{"id":23640,"date":"2023-10-30T10:43:48","date_gmt":"2023-10-30T13:43:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/?p=23640"},"modified":"2023-10-30T10:47:49","modified_gmt":"2023-10-30T13:47:49","slug":"a-consolidacao-do-litio-no-brasil-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/a-consolidacao-do-litio-no-brasil-parte-i\/","title":{"rendered":"A CONSOLIDA\u00c7\u00c3O DO L\u00cdTIO NO BRASIL &#8211; (Parte I)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Mathias Heider e David Fonseca Siqueira<\/strong><br \/>\n<strong><span style=\"font-size: 13.3333px;\">\u00a0(Especialistas em Recursos Minerais da ANM)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>O \u201cboom\u201d do l\u00edtio deu in\u00edcio a uma corrida mundial por dep\u00f3sitos, atraindo pesos pesados \u200b\u200bda minera\u00e7\u00e3o, fabricantes de autom\u00f3veis e fabricantes de baterias que est\u00e3o em busca de acordos (compra e garantia de fornecimento) avaliando, inclusive, participa\u00e7\u00e3o em projetos (desde a etapa de pesquisa mineral at\u00e9 minas em fase de produ\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Outrora considerado um metal de nicho, usado principalmente em cer\u00e2mica e produtos farmac\u00eauticos, o l\u00edtio \u00e9 agora um dos metais mais procurados no mundo, consideradas suas aplica\u00e7\u00f5es, predominantemente nas baterias. Na medida em que se mostram mais presentes a criticidade do risco geopol\u00edtico e a vulnerabilidade de abastecimento, se avolumam movimentos de busca de novas fontes de fornecimento.<\/p>\n<p>O mercado global de\u00a0ve\u00edculos el\u00e9tricos, previsto para atingir venda anual de 40 milh\u00f5es a 50 milh\u00f5es de unidades em 2030, tornou o Vale do Jequitinhonha, em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/minas-gerais-estado\/\"><strong>Minas Gerais<\/strong><\/a>, uma regi\u00e3o extremamente atrativa para\u00a0 extra\u00e7\u00e3o de l\u00edtio, min\u00e9rio essencial para as baterias, hoje j\u00e1 chamado de \u201couro branco\u201d por causa da alta demanda e valor. <a href=\"https:\/\/www.goldmansachs.com\/insights\/pages\/electric-vehicles-are-forecast-to-be-half-of-global-car-sales-by-2035.html\"><strong>A Goldman Sachs Research<\/strong><\/a>\u00a0prev\u00ea que as vendas de ve\u00edculos el\u00e9tricos (VEs) saltar\u00e3o para 73 milh\u00f5es de unidades em 2040.<\/p>\n<p>Cabe destacar a demanda do l\u00edtio para uma ampla variedade de baterias (incluindo acumuladores estacion\u00e1rios de energia para suporte da energia solar e e\u00f3lica e mobilidade urbana). Novas fontes de fornecimento de l\u00edtio (argilas e evaporitos), novos projetos, reciclagem, maior efici\u00eancia das baterias atuais e novas tecnologias para sua fabrica\u00e7\u00e3o, a partir de novas composi\u00e7\u00f5es minerais, podem reduzir a press\u00e3o de fornecimento para o l\u00edtio.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>Atualidades do l\u00edtio<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Conforme dados do Departamento Australiano de Ind\u00fastria, Ci\u00eancia e Recursos apresentados em Relat\u00f3rio Trimestral de Recursos e Energia, de mar\u00e7o de 2023, a produ\u00e7\u00e3o global dever\u00e1 aproximar-se de 1 milh\u00e3o de toneladas de carbonato de l\u00edtio equivalente (LCE), ao final de 2023 (737 mil toneladas em 2022), e atingir cerca de 1,2 milh\u00e3o de toneladas em 2024.<\/p>\n<p>Segundo estimativas da AIE (International Enercy Agency), para cumprir os objetivos do Acordo de Paris, os setores que contribuem para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica verde ser\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpor mais de 45% da demanda total de cobre, 61% de n\u00edquel, 69% de cobalto e impressionantes 92% da demanda por l\u00edtio at\u00e9 2040.<\/p>\n<p>Em 2022 existiam cerca de 45 minas de l\u00edtio em opera\u00e7\u00e3o no mundo, prevendo-se que mais 11 entrariam em atividade nesse ano e outras 7 em 2024, de acordo com a Fastmarkets. Todavia,\u00a0esse ritmo est\u00e1 muito aqu\u00e9m do que seria necess\u00e1rio a fim de garantir um adequado abastecimento global.<\/p>\n<p>Ademais, inexistem instala\u00e7\u00f5es para fornecer insumos (carbonato de l\u00edtio\/hidr\u00f3xido de l\u00edtio) para as baterias ao longo da cadeia produtiva. A cadeia do l\u00edtio, desde a minera\u00e7\u00e3o at\u00e9 as baterias e reciclagem, pode atingir, em 2030, valores da ordem de US$ 400 bilh\u00f5es e uma capacidade equivalente a 4,7 TWh (terawatts\/hora), segundo a consultoria McKinsey. Ainda segundo a Mckinsey, ser\u00e3o necess\u00e1rias de 120 a 150 novas f\u00e1bricas de baterias de l\u00edtio at\u00e9 2030 para que o quadro global se equilibre.<\/p>\n<p>At\u00e9 2030, pelo menos 300 novas minas \u2013 para materiais como cobalto, cobre, grafite, l\u00edtio, n\u00edquel, elementos terras raras (REE) e van\u00e1dio \u2013 ter\u00e3o de entrar em opera\u00e7\u00e3o. Essa n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, especialmente tendo em conta o intervalo de tempo entre o comprometimento do capital, o desenvolvimento da mina e o in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um projeto <em>greenfield<\/em> (do zero) em minera\u00e7\u00e3o no Brasil demanda prazo que, em cen\u00e1rio favor\u00e1vel, pode levar de oito a dez anos at\u00e9 a obten\u00e7\u00e3o de todas as autoriza\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u2013 realidade que n\u00e3o diverge muito da externa ao pa\u00eds. Atuar na minera\u00e7\u00e3o, passando pelo beneficiamento qu\u00edmico at\u00e9 a manufatura das baterias, exige know-how (barreiras tecnol\u00f3gicas, Pesquisa &amp; Inova\u00e7\u00e3o, novas tecnologias, patentes e capacita\u00e7\u00e3o de recursos humanos) e investimentos que podem n\u00e3o atender ao pico da demanda, previsto para acontecer em 2030.<\/p>\n<p>Cabe destacar que os novos projetos s\u00e3o mais complexos, apresentam teores mais reduzidos e possuem menor porte, o que implica na eleva\u00e7\u00e3o dos custos de produ\u00e7\u00e3o e dos riscos (geol\u00f3gico, de caracteriza\u00e7\u00e3o, mercado, tecnologia, etc.), al\u00e9m das press\u00f5es inflacion\u00e1rias como custo de pessoal, energia e equipamentos. Todavia, j\u00e1 pode ser observado um cen\u00e1rio de eleva\u00e7\u00e3o da oferta de concentrado de l\u00edtio no mercado mundial. Estima-se a queda da participa\u00e7\u00e3o da Austr\u00e1lia de 50% da produ\u00e7\u00e3o global atual para 40% em 2025. Espera-se que a oferta do Chile e da China continue a crescer, al\u00e9m da Argentina, Bol\u00edvia, Canad\u00e1 e Zimbabu\u00e9. No Brasil, a m\u00e9dio prazo, a previs\u00e3o \u00e9 de expans\u00e3o da CBL (Companhia Brasileira de L\u00edtio), AMG Brasil e Sigma Lithium Resources.<\/p>\n<p>Com a oscila\u00e7\u00e3o da oferta e demanda, novos projetos e press\u00f5es geopol\u00edticas, \u00e9 observada uma volatilidade das cota\u00e7\u00f5es do l\u00edtio e seus produtos ao longo da cadeia produtiva. O valor da tonelada do hidr\u00f3xido de l\u00edtio recuou significativamente em 2023, passando de US$ 84 mil em 2022 para US$ 27 mil. \u00a0O valor da tonelada de concentrado de l\u00edtio (variando de 5,5% a 6% Li2O) atingiu US$ 8 mil em novembro de 2022, estando atualmente cotado entre US$ 2,7 mil e 3 mil (vide Gr\u00e1fico 01). O Bank of America (BofA) avalia cen\u00e1rio de excesso de oferta de l\u00edtio, cuja cota\u00e7\u00e3o pode atingir US$ 1,9 mil at\u00e9 2027.<\/p>\n<p>Em contraste com outros estudos, relat\u00f3rio do Morgan Stanley ainda observa um cen\u00e1rio de sustenta\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do l\u00edtio, em especial por depender de poucos pa\u00edses \u2013 70% do l\u00edtio do mundo vem da Austr\u00e1lia e do Chile e cerca de 60% do refino \u00e9 realizado na China. O mercado de baterias VE, que representa at\u00e9 40% do custo do carro, est\u00e1 se concentrando tamb\u00e9m na China (76% da produ\u00e7\u00e3o global).<\/p>\n<figure id=\"attachment_23641\" aria-describedby=\"caption-attachment-23641\" style=\"width: 558px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/grafico-litio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-23641 size-full\" src=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/grafico-litio.jpg\" alt=\"grafico-litio\" width=\"558\" height=\"502\" srcset=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/grafico-litio.jpg 558w, https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/grafico-litio-300x270.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 558px) 100vw, 558px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-23641\" class=\"wp-caption-text\">Gr\u00e1fico 01 &#8211; Cota\u00e7\u00f5es \u2013 Tonelada de Concentrado de L\u00edtio, base 6% Li2O (US$\/t)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Destaca-se ainda a cota\u00e7\u00e3o do hidr\u00f3xido de l\u00edtio pela LME (Bolsa de Valores de Londres), de contratos futuros, que proporciona \u00e0 ind\u00fastria uma importante ferramenta de gest\u00e3o de risco de pre\u00e7os. A maioria dos acordos de fornecimento de l\u00edtio entre montadoras e mineradoras era de longo prazo, com base nas avalia\u00e7\u00f5es das ag\u00eancias especializadas em cota\u00e7\u00f5es. Para as montadoras, o contrato futuro trar\u00e1 maior visibilidade e transpar\u00eancia aos pre\u00e7os, permitindo-lhes fazer opera\u00e7\u00f5es de hedge para proteger sua exposi\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 particularmente crucial em situa\u00e7\u00f5es em que os pre\u00e7os est\u00e3o em alta.<\/p>\n<p>Cabe destacar, ainda, a venda dos rejeitos da CBL e Sigma (finos de espodum\u00eanio) e subprodutos. Para exemplificar, o boom do l\u00edtio fez o lucro l\u00edquido da CBL crescer quase 12 vezes entre 2020 e 2022, de R$ 30,7 milh\u00f5es para R$ 357,9 milh\u00f5es, sendo que o faturamento cresceu de R$ 120,5 milh\u00f5es para R$ 668,1 milh\u00f5es. De 1\u00b0 de janeiro at\u00e9 meados de setembro de 2023, a extra\u00e7\u00e3o de l\u00edtio em Minas Gerais atingiu um valor de comercializa\u00e7\u00e3o da ordem de R$ 1.856 bilh\u00e3o, gerando R$ 37.335 milh\u00f5es de Compensa\u00e7\u00e3o Financeira pela Explora\u00e7\u00e3o Mineral (CFEM), enquanto o valor total em 2022 foi de R$ 1.456 bilh\u00e3o (R$ 29.244 milh\u00f5es de CFEM).<\/p>\n<p>A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, em 2021, o valor de comercializa\u00e7\u00e3o atingiu R$ 271 milh\u00f5es. Em 2018, quando praticamente somente a CBL atuava no mercado e o valor do l\u00edtio era bem mais reduzido, o valor comercializado era da ordem de R$ 75 milh\u00f5es, gerando R$ 301 mil de CFEM.<\/p>\n<p>A China incorporou o desenvolvimento de tecnologias avan\u00e7adas de baterias, conforme Plano Quinquenal para o Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social Nacional 2016\/2020 e o 14\u00ba Plano Quinquenal (2021 a 2025), tornando-se l\u00edder de produ\u00e7\u00e3o das baterias de \u00edon-l\u00edtio. A densidade energ\u00e9tica desse tipo de baterias aumentou de menos de 100 Wh\/kg (watts-hora\/quilograma) para mais de 300 Wh\/kg e seu ciclo de vida aumentou de cem vezes para mais de 10.000 vezes, enquanto o pre\u00e7o da c\u00e9lula caiu de mais de 5 yuan\/Wh a menos de 0,5 yuan\/Wh.\u00a0Em 2020, a China anunciou uma capacidade total de produ\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas de 567 GWh (Gigawatts\/hora),\u00a0respondendo por 76% da produ\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<p>A recente imposi\u00e7\u00e3o de barreiras para exporta\u00e7\u00e3o do g\u00e1lio e germ\u00e2nio adotada pela China em 2023, a exemplo do ocorrido com as terras raras em 2010, refor\u00e7a seu amplo poderio na quase totalidade dos minerais cr\u00edticos ao longo de toda a cadeia produtiva e sua capacidade atual e futura de usar esse fator nas suas disputas de mercados de alta tecnologia. A China vem construindo essa vantagem desde a d\u00e9cada de 1970, contando ainda com a falta de vis\u00e3o estrat\u00e9gica de diversas economias ocidentais, que inicialmente foram favorecidas com oferta de insumos com cota\u00e7\u00f5es mais reduzidas para suas ind\u00fastrias.<\/p>\n<p>Por outro lado, ocorreram a\u00e7\u00f5es relativas ao nacionalismo dos recursos naturais no Chile, Bol\u00edvia, Peru e M\u00e9xico (com nacionaliza\u00e7\u00e3o de empresas, aumento de taxas\/impostos e maior interven\u00e7\u00e3o\/participa\u00e7\u00e3o do estado). Quando um recurso natural ganha maior import\u00e2ncia estrat\u00e9gica e\/ou seu valor aumenta atrai interven\u00e7\u00e3o, elevando a inseguran\u00e7a jur\u00eddica e o controle estatal, o que pode impactar ainda mais a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e a oferta de insumos para atender \u00e0s empresas.<\/p>\n<p>O governo do\u00a0<a href=\"https:\/\/areferencia.com\/?s=canad%C3%A1\">Canad\u00e1<\/a>\u00a0determinou em 2022, que tr\u00eas empresas chinesas <em>(Sinomine Rare Metals Resources, Chengze Lithium International e Zangge Mining Investment) <\/em>encerrassem seus atuais investimentos na minera\u00e7\u00e3o de l\u00edtio, com a alega\u00e7\u00e3o de que a presen\u00e7a delas em um setor crucial, voltado a fontes de energia limpa, amea\u00e7ava a seguran\u00e7a nacional, segundo a ag\u00eancia\u00a0Reuters.<\/p>\n<p>O mercado de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es para o l\u00edtio est\u00e1 bastante ativo, seja interna ou internacionalmente. A Albemarle est\u00e1 tentando\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mining.com\/web\/albemarle-aims-to-close-buyout-of-liontown-by-mid-2024\/\">comprar a rival Liontown Resources<\/a>,\u00a0em um neg\u00f3cio da ordem de US$ 4,3 bilh\u00f5es. A companhia Zijin Mining\u00a0<a href=\"https:\/\/dialogo-americas.com\/es\/articles\/inversionistas-chinos-compiten-por-minas-de-litio-en-argentina\/\">adquiriu<\/a>\u00a0por US$ 770 milh\u00f5es a totalidade da canadense Neo Lithium, focada na explora\u00e7\u00e3o de l\u00edtio em Tres Quebradas, na Argentina, em outubro de 2021. A empresa chinesa Tianqi Lithium adquiriu 24% das a\u00e7\u00f5es da Sociedade Qu\u00edmica e Mineira do Chile (SQM), em 2018.<\/p>\n<p>No Brasil, o Decreto n\u00ba 11.120\/2022 retirou, em julho de 2022, o controle das exporta\u00e7\u00f5es de l\u00edtio e seus produtos da Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (CNEN), revogando os decretos n\u00bas 2.413\/1997 e 10.577\/2020. Tamb\u00e9m foram implementadas diversas pol\u00edticas p\u00fablicas de apoio priorizando os minerais cr\u00edticos. Cabe destacar a iniciativa denominada <a href=\"https:\/\/epbr.com.br\/brasil-se-lanca-no-mapa-global-do-litio\/\">Lithium Valley Brazil<\/a>, lan\u00e7ada em maio de 2023, marcando a entrada do Vale do Jequitinhonha (MG) no mapa global na cadeia de l\u00edtio. A regi\u00e3o \u00e9 formada <strong>por 14 cidades<\/strong>: Ara\u00e7ua\u00ed, Capelinha, Coronel Murta, Itaobim, Itinga, Malacacheta, Medina, Minas Novas, Pedra Azul, Virgem da Lapa, Te\u00f3filo Otoni, Turmalina, Rubelita e Salinas.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>Breve hist\u00f3rico do l\u00edtio no Brasil<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>No Brasil, apesar de alguns pegmatitos litin\u00edferos j\u00e1 serem conhecidos desde 1924, somente na d\u00e9cada de 1940 foram realizados os primeiros estudos sistem\u00e1ticos visando a implanta\u00e7\u00e3o de uma ind\u00fastria extrativa. Assim, sob coordena\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o Departamento Nacional da Produ\u00e7\u00e3o Mineral \u2013 DNPM (atual Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o &#8211; ANM) e orienta\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos norte-americanos, foi criado, em 1942, o Interdepartamental Comittee on Scientific and Cultural Cooperation.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o desenvolvido para o fornecimento de minerais necess\u00e1rios \u00e0 vit\u00f3ria dos Aliados (Programa da Board of Economic Warfare) levou ao aproveitamento de mais de quatrocentos pegmatitos somente no Nordeste. Cessada a Segunda Guerra, a queda dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas minerais inviabilizou a continua\u00e7\u00e3o da lavra da maioria dos dep\u00f3sitos, resumindo a atividade a alguns corpos com aproveitamento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1940, foi criada a Orquima, com o objetivo de beneficiar areia monaz\u00edtica. Em 1950, o fazendeiro Avelar Pereira, que realizava explora\u00e7\u00e3o de berilo na lavra do Genipapo, encontrou cassiterita. Em 1952, a Companhia Estan\u00edfera do Brasil (CESBRA), que permaneceu na regi\u00e3o at\u00e9 1958, e uma empresa subsidi\u00e1ria da Orquima, a Produco, iniciaram seus trabalhos de lavra na regi\u00e3o, tendo como principais corpos de pegmatitos as lavras do Fumal, Urubu e Generosa. Em 1956, a Orquima iniciou a produ\u00e7\u00e3o de carbonato de l\u00edtio em S\u00e3o Paulo (processando cerca de 1,5 mtpa de ambligonita com 8% de Li2O e obtendo cerca de 250 tpa de carbonato de l\u00edtio com 99,5% de pureza). Em 1958, a empresa iniciou sua linha de hidr\u00f3xido de l\u00edtio.<\/p>\n<p>Em 1965\/66 (Decretos n\u00bas 57.901, de mar\u00e7o de 1966, e 57.304, de novembro de 1965), a \u00a0Orquima foi encampada pelo Governo Federal, atrav\u00e9s da Administra\u00e7\u00e3o da Produ\u00e7\u00e3o da Monazita &#8211; APM, desenvolvendo tamb\u00e9m atividades de aproveitamento do l\u00edtio. Em 1972, a CNEN criou a Companhia Brasileira de Tecnologia Nuclear \u2013 CBTN, que absorveu todas as atividades da APM. Posteriormente, em 1974, a CBTN transformou-se nas Empresas Nucleares Brasileiras \u2013 Nuclebr\u00e1s, que criou uma subsidi\u00e1ria \u2013 a Nuclebr\u00e1s de Monazita e Associados (Nuclemon) &#8211; para exercer as atividades de prospec\u00e7\u00e3o, pesquisa, produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de monazita e de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de compostos de l\u00edtio.<\/p>\n<p>Nessa produ\u00e7\u00e3o destacavam-se os compostos carbonato de l\u00edtio, hidr\u00f3xido de l\u00edtio, cloreto de l\u00edtio hidratado, fluoreto de l\u00edtio e subprodutos como sulfato de s\u00f3dio (sal de Glauber), aluminato de s\u00f3dio e fosfato triss\u00f3dico. Praticamente toda a produ\u00e7\u00e3o era absorvida pelo mercado interno, que necessitava ainda ser abastecido por importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A partir de 1979, a produ\u00e7\u00e3o reduziu bastante devido \u00e0 dificuldade para a obten\u00e7\u00e3o da ambligonita, falta de capital para investimentos na moderniza\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e amplia\u00e7\u00e3o da planta semi-industrial, deprecia\u00e7\u00f5es, problemas ambientais na usina em S\u00e3o Paulo e indefini\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Em 1988, a Nuclebr\u00e1s \u00e9 transformada na INB &#8211; Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil &#8211; e a Nuclemon passa a ser reconhecida como USAM &#8211; Usina Santo Amaro (SP), constitu\u00edda de 4 unidades produtoras: TFM (Tratamento F\u00edsico de Min\u00e9rios); TQM (Tratamento Qu\u00edmico de Monazita); TQA (Tratamento Qu\u00edmico de Ambligonita) e STR (Separa\u00e7\u00e3o de Terras Raras). A USAM foi totalmente desativada em 1992.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, o projeto de l\u00edtio foi adquirido pela Arqueana Min\u00e9rios e Metais, com foco inicial na produ\u00e7\u00e3o de t\u00e2ntalo a partir de min\u00e9rios pegmat\u00edticos. Nos anos 2000, o projeto foi adquirido pela Tanex Resources, retornando \u00e0 Arqueana Min\u00e9rios e Metais em 2003. Em 2012, a Rix Minera\u00e7\u00e3o adquiriu a Arqueana e incorporou a Sigma Minera\u00e7\u00e3o, que assumiu a titularidade de todos os processos miner\u00e1rios.<\/p>\n<p>Nos anos 1970\/1980, algumas minera\u00e7\u00f5es de pequeno porte extra\u00edam minerais de l\u00edtio: Arqueana, Sandspar, Empresa de Minera\u00e7\u00e3o Oriente e Orenco do Brasil, al\u00e9m de garimpos (CE, PB e RN).<\/p>\n<p>A CBL foi fundada no final dos anos 1980, ap\u00f3s o fechamento da unidade TQA da Nuclemon, com o objetivo de produzir compostos de l\u00edtio e derivados. Os principais fatores que motivaram a cria\u00e7\u00e3o da empresa foram: disponibilidade de mat\u00e9ria-prima (espodum\u00eanio), exist\u00eancia de mercado promissor caracterizado pela depend\u00eancia das importa\u00e7\u00f5es, incentivos dos governos Federal e Estadual e oportunidade de investimento no setor produtivo.<\/p>\n<p>Em 1986, ap\u00f3s acordos comerciais com a Arqueana Min\u00e9rios e Metais, a CBL assume o controle da Mina da Cachoeira (espodum\u00eanio) e inicia o desenvolvimento do processo de beneficiamento (flota\u00e7\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica em meio denso) optando, entretanto, por iniciar sua opera\u00e7\u00e3o com min\u00e9rio concentrado (3% Li2O) proveniente de cata\u00e7\u00e3o manual (hand sorting).<\/p>\n<p>Na planta qu\u00edmica, a CBL desenvolve sua pr\u00f3pria tecnologia, escolhendo a rota \u00e1cida para extra\u00e7\u00e3o do l\u00edtio e realizando testes, em escala de bancada e piloto, nas instala\u00e7\u00f5es industriais da Nuclemon, que se encontravam paralisadas. Por fim adquire, por meio de licita\u00e7\u00e3o p\u00fablica, toda a usina de carbonato de l\u00edtio da Nuclemon e a transfere para sua f\u00e1brica em Minas Gerais. A CBL inicia a produ\u00e7\u00e3o de compostos de l\u00edtio no ano de 1992, concomitantemente com a proibi\u00e7\u00e3o e\/ou restri\u00e7\u00e3o governamental \u00e0 importa\u00e7\u00e3o desses produtos.<\/p>\n<p>Em 2018 entra em produ\u00e7\u00e3o a AMG, aproveitando os rejeitos das suas barragens. Tamb\u00e9m deve ser registrado que a empresa j\u00e1 adotava essa pr\u00e1tica, aproveitando o feldspato com muito sucesso. Em 2023, entra em opera\u00e7\u00e3o a Sigma, ap\u00f3s obter a Licen\u00e7a de Opera\u00e7\u00e3o (LO). Cabe registrar a comercializa\u00e7\u00e3o de rejeitos e subprodutos do l\u00edtio da CBL e Sigma em 2023.<\/p>\n<h5>Obs.: Continua na edi\u00e7\u00e3o 106 da revista <strong>In the Mine<\/strong>.<\/h5>\n<h5 class=\"navbar-brand\">Foto: Amostra de espodum\u00eanio da Mina da Cachoeira, Ara\u00e7ua\u00ed-Itinga (<span class=\"is-hidden-mobile\"><a href=\"http:\/\/recursomineralmg.codemge.com.br\/substancias-minerais\/litio\/\">RMMG<\/a>)<\/span><\/h5>\n<div id=\"top-nav\" class=\"navbar-menu\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3rico e sua evolu\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, passando de um mineral de nicho a um dos mais atrativos, gerando uma corrida mundial por dep\u00f3sitos<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":23642,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[8870],"class_list":["post-23640","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mercado","tag-breve-historico-do-litio-no-brasil"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.0 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A CONSOLIDA\u00c7\u00c3O DO L\u00cdTIO NO BRASIL - (Parte I) - Revista In The Mine<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Hist\u00f3rico e sua evolu\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, passando de um mineral de nicho a um dos mais atrativos, gerando uma corrida mundial por dep\u00f3sitos\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/a-consolidacao-do-litio-no-brasil-parte-i\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A CONSOLIDA\u00c7\u00c3O DO L\u00cdTIO NO BRASIL - (Parte I) - Revista In The Mine\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Hist\u00f3rico e sua evolu\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, passando de um mineral de nicho a um dos mais atrativos, gerando uma corrida mundial por dep\u00f3sitos\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/a-consolidacao-do-litio-no-brasil-parte-i\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Revista In The Mine\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"http:\/\/www.facebook.com\/inthemine\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2023-10-30T13:43:48+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2023-10-30T13:47:49+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.inthemine.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/litio-1024x683.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1024\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"683\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Reda\u00e7\u00e3o ITM\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@intheminet\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@intheminet\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Reda\u00e7\u00e3o ITM\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"15 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.inthemine.com.br\\\/site\\\/a-consolidacao-do-litio-no-brasil-parte-i\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.inthemine.com.br\\\/site\\\/a-consolidacao-do-litio-no-brasil-parte-i\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Reda\u00e7\u00e3o ITM\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.inthemine.com.br\\\/site\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/9eb77cece2cea253bb36c4b68c6a324c\"},\"headline\":\"A CONSOLIDA\u00c7\u00c3O DO L\u00cdTIO NO BRASIL &#8211; 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