foz do Rio Jequitinhonha (MG\/BA) para estabelecer a rela\u00e7\u00e3o dessa \u00e1rea com os dep\u00f3sitos diamant\u00edferos do Rio Orange, na Costa Oeste da \u00c1frica. Nessas expedi\u00e7\u00f5es marinhas j\u00e1 treinamos mais de 30 pesquisadores internacionais e j\u00e1 tivemos mais de 100 estudantes e professores brasileiros embarcados. Na \u00faltima campanha, inclusive, com pesquisadores de Biomedicina da Universidade Federal do Piau\u00ed (UFPI), para a coleta de amostras de seres vivos visando o desenvolvimento de vacinas contra o c\u00e2ncer.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Quais s\u00e3o os principais entraves que inviabilizam a amplia\u00e7\u00e3o da cobertura geol\u00f3gica do Brasil pela DGM?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Somos um pa\u00eds de 14,2 milh\u00f5es km<sup>2<\/sup>, entre territ\u00f3rio e plataforma continental, com uma enorme diversidade geol\u00f3gica que produz desafios regionais. H\u00e1 muita diferen\u00e7a em trabalhar ao longo do litoral e na Amaz\u00f4nia. Apesar da enorme cobran\u00e7a para realizarmos esse trabalho gigantesco, ela n\u00e3o se reflete em aumento de pessoal e de recursos, simultaneamente.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Essas s\u00e3o as demandas ent\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>N\u00e3o s\u00f3. Tamb\u00e9m precisamos de infraestrutura, de ferramentas adicionais. A Aerogeof\u00edsica, a Geoqu\u00edmica e o Sensoriamento Remoto, por exemplo, reduziram o tempo de elabora\u00e7\u00e3o dos mapas de 1:100.000 de oito para apenas dois anos. Outro exemplo \u00e9 que, embora o mapeamento geol\u00f3gico continue sendo uma atividade muito artesanal, que demanda um ge\u00f3logo em campo para quebrar a rocha, trazer a amostra e fazer sua descri\u00e7\u00e3o, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel contar com um drone para filmar os afloramentos. O SGB deve ser tratado como institui\u00e7\u00e3o de estado e n\u00e3o de governo, por ser extremamente relevante para um pa\u00eds que se tornou o centro das aten\u00e7\u00f5es do planeta, no que diz respeito a seus recursos naturais e clima, como disse recentemente Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA. Precisamos de ge\u00f3logos, de recursos contingenciados e de mais parcerias com estados que ainda t\u00eam servi\u00e7os geol\u00f3gicos ou assemelhados, com academias e com os institutos federais que formam t\u00e9cnicos em minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>A quest\u00e3o da infraestrutura envolve apenas novas tecnologias?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>N\u00e3o. Precisamos tamb\u00e9m de infraestrutura laboratorial e log\u00edstica. Na Amaz\u00f4nia, precisamos de helic\u00f3ptero, barcos e carros, al\u00e9m de drones, por exemplo. Nossos interlocutores parecem n\u00e3o entender a dimens\u00e3o de nosso trabalho e a necessidade de toda essa parafern\u00e1lia para fazer um mapa geol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>O regime do SGB \u00e9 de servidores concursados ou h\u00e1 uma parcela que pode ser contratada?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Nosso regimento disp\u00f5e que os profissionais do quadro efetivo sejam concursados. Mas podemos ter um percentual de Fun\u00e7\u00f5es Gratificadas, que admite contrata\u00e7\u00f5es sem concurso para coordena\u00e7\u00e3o executiva e assessoria dos diretores, o que n\u00e3o resolve nosso problema. Na DGM, hoje, tenho tr\u00eas profissionais t\u00e9cnicos bastante qualificados ocupando essas fun\u00e7\u00f5es. Em breve, tamb\u00e9m devemos ter um concurso com 120 vagas, mas apenas 20 delas s\u00e3o para nossa diretoria, porque a divis\u00e3o foi equ\u00e2nime entre todas as \u00e1reas do SGB, sem considerar a import\u00e2ncia de uma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras. De toda forma, preciso muito dessas vagas e terei um quadro reserva de 10 concursados para cada uma. Ent\u00e3o, vou apostar que terei mais 200 ge\u00f3logos. Hoje eu tenho 277 ge\u00f3logos e um or\u00e7amento de R$ 50 milh\u00f5es para o ano.\u00a0 Tamb\u00e9m tenho um contrato de servi\u00e7os de Aerogeof\u00edsica para cobrir 1 milh\u00e3o km lineares j\u00e1 licitado, no valor de cerca de R$ 700 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Onde esses servi\u00e7os ser\u00e3o aplicados?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Vamos come\u00e7ar pelo Tocantins, voando cerca de 20 mil km. Ser\u00e1 o primeiro levantamento aerogeof\u00edsico do Brasil em uma d\u00e9cada. O \u00faltimo foi realizado em 2015, ap\u00f3s um per\u00edodo exitoso que come\u00e7ou em 2008, quando quase cobrimos o pa\u00eds inteiro, principalmente nas \u00e1reas de bacias sedimentares. Agora, pretendemos terminar a cobertura dessas bacias e completar a das \u00e1reas cristalinas, em torno de 8%. \u00c9 um programa que nos permitir\u00e1 avan\u00e7ar muito em termos de recursos minerais, mesmo em \u00e1reas\u00a0 ainda n\u00e3o mapeadas.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Qual prioridade tem sido dada a minerais cr\u00edticos e estrat\u00e9gicos?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Antes de mais nada, eu gostaria de deixar claro que, para o Brasil, todos os minerais s\u00e3o estrat\u00e9gicos. Nossa criticidade est\u00e1 no fosfato e no pot\u00e1ssio. Com o objetivo de atender o agroneg\u00f3cio, temos buscado indicativos desses minerais e tamb\u00e9m de rochas enriquecidas em pot\u00e1ssio para rochagem na recomposi\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas. Outra linha \u00e9 a dos minerais portadores de futuro ou minerais da alta tecnologia como grafita, l\u00edtio, t\u00e2ntalo e terras raras. H\u00e1 tamb\u00e9m aqueles com grandes dep\u00f3sitos e reservas, que asseguram vantagens econ\u00f4micas para o Brasil e impactam nossa balan\u00e7a comercial como o ferro, o ouro e o ni\u00f3bio. Inclusive, podemos inserir os minerais portadores de futuro no grupo de minerais com vantagens econ\u00f4micas porque temos a segunda maior reserva de terras raras do mundo e a sexta maior de l\u00edtio.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Com o suposto interesse dos EUA em nossas terras raras, o que o senhor acha das declara\u00e7\u00f5es do governo \u00e0 imprensa de que desconhecemos onde estariam esses dep\u00f3sitos?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Eu falo de terras raras com muita propriedade por ser autor ou coautor de tr\u00eas bibliografias sobre o tema. Em uma delas, \u201cAvalia\u00e7\u00e3o do Potencial de Terras Raras do Brasil\u201d, do qual sou coautor com meus colegas Lucy Takehara, Issao Shintaku e D\u00e9bora Matos Rabelo, publicada em 2015, j\u00e1 traz\u00edamos entre 12 e 15 dep\u00f3sitos de terras raras conhecidos desde os anos 1970, com reservas cubadas. Ali\u00e1s, at\u00e9 meados dos anos 1990, o Brasil era uma pot\u00eancia no desenvolvimento da cadeia produtiva desses minerais, inclusive em est\u00e1gio mais avan\u00e7ado que a China. Mas, na \u00e9poca, eles tinham pouca aplica\u00e7\u00e3o e os trabalhos cient\u00edficos foram descontinuados. O fato \u00e9 que todas as rochas da Terra cont\u00eam Elementos Terras Raras (ETRs), embora em concentra\u00e7\u00f5es muito baixas na maioria das vezes. Quando se concentram em algumas situa\u00e7\u00f5es pelo intemperismo, por exemplo, os teores s\u00e3o mais altos. Infelizmente ainda h\u00e1 um grande desconhecimento sobre o assunto, inclusive pelos EUA. A Serra Verde Pesquisa e Minera\u00e7\u00e3o (SPVM), em Mina\u00e7u (GO), \u00fanica produtora de terras raras no Brasil, \u00e9 controlada por uma empresa norte-americana e vende sua produ\u00e7\u00e3o para a China.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>No entanto, a quest\u00e3o com os EUA chamou a aten\u00e7\u00e3o da sociedade em geral para as terras raras e, por extens\u00e3o, para a pr\u00f3pria minera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Sem qualquer d\u00favida. O SGB agradece imensamente por terem trazido esse tema para a mesa de negocia\u00e7\u00e3o. A forma como ele ser\u00e1 tratado vai determinar nossa rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 com os EUA, como com o mundo inteiro daqui para a frente. Acho, inclusive, que toda a Am\u00e9rica Latina deveria se unir e usar seus bens minerais como moeda de troca. Ali\u00e1s, no PDAC (evento global de explora\u00e7\u00e3o mineral e minera\u00e7\u00e3o realizado anualmente no Canad\u00e1), o destaque n\u00e3o foram as terras raras, mas o alum\u00ednio e o cobre para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. A verdade \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 minerais suficientes para atender a demanda mundial e a economia circular ter\u00e1 um papel importante nesse processo. O SGB tem um projeto com essa finalidade, a partir do estudo de rejeitos de minera\u00e7\u00e3o, avaliando o que poder\u00e1 ser aproveitado tanto em minas ativas quanto em passivos do setor.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Onde se localizam as principais ocorr\u00eancias de minerais estrat\u00e9gicos?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Minas Gerais, at\u00e9 pelo conhecimento geol\u00f3gico amplo de seu territ\u00f3rio, \u00e9 o estado com maior potencial para terras raras, ni\u00f3bio, l\u00edtio, tit\u00e2nio, ur\u00e2nio, diamante etc. A Bahia vem na sequ\u00eancia, seguida do Par\u00e1 e Goi\u00e1s. O Tocantins, embora muito desconhecido, \u00e9 uma janela de oportunidades. A borda da Bacia do Maranh\u00e3o (MA) tamb\u00e9m tem um potencial gigantesco, como demonstrado em trabalhos recentes que realizamos, para fosfato, terras raras e ur\u00e2nio.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Voltando \u00e0 Eleva\u00e7\u00e3o Rio Grande, cujo controle est\u00e1 sendo reivindicado pelo governo brasileiro, quais s\u00e3o as subst\u00e2ncias minerais contidas nessa \u00e1rea?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>As principais s\u00e3o cobalto e n\u00edquel, mas existe potencial para terras raras e g\u00e1s natural. Neste segundo caso, encontramos estruturas gigantescas de escape de gases, tipo crateras, com cerca de 100 km de di\u00e2metro. Toda a massa de dados que produzimos na ERG \u2013 levantamentos geof\u00edsicos, sonogr\u00e1ficos e fotogr\u00e1ficos al\u00e9m da coleta de amostras \u2013 foi entregue \u00e0 Marinha do Brasil, que \u00e9 a respons\u00e1vel pelas \u00e1reas mar\u00edtimas e tem sido uma grande parceira do SGB. O navio de pesquisa Vit\u00f3rio de Oliveira, que utilizamos nesses trabalhos, pertence a 4 institui\u00e7\u00f5es &#8211; Marinha, Petrobras, MCTI e SGB, que se revezam durante o ano para realizar suas expedi\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m das nossas pr\u00f3prias viagens, por vezes somos convidados para apoiar trabalhos da Petrobras, por exemplo. \u00c9 dessa forma que vamos continuar a adquirir dados prim\u00e1rios de toda a margem continental do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Apenas para deixar claro, a reivindica\u00e7\u00e3o da ERG \u00e9 resultado direto das pesquisas do SGB?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Exatamente, porque nas amostras coletadas identificamos a presen\u00e7a de rochas do continente e n\u00e3o de crosta oce\u00e2nica. O que demonstra que temos ali uma parte do nosso continente que se desprendeu e submergiu quando a Am\u00e9rica do Sul se separou da \u00c1frica e da Ant\u00e1rtica. Nossas pesquisas foram autorizadas pela ISBA (Autoridade Internacional de Fundos Marinhos) e, com base nelas, a Marinha e o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (MRE) est\u00e3o reivindicando a \u00e1rea.<\/p>\n<p><strong>ITM: <\/strong>Como est\u00e3o os leil\u00f5es p\u00fablicos de \u00e1reas do SGB?<\/p>\n<p><strong>Silveira<\/strong>: Em 2024 realizamos os leil\u00f5es do Diamante de Santo In\u00e1cio (BA), Fosfato de Miriri (PB\/PE), Ouro de Natividade (TO) e da Gipsita de Aveiro (PA). Fizemos tamb\u00e9m o de Caulim do Rio Capim (PA), por duas vezes, mas como n\u00e3o houve interessados, haver\u00e1 uma nova licita\u00e7\u00e3o. Percebemos que os leil\u00f5es n\u00e3o t\u00eam tido tanta atratividade e estudamos mudar o modelo atual, reunindo todas as \u00e1reas remanescentes que temos para fazer uma parceria com a B3 (bolsa de valores brasileira) e realizar leil\u00f5es eletr\u00f4nicos, no mesmo formato que a ANM adotou para suas \u00e1reas. Devemos fazer uma consulta ao TCU para avaliar essa possibilidade.<\/p>\n<p><strong>ITM:<\/strong> Para concluir, eu gostaria de saber, em sua avalia\u00e7\u00e3o, se falta reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o do papel da DGM e do pr\u00f3prio SGB no desenvolvimento da minera\u00e7\u00e3o brasileira?<\/p>\n<p><strong>Silveira: <\/strong>Eu tenho refletido muito sobre essa quest\u00e3o. Principalmente ap\u00f3s a \u00faltima reuni\u00e3o da ASGMI (Associa\u00e7\u00e3o Ibero-Americana de Servi\u00e7os de Geologia e Minera\u00e7\u00e3o), em Cusco, no Peru, em abril deste ano. Um dos temas do encontro foi a comunica\u00e7\u00e3o do setor mineral, geralmente feita para o pr\u00f3prio setor. Considerou-se, ent\u00e3o, que a minera\u00e7\u00e3o deve fazer uma autocr\u00edtica desse processo e aprender a dialogar com toda a sociedade. \u00c9 preciso estar aberto e ter a coragem de defender a minera\u00e7\u00e3o em p\u00fablico, de trazer a sua import\u00e2ncia para o debate. N\u00e3o d\u00e1, por exemplo, para n\u00e3o discutir com o Ibama (\u00f3rg\u00e3o ambiental do governo federal) porque l\u00e1 s\u00f3 tem ambientalista. Nesse cen\u00e1rio, jornalistas, como formadores de opini\u00e3o, s\u00e3o muito importantes para dar espa\u00e7o ao posicionamento da minera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a v\u00e1rios temas da atualidade. Para mim, n\u00e3o existe tema que n\u00e3o possa ser discutido.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Francisco-Valdir-Silveira-2-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-28748\" src=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Francisco-Valdir-Silveira-2-1.jpg\" alt=\"Francisco Valdir Silveira 2\" width=\"700\" height=\"1051\" srcset=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Francisco-Valdir-Silveira-2-1.jpg 700w, https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Francisco-Valdir-Silveira-2-1-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Francisco-Valdir-Silveira-2-1-682x1024.jpg 682w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Perfil<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nasceu em: <\/strong>1\u00ba de janeiro de 1960, em Cerro Cor\u00e1, interior do Rio Grande do Norte (RN), \u201cum centro da minera\u00e7\u00e3o de tungst\u00eanio\u201d<br \/>\n<strong>Mora em: <\/strong>Natal (RN)<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica: <\/strong>T\u00e9cnico em Geologia e Ge\u00f3logo, com mestrado em Geoci\u00eancias e doutorado em Geodin\u00e2mica e Geof\u00edsica,\u00a0pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)<br \/>\n<strong>Trajet\u00f3ria profissional<\/strong>: T\u00e9cnico em Geologia na SOPEMI Pesquisa e Explora\u00e7\u00e3o de Min\u00e9rios, do grupo De Beers (1981-1986), Paulo Abib Engenharia (1987-1988), Jacobina Minera\u00e7\u00e3o e Com\u00e9rcio (1989-1990) e Minera\u00e7\u00e3o Bod\u00f3 (1990-1995). Estagi\u00e1rio em Geologia na Petrobras (1995). Ge\u00f3logo na De Beers (1997-1999). Ge\u00f3logo concursado no SGB (2003\/&#8230;). Chefe do Departamento de Recursos Minerais do SGB (2010-2016). Diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB (2023\/&#8230;)<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia: <\/strong>Sou muito bem casado e tenho 2 filhos: uma filha dentista, que me deu duas netas, e um filho m\u00e9dico, que me deu duas netas e um neto<\/p>\n<p><strong>Time de futebol: <\/strong>Fluminense e o Am\u00e9rica de Natal, que \u00e9 do cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Hobby: <\/strong>Gosto de fazer trilha em montanhas. J\u00e1 fiz v\u00e1rias nos Andes<\/p>\n<p><strong>Um mestre ou \u00eddolo: <\/strong>Tenho ambos. Meu mestre \u00e9 meu pai, Francisco Sales<\/p>\n<p>Silveira, que faleceu h\u00e1 dois anos. Era analfabeto e nasceu e viveu na minera\u00e7\u00e3o. Disse em minha disserta\u00e7\u00e3o de doutorado que \u201cna sabedoria da ignor\u00e2ncia, ele me fez estudar\u201d. Meu \u00eddolo \u00e9 Ayrton Senna<\/p>\n<p><strong>Maior decep\u00e7\u00e3o: <\/strong>Os senhores da guerra, que n\u00e3o t\u00eam cogni\u00e7\u00e3o, est\u00e3o fora do razo\u00e1vel e se encapsulam nesse contexto<\/p>\n<p><strong>Maior realiza\u00e7\u00e3o: <\/strong>Ter tido a oportunidade de estudar. Sou um produto disso<\/p>\n<p><strong>Um projeto de vida ou profissional:\u00a0 <\/strong>Ser \u00e9tico, justo, comprometido e praticar a arte de lidar com pessoas tirando o melhor delas, independente das diferen\u00e7as que possamos ter. E, neste momento, \u201cconstruir\u201d pessoas que sigam em frente no SGB. Estou terminando minha carreira<\/p>\n<p><strong>Um \u201cconselho\u201d a jovens ge\u00f3logos: <\/strong>A Geologia \u00e9 a melhor profiss\u00e3o do mundo, mas \u00e9 preciso ter dedica\u00e7\u00e3o, estudar e abra\u00e7\u00e1-la com muito afinco, muito foco. \u00c9 ela que possibilita tantas viagens pelo planeta. Sorte de quem \u00e9 ge\u00f3logo em pa\u00eds com tal diversidade geol\u00f3gica como o nosso<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Valdir Silveira fala das atribui\u00e7\u00f5es da DGM, seus principais trabalhos realizados e em curso, e das prioridades atuais <\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":28746,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-28745","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-personalidade"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>UM GE\u00d3LOGO NO AVAN\u00c7O DO CONHECIMENTO MINERAL DO BRASIL - Revista In The Mine<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Francisco Valdir Silveira fala das atribui\u00e7\u00f5es da DGM, seus principais trabalhos 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