É a mineração, nas palavras de Ivan Rodrigues Bezerra, presidente do Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico (CEDE) do Ceará, “um dos setores da economia com melhores condições para cumprir a responsabilidade de inclusão social na zona rural, notadamente, no que se refere à lavra, geralmente encravada nos rincões do sertão”. A região está em efervescência. Desde estudos de pré-viabilidade à fase final de implantação, avançam projetos de grupos nacionais e internacionais, de juniors a gigantes do setor e, às vezes, novatos nele, para substâncias que nem eram clássicas da mineração local. Cobre, níquel, ferro, ouro, platina, vanádio, carnalita, para resumir os exemplos.
Ao mesmo tempo, multiplicam-se Arranjos Produtivos Locais, Pólos e Núcleos de Produção de quartzito, rochas ornamentais, gipsita, argila, calcário, granito. São iniciativas dos governos estaduais, para organizar, legalizar, profissionalizar, despertar a consciência ambiental e dar sustentabilidade ao trabalho de milhares de garimpeiros. Há também muita pesquisa mineral e mapeamento geológico. E investimentos públicos e privados na área portuária, malhas ferro e rodoviária, além de estudos para minerodutos, portos secos e aeroportos. Audiências e reuniões públicas para discutir os projetos. Capacitação e qualificação técnica para atender a cadeia produtiva que está sendo ou será gerada. Há esforços para levar água e energia elétrica para o interior. Mais uma vez, enfim, a rigidez locacional, que tantas críticas rendeu e rende à mineração, pode e já está dando uma perspectiva progressista ao sertão do Nordeste.
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Ao assumir a Diretoria Técnica – DTE – da Cia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), em janeiro de 2007, Rafael Avena perguntou-se porque o órgão trabalhava por demandas, quase todas de minerais industriais, em detrimento dos minerais metálicos e metais nobres. Apesar de ter reservas bloqueadas expressivas de níquel, ouro e zinco, e áreas potenciais para ferro e metais-base (cobre e níquel), nenhum novo depósito de mineral metálico ou nobre havia sido agregado ao portfólio da empresa nos últimos dez anos. “Resolvemos mudar essa filosofia, aliando o trabalho vitorioso em pesquisa mineral de uma equipe altamente técnica a uma empresa mais profissional, em busca de independência financeira, de auto-sustentabilidade”, explica Avena.
“A mineração enfrenta a realidade de trabalhar com minérios de processamento difícil. E isso tem estimulado técnicas avançadas, desde o melhor conhecimento físico-químico, até aplicações de varredura eletrônica, além de reagentes formulados quase de forma personalizada”, lembra o professor Arthur Pinto Chaves, da USP. O Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) também vivencia os desafios de transformar o limão de processamento mineral numa limonada suíça. “Há vários estudos em andamento, por exemplo, para reaproveitamento de níquel, um metal que não tem substitutos fáceis”, exemplifica Adão Benvindo da Luz, diretor do órgão. A Votorantim Metais (VM) é um exemplo ativo do que dizem os dois especialistas. Num trabalho desenvolvido em colaboração com pesquisadores da UFMG, a unidade de Três Marias fez modificações que significaram uma economia de quase US$ 1,3 milhão/ano. A Caraíba Metais também avalia formas de tratamento opcional para a lama produzida no processamento de cobre. Na foto, Equipe 6 Sigma da VM: Claiton Pereira, Thiago Alvarenga, Heloisa de Oliveira, Alerson Silva de Lima e Lemyr Martins
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LEIA entrevista na edição número 13 de INTHEMINE